O Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Estudos Latino-Americanos (PPGIELA) alcançou a marca de 100 dissertações defendidas.

O centésimo mestre titulado pelo programa foi o músico e compositor Cristiano Roberto Galli, que defendeu o trabalho “A trajetória da música de vanguarda latino-americana na primeira metade do século XX: os movimentos Nueva Música e Música Viva”, sob a orientação da professora Analía Chernavsky. Com ele, já são 415 mestres formados nos 12 programas de pós-graduação da Universidade.

Nascido no Rio Grande do Sul, Cristiano Galli mora desde os 11 anos de idade em Foz do Iguaçu, onde realizou toda sua trajetória na Músca. Graduado em Composição Musical pela UNILA, ele viu no PPGIELA a oportunidade de continuar os estudos em pesquisa em música latino-americana. “Um dos meus objetivos era compreender esse campo em que estou inserido, que é a Música de Vanguarda, e entender como desenvolver minhas atividades no ambiente latino-americano em que me encontro”, explicou.

Em seus estudos, o compositor estudou os movimentos musicais que romperam com o sistema musical tonal, na Argentina e no Brasil, e propuseram uma forma de lidar com a música sem hierarquias, chamado de sistema dodecafônico. Ele acredita que a interdisciplinaridade do programa contribuiu para enriquecer a pesquisa. “Trata-se de um programa interdisciplinar, então tive contato com professores de diferentes disciplinas e com alunos com formações diversas. Isso enriqueceu os debates em sala de aula e, certamente, enriqueceu meu olhar sobre a minha pesquisa”, contou. Concluído o mestrado, Cristiano Galli pretende continuar trabalhando com composição de músicas de Vanguarda e, paralelamente, continuar os estudos acadêmicos para, em breve, desenvolver uma pesquisa de doutorado na área de Música e América Latina.

Inovador e interdisciplinar 

O PPGIELA foi a primeira pós-graduação stricto sensu da UNILA. Desde a sua implantação, em março de 2014, o programa vem fortalecendo a proposta de promover pesquisas e ações transnacionais voltadas para a produção de saberes críticos e relevantes para a Tríplice Fronteira e a América Latina. Pelas turmas do mestrado já passaram alunos provenientes de 11 países.

Focado em temáticas inovadoras e na formação interdisciplinar, o programa reúne um corpo docente formado por pesquisadores de diversas áreas do conhecimento, como Literatura, Música, Antropologia, Educação, Linguística Aplicada, Comunicação, entre outras. “Voltado para as práticas socioculturais das diversas latitudes que configuram a região, o programa aborda temas que envolvem questões de sociabilidade e convivência, de forma crítica e também propositiva.

Temos inúmeros exemplos de dissertações defendidas com este claro compromisso que, cada vez mais, se desenvolve problematizando a ética da pesquisa científica e artística, colocando em xeque até mesmo a própria escrita acadêmica”, salientou a coordenadora do PPGIELA, professora Diana Araujo Pereira.

Diana citou também a dissertação de Izabela Fernandez sobre as mulheres negras em Foz do Iguaçu premiado pela Secretaria de Estado da Comunicação Social e da Cultura do Paraná no prêmio Outras Palavras de Obras Literárias, na Categoria Ensaios Críticos. O trabalho foi elaborado a partir do conceito de “escrevivência”, cunhado pela escritora Conceição Evaristo.

“Izabela buscou dialogar com a vivência local de mulheres negras, identificando as fronteiras em que habitam, tanto em seu aspecto geográfico, nacional e político, como também as fronteiras de gênero, raça e classe, que caracterizam o lugar de suas falas e as redes de afeto que estabelecem na região trinacional, entre Foz do Iguaçu, Ciudad del Este e Puerto Iguazú”, lembra a docente.

Compositores de Foz do Iguaçu
Foto: Divulgação.

Formas de ingresso

Atualmente, o PPGIELA conta com 59 alunos regulares. O processo seletivo para ingresso de novos estudantes ocorre uma vez ao ano, com edital publicado entre os meses de julho e agosto. A seleção está orientada por Linhas de Pesquisa, sendo necessária uma carta de aceite de docentes do programa que demonstre a intenção de orientação, além de outros documentos solicitados no edital.

Das 24 vagas ofertadas anualmente, pelo menos três são destinadas para candidatos indígenas, negros, pessoas trans e pessoas com deficiência. De acordo com a coordenação, o programa foi o primeiro da UNILA a implantar uma política afirmativa que inclui transexuais e travestis, algo inédito na região.

Comentários

Deixe a sua opinião