Liga-se aos receptores-alvo chamados de ACE-2 (enzima conversora da angiotensina-2) e TMPRSS2 (protease trans–membrana serina 2), presentes nas células epiteliais da mucosa, nas células epiteliais dos alvéolos pulmonares, nas células endoteliais vasculares e macrófagos no pulmão, coração, rins, sistema nervoso, endócrino, digestivo e outros.

As células do bulbo olfatório são ricas desses receptores, por isso ocorre perda precoce do olfato (anos mia). Também há perda do paladar, porque as células das papilas gustativas também têm muitos desses receptores. As células gustativas costumam regenerar-se de maneira mais rápida (em torno de 14 dias), mas o olfato pode demorar até entre seis e oito semanas para normalizar-se.

Assim, a virose compromete vários órgãos ao mesmo tempo: pulmão (falta de ar), coração (arritmias cardíacas), rins (insuficiência renal), tecido nervoso (trombose), endócrino e aparelho digestivo (diarreia).

A doença tem várias fases.

Fase I

Do segundo ao oitavo dia, ou pouco mais, ocorre a replicação (multiplicação) viral.

Fase II

Inflamatória: IIA, sem falta de ar; IIB, com falta de ar.

Fase III – (insuficiência respiratória, renal e trombo gênese)

E para os que sobrevivem, existe a Fase IV (sequelas pós-covid).

O vírus pode ser eliminado dentro de 14 dias. Mas a notícia da cura pode não ser o fim. Os sintomas podem prolongar-se e vão desde cansaço, fraqueza, falta de ar, dor de cabeça, dores musculares, alterações da sensibilidade e da força motora por disfunção neuromuscular até depressão, ansiedade, alterações cognitivas, prejuízo de memória e da capacidade de raciocínio.

Felizmente, os casos graves de covid-19 não passam de 5% do total e seus danos podem ser amenizados pelo tratamento precoce e tratamento adequado de cada fase, que muitos médicos já aprenderam a fazer.

Após 10 a 15 dias, mesmo não havendo mais carga viral, os sintomas podem continuar: tosse, fadiga excessiva, dores musculares, ansiedade, depressão por tempo variável. São as sequelas da doença.

Recente estudo inglês estima que, após o período agudo, 45% das vítimas de covid-19 necessitarão de cuidados médicos, 4% precisarão de algum tipo de reabilitação (como fisioterapia pulmonar) e 1% necessitará de tratamento médico para o resto da vida.

Médicos chineses apontam que 21% dos pacientes têm problemas tardios ao nível pulmonar, cardíaco, renal e endócrino. A fadiga prolongada tem como uma das causas a insuficiência da suprarrenal, que passa a produzir menos cortisol por danos na hipófise que podem durar vários meses. Sequelas ao nível do sistema nervoso já estão bem estabelecidas.

Em 26 de junho último, a revista Lancet publicou um estudo inglês com 125 pessoas, das quais 57 tiveram acidente vascular cerebral, 9 apresentaram encefalopatia seguida de disfunção cerebral, alterações comportamentais e dificuldades de concentração, e 7 tiveram encefalite.

A doença é muito nova e ainda pouco dela se conhece. Mas nove meses de pandemia já deram a muitos médicos um bom aprendizado de como tratar a covid-19.

Já existem protocolos bem estabelecidos de tratamento para cada fase da doença, e milhares de médicos já acreditam até em profilaxia. Mais importante do que se curar da covid-19 é evitar contraí-la. A doença é desagradável, pode deixar sequelas e ser fatal.

Evitá-la ainda é a melhor alternativa, enquanto não se dispõe de uma vacina comprovadamente eficiente e segura.

Antoninho Ricardo Sabbi

Membro emérito da Sociedade Brasileira de Cancerologia e Mastologia. CRMPR-7093.

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