Foi-se o tempo que o barulho de máquinas e a poeira da obra fascinavam o brasileiro. Hoje sabemos que nem sempre grandes obras significam desenvolvimento, elas podem representar o contrário – se não houver planejamento!

Quem conhece a avenida Brasil na entrada do Rio de Janeiro, pode ter uma ideia do que é uma grande avenida em região portuária. A nova perimetral será uma avenida para escoamento de cargas – entrando ou saindo do Brasil para dois países, Argentina e Paraguai. Regiões portuárias com alta concentração de viajantes, como é o caso do transporte rodoviário ou marítimo, é também região de comércio de drogas e prostituição, não é a toa que dentre os maiores índices de HIV estão cidades portuárias. Há um agravante para Foz do Iguaçu, que é o fato de já ser uma porta de entrada para o contrabando de diversos tipos de drogas lícitas (álcool e cigarro) e ilícitas (cocaína e maconha principalmente). Sem planejamento, uma rodovia destas pode ser um catalisador para o ilícito.

Neste caminho estão três das principais obras em andamento: a nova ponte, a perimetral leste e a ampliação do aeroporto, onde está previsto um novo porto seco para transbordo das cargas que deverão chegar pelo ar. É evidente que as obras são muito bem-vindas e trarão desenvolvimento econômico por um lado, mas se seu impacto não for previsto, calculado e solucionado, Foz pode estar criando uma enorme região degradada para um prazo de menos de 10 anos.

Já a duplicação da rodovia das cataratas, até mesmo pela forte regulação exercida pelo trade turístico local, é uma obra que tende sim, a incrementar o desenvolvimento turístico local. A tendência é novos hotéis e novos empreendimentos na área do entretenimento ocuparem todo o trajeto da rodovia.

Apesar do risco citado para o caso da perimetral leste, há um aspecto favorável – diferente de tempos antigos. Hoje há uma massa crítica maior devido ao recente polo universitário criado na região e também uma maior e melhor rede de governança, onde os problemas são mais facilmente compreendidos e encaminhados.

É fundamental que o planejamento do impacto da perimetral leste, principalmente na cabeceira da ponte onde se situa a maior ocupação do Paraná – Bubas – para que de fato estas importantes obras combinadas sejam apenas um grande impulsionador do desenvolvimento econômico, social e ambiental.

Alexandre Balthazar professor e arquiteto Foz
Alexandre Balthazar, arquiteto e urbanista com mestrado em gestão urbana, coordenador do curso de arquitetura do Centro Universitário Uniamérica Descomplica.

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