Eventualmente ouvimos falar que alguém caiu no conto do vigário, isso é conto do vigário, ele passou o conto vigário, como maneira de dizer que você foi enganado, ludibriado ou logrou.

Mas você sabe qual a origem dessa expressão tão brasileira, que não deve ter tradução em outra língua? Como e quando foi utilizada pela primeira vez, entre outras curiosidades?

Nessa estância, vamos lá ver sua história, se dá para acreditar ou não. Esse dito popular, segundo consta, começou a ser usado no século XVIII, em Ouro Preto, Minas Gerais. Lá duas paróquias, uma de Pilar e outra da Conceição, disputavam na época a propriedade e a entronização da mesma imagem de Nossa Senhora.

Para definir a pendenga, um dos vigários teve a ideia de atar a imagem num burro e, depois de consulta e aceite, se definiu colocar o animal entre as duas paróquias, apostando em qual igreja o burro iria pender, esta seria a vencedora e utilizadora da dita imagem.

Pois bem, relata a história, que o burro pendeu para a igreja do Pilar, saindo do empate e embate, conquistando a disputa, mas se descobriu depois que o próprio animal era de propriedade da mesma igreja vencedora, logo, conhecia o caminho, consagrando-se, assim, uma falcatrua ou jeitinho brasileiro de resolver a questão, usada pelo excelso homem da Igreja. A partir daí, qualquer fato semelhante de vivacidade redundou na frase do legítimo “conto do vigário”.

A partir dessa disputa (e quem diz puta não entra na igreja), a expressão conto do vigário passou a figurar como ato de esperteza, se dar bem, levar a melhor, ganhar, com prejuízo da outra parte. Define-se, igualmente, que “vigarista” derivou dessa própria expressão e desse fato histórico mui brasileiro.

Outro modo de contar o fato provém de Portugal, acontecimento ocorrido no século XIX, quando alguns malandros chegavam à cidades desconhecidas e se apresentavam como emissários do vigário. Diziam que tinham uma grande quantia de dinheiro numa mala que estava bem pesada e que precisariam guardá-la para continuar viajando, mas para isso era necessário como garantia que lhes dessem alguma quantia em dinheiro para garantir uma viagem tranquila e assim conseguiam tirar dinheiro dos portugueses facilmente.

O fato é que eles não voltavam e na mala nada havia de dinheiro, pois…pois…eram enganados pelo “conto do vigário”…

Espaço Institucional.

Eucárdio De Rosso

Eucardio Antonio De Rosso, é Jornalista e escritor.

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