Marcos Afonso Lopes Ziemann (47) é nosso personagem da fronteira de hoje, e uma figura popularmente muito conhecida pelos iguaçuenses como “Homem do Crochê”.

Marcos Afonso Lopes Ziemann – ” O Homem do Crochê”

Apesar de ser conhecido assim, atualmente quem passa pela avenida Juscelino Kubitscheck encontra um homem sensível a cultura que o cerca, levando um pouco de cor e som as pessoas que passam pelo centro da cidade de Foz do Iguaçu. Um tanto misterioso no primeiro momento, mas muito aberto a contar sua história a quem se dispor a ouvir.

Para encontra-lo basta procurar por um senhor sentado em uma cadeira de praia e cercado por seus tapetes de crochê. Quando fui ao seu encontro, ele com suas mãos ágeis no crochê já realizava uma peça semipronta. Sentei ao seu lado e Marcos muito simpático e conversador, aceitou gravarmos essa entrevista.

Começou a contar sua história de vida, natural de Cruzeiro do Oeste, Paraná, com seus recém 18 anos completados mudou-se para São Paulo junto com uma namorada na época. Aos 20 tornou-se policial militar em São Paulo e ficou até os 22 anos. Nesse meio tempo trabalhou de segurança a noite com um dos maiores bicheiros de São Paulo na época, isso o fez desviar de seu caminho como policial e deu baixa em sua carreira. Essa experiência o seduziu de tal forma que começou a invejar a vida que o cercava e o atraí-lo a um mundo de “luxo e riqueza”.

Para ter acesso a vida que ele invejava, começou a adentrar no mundo do crime, realizando roubos e assaltos. Em um desses desvios precisou fugir para Bauru, São Paulo, lá acabou sendo preso e enviado para o Carandiru por três anos (onde aprendeu a tecer os tapetes).

Com sua “liberdade” recomeçou sua vida trabalhando no mesmo emprego que o “desviou”, mas como já dependia das drogas e álcool para viver acabou pedindo a conta, pois em sua mente projetava que sem grana, seu vício anularia, mas por engano ele acabou perdendo todo bem que possuía por conta das drogas.

Nesses altos e baixos da vida, Marcos acabou perdendo sua sanidade mental, mas foi salvo em um presídio, pois um psicólogo do presídio identificou a insanidade inicial, e com os remédios indicados sua saúde mental foi voltando e com boa alimentação, sono e água foi recuperando-se.

Com a recuperação, sua mãe o chamou para vir morar em Foz e o fez a proibição de beber. Por um tempo deu certo, mas teve recaídas e acabou sendo preso por porte ilegal de arma.

Na prisão em Foz ele aprendeu a arte do crochê e ao sair encontrou uma conhecida empresária no ramo do turismo que lhe deu dinheiro para ele comprar fios de crochê e com isso foi ensinar na penitenciária. Lá ensinava e vendia a produção que os presidiários realizavam.

Cerca de três anos depois foi preso novamente, e então o professor virou aluno mais uma vez. Liberto, sentou-se na avenida Juscelino Kubitscheck no centro da cidade de Foz e perguntou a uma vendedora de doces se podia vender seus tapetes e lá ficou por um ano. Com as vendas do seu trabalho crochetando, conseguiu comprar seu carro, trabalhando de 12 a 14 horas por dia.

Uma professora da Unila o convidou para um cursinho gratuito que estava focado no Enem, ele passou na Unila e se formou em bacharel de geografia (2017) . Como as aulas eram integrais nesse meio tempo teve que parar com os tapetes.

E assim a vida foi se encaminhando. No momento Marcos esta cursando o terceiro ano de filosofia na Unila, no meio período. Tem um apartamento e uma moto.

“A dependência me cobra um preço para eu me ocupar.”

E com tantas idas e vindas, a força de vontade o leva a conhecer novas experiências, dessa vez, cercada de coisas boas. A avenida Juscelino Kubitscheck ganhou novos sons nos últimos 40 dias quando um conhecido precisava de dinheiro e estava vendendo um saxofone. Desde criança Marcos foi apaixonado por piano e sax, mas foi após 23 anos que Marcos conseguiu comprar, pela metade do preço, e começou a praticá-lo. Começou treinando em casa e vendo sua dificuldade na aprendizagem  foi para as ruas treinar sua arte musical e nesse meio tempo as pessoas começaram a abrir seus ouvidos para sua bela canção e começaram a doar dinheiro para ele.

“Graças as pessoas abençoadas que passaram pela minha vida, hoje tenho uma carreira muita bela na cultura e arte de rua”, orgulha-se.

Um homem que tinha inúmeros desvios para se perder na vida, mas conseguiu encontrar guias que o levaram a um caminho de ensino e aprendizado, se tornando uma pessoa exemplo para aqueles que como ele decidem por sair da vida de crimes e drogas.

Hoje pai, avó, escritor, geógrafo e músico, Marcos é um homem que nos mostra que: “Há possibilidade de um mendigo ter e querer mudar de vida.”

Ficou interessado(a) em mais histórias de Marcos? Ele já escreveu três livros onde retrata e resguarda sua memória de vida. O livro se encontra com o próprio Marcos Ziemann na avenida Juscelino Kubitscheck em frente a confeitaria Jauense.

Serviço:
Tapetes de Crochê: R$ 200 a R$ 400 reais (pronta entrega e por encomenda)

Livros:
A vida por um fio – R$ 10,00
Barbáries por um fio – R$ 20,00
A (in)Sanidade por um fio – R$ 20,00

Deixe um comentário

Deixe a sua opinião