Diante do cenário e da realidade que estamos vivendo com a pandemia. Há importância cada vez maior das editoras locais, afinal muitas comunidades dependem dos seus veículos locais de jornalismo para se informarem.

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Juliana Toscano

“O jornalismo local é vital para o bem-estar e o progresso das comunidades, sobretudo em um período de tantas dificuldades impostas pela pandemia. Somente os jornalistas e organizações de notícias locais têm o total entendimento dos problemas de cada localidade e estão comprometidos com a solução desses desafios. Por isso, um dos grandes avanços que tivemos na ANER neste ano foi a instalação da Comissão de Editores Locais, justamente em um momento em que é crucial a valorização deste tipo de jornalismo em contraponto ao crescimento dos chamados desertos de notícias”, destaca a diretora-executiva da ANER, Juliana Toscano.

À frente da comissão está o publisher da 100fronteiras, Denys Grellmann, que coordena o colegiado. A cada reunião um tema pertinente é apresentado e debatido com os demais membros da comissão, que são também de veículos de comunicação associados à ANER e à ANJ, e que se reúnem periodicamente para trocar experiências e discutir projetos de interesse do meio.

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Denys Grellmann

“Sob a liderança do Denys Grellmann – escolhido para a coordenação do grupo por sua experiência sobre o tema como publisher da 100fronteiras e por sua atuação engajada junto à ANER –, este fórum já se reuniu várias vezes, com intensa troca de experiências e informações entre associados e especialistas de mídia, em contribuição ao jornalismo, que deverá ser ainda maior em 2021”, ressalta Juliana.

Última reunião do ano debate o jornalismo de soluções

Desde que foi dado início aos trabalhos, já foram realizadas cinco reuniões. A última de 2020 ocorreu no começo de dezembro e teve como tema central o jornalismo de soluções. Para isso, estiveram presentes à reunião virtual profissionais de revistas da ANER e de jornais da Associação Nacional de Jornais (ANJ).

Ana Brambilla, professora e pesquisadora do Master – Negócios de Mídia, do ISE Business School, de São Paulo, foi uma das convidadas especiais e falou sobre o conceito de jornalismo de soluções. Ela também mostrou alguns casos de empresas que já colecionam histórias de sucesso com essa abordagem.

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Ana Brambilla

“O jornalismo de soluções se apresenta como uma oportunidade de os veículos retomarem a relevância que desempenham no dia a dia da população. Por ter a negatividade entre os critérios de noticiabilidade, fomos acostumados a concentrar nossos esforços em tudo o que está ‘errado’ na sociedade, agindo como uma espécie de justiceiro social, a quem a denúncia levaria o público a reagir. Só que o ecossistema de ideias e valores desse público mudou, e o jornalismo não. Ao invés de estimular a reação das audiências, nosso conteúdo espantou as pessoas, que terminavam de nos ler ou assistir com tristeza e sentimento de impotência. O jornalismo de soluções é uma proposta de superar essa imagem negativa com que o noticiário passou a ser visto. Além da denúncia, ele apresenta soluções ou mostra caminhos por onde o público pode evoluir para, de fato, resolver aquele problema. Isso torna nosso trabalho aplicável na vida de comunidades locais ou de interesses.”

Ela explica ainda que o fórum de editores locais da ANER/ANJ consegue promover conversas tão confortáveis como em um café, com a seriedade e o compromisso de uma reunião de comitê gestor.

“Misturar esses climas não é algo simples, mas é absolutamente necessário para que os integrantes se sintam à vontade para compartilhar suas dores e buscarem, juntos, soluções para o setor. A integração da indústria jornalística é algo fundamental, especialmente em momentos como este, em que sofremos a ameaça permanente das big techs.”

Nilson Vargas, gerente de Jornalismo do Grupo RBS, da plataforma digital da Gaúcha ZH e da Rádio Gaúcha de Porto Alegre, também foi um dos convidados especiais e fez um relato sobre as lições aprendidas a partir da prática do jornalismo de soluções nas redações dos veículos do Grupo RBS. Ele reforçou que esse viés está entre as principais estratégias da empresa para 2021. 

Nilson Vargas
Nilson Vargas

“O jornalismo de soluções está trazendo um oxigênio novo para nossas pautas e nos desafiando a uma nova compreensão do nosso papel na sociedade, que vai além de apontar os problemas chegando até o desafio de contribuir com ideias, insights e experiências bem-sucedidas de como resolver os problemas que apontamos. Foi minha primeira experiência participando de uma reunião com colegas editores. Nestes tempos de pandemia e recolhimento, a possibilidade de trocar experiências como nossos ‘iguais’ é muito importante e rica. Percebemos desafios e dilemas comuns e podemos nos ajudar”, frisa.

Denys Grellmann, coordenador da Comissão de Editores Locais, salienta que a comissão veio em um momento de extrema importância para o jornalismo local no Brasil, quando já tem se discutido há alguns anos de forma mais aprofundada o jornalismo local nos Estados Unidos e Europa.

“A ANER foi pioneira em criar uma comissão exclusiva para editores locais, primeiramente para os associados da ANER, e depois abrimos para a ANJ, para ampliar esse debate e também fortalecer o jornalismo local em todos os cantos do Brasil. A ANER precisa estar conectada no que está sendo feito em outros pontos do Brasil, além de Rio, São Paulo e Brasília. Com isso, a comissão vem para capacitar os associados, trazer novos conhecimentos, criar pontes e parcerias”, afirma.

O publisher da 100fronteiras também menciona que os primeiros cinco meses foram de muito aprendizado, networking e troca de experiências, o que motiva os associados da ANER a continuarem desenvolvendo o trabalho de jornalismo local em suas cidades.

“Para nós da 100fronteiras é um orgulho muito grande estar à frente dessa coordenação nacional dos editores locais e também um orgulho muito grande ter sido convidado novamente a participar do Conselho Fiscal da ANER, e seguir como coordenador da comissão. Participamos há mais de dez anos da associação, e ela foi muito importante para a 100fronteiras, pela forma como ela se posiciona na comunicação do Brasil e como traz conhecimento a todos os editores. É um grande orgulho estar fazendo parte da ANER e somando na construção do jornalismo local no nosso país”, finaliza.

Patrícia Buche

Formada em Jornalismo na UDC e pós-graduada em Relações Internacionais Contemporâneas na Unila, atualmente é jornalista da 100fronteiras.

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