O estado paranaense é um dos mais ricos do país em termos de desenvolvimento, geração de empregos e renda. Só em 2021 oPIB do Paraná, de R$579,3 bilhões, equivaleu a 6,67% do PIB brasileiro, segundo dados do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes). Muito desse desempenho é fruto do cooperativismo –  que surgiu na Inglaterra durante a Revolução Industrial, quando 28 operários reuniram-se na Sociedade dos Probos de Rochdale, a fim de cooperarem entre si para o benefício de todos, diante da dura realidade capitalista que crescia consideravelmente.

História do cooperativismo

No Brasil, a primeira cooperativa de consumo foi criada em Ouro Preto, Minas Gerais, em 1889. Já a primeira cooperativa de crédito nasceu no Rio Grande do Sul, em 1902. Foi então, em 1906, que surgiram as primeiras cooperativas agropecuárias nacionais, conforme dados de registro do Movimento Cooperativo Brasileiro.

No Paraná, a pioneira em cooperativismo foi a Fundação da Sociedade Cooperativista de Consumo “Svitlo” em Carazinho – União da Vitória/ PR, sob a orientação de Valentin P. Cuts, considerado o pioneiro do cooperativismo paranaense, em 1920.

Com o passar dos anos o sistema cooperativista foi ganhando todo o estado e atualmente o Paraná conta com grandes empresas cooperativistas de renome internacional e também é o estado do sul do país onde as cooperativas mais empregam.

Uma dessas cooperativas que começou pequena e hoje é uma grande potência é a Lar Cooperativa Agroindustrial. Foi em 1964 que 55 pequenos agricultoresdo Rio Grande do Sul e Santa Catarina se uniram na antiga Gleba dos Bispos, onde atualmente fica o município de Missal (PR), para cultivar a terra, criar animais, extrair madeira e comercializar insumos. Na década de 80 nasceu a Cooperativa Agropecuária Três Fronteiras Ltda. (Cotrefal), e em 1983 surge o primeiro Supermercado Cotrefal.  Aos poucos o grupo foi sendo reestruturado e, com isso, na década de 1990, iniciou-se o processo de agroindustrialização, que atualmente conta com uma gestão integrada, baseada desde 2017 em três superintendências: Administrativa Financeira, Negócios Agrícolas e Suprimentos e Alimentos.

Em 2001 a Cotrefal passou a se chamar Cooperativa Agroindustrial Lar e, ano a ano, a cooperativa vem registrando crescimento no setor de agronegócio, sendo atualmente a terceira maior cooperativa do Paraná, presente em todo o mundo, e com faturamento anual de mais de 17 bilhões de reais (2021).

Irineo da Costa Rodrigues - diretor-presidente da Lar
Irineo da Costa Rodrigues – diretor-presidente da Lar.

“Sou o diretor-presidente da Lar Cooperativa há 31 anos e ao longo da minha jornada dentro da cooperativa atuei em outras funções. Acreditamos nas pequenas propriedades e viabilizamos esses negócios, isso fez a Lar Cooperativa crescer muito nas últimas três décadas. Apostamos na diversificação da produção, principalmente na linha da pecuária. Em 1999, iniciamos os trabalhos com a avicultura e 22 anos depois, nos tornamos a quarta maior empresa do país na produção de frangos e a quinta maior da América Latina. Essas conquistas são o resultado do empenho das 13 mil famílias associadas e dos 24 mil colaboradores que atuam em nossas indústrias e outros departamentos da Lar. Somos a cooperativa que mais emprega no Brasil, algo que é motivo de orgulho para a nossa administração. Nossas fronteiras de trabalho não se limitam apenas ao Paraná. Há 25 anos expandimos a área de grãos ao Paraguai e há 20 anos atuamos no Mato Grosso do Sul. Todo esse investimento fez crescer o faturamento da Lar Cooperativa e assim nos tornarmos uma referência para o sistema cooperativista”, destaca o diretor-presidente da Lar, Irineo da Costa Rodrigues. 

De acordo com Irineo as cooperativas têm uma enorme importância no Paraná, pois entre as dez maiores empresas do estado, mais da metade são cooperativas, ou seja, elas assumem um laço muito forte com a economia. “Onde existe uma cooperativa instalada, o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do município é sempre melhor, pois além de gerar renda e emprego para as famílias, as cooperativas implantam os princípios do cooperativismo, podemos citar alguns deles, como por exemplo, o investimento em educação. Grande parte das cooperativas já atuam com universidades corporativas ofertando cursos de ensino superior. Outro princípio é a participação ativa na construção de uma sociedade melhor, apoiando projetos para o desenvolvimento da região. Essas iniciativas só reforçam a relevância do cooperativismo”.

Força internacional sem perder a essência local 

Hoje os produtos da marca Lar são exportados para 80 países e, apesar da atuação no mercado internacional, mantém a essência do cooperativismo. O diretor-presidente explica que existe um vínculo muito forte entre a Lar e os associados, onde a cooperativa criou vários comitês para a tomada de decisões, com a participação dos cooperados que continuam a conservar os princípios do cooperativismo. “Consideramos de extrema importância e indispensável a opinião dos associados, só construímos uma marca sólida por conta deles. A grande característica da Lar é ter uma relação muito forte com as famílias dos cooperados. Somos reconhecidos por ser a cooperativa com a melhor organização do quadro social, o que é importante, assim a relação com os associados só fortalece, cria-se um canal de comunicação bastante ativo, tanto para a tomada de decisões, quanto para informar o que acontece no âmbito da cooperativa”.

Transformar vidas, eis a essência do cooperativismo

Em todo o mundo, o sistema cooperativista gera resultados, transforma vidas e contribui para o desenvolvimento. Atualmente a França é o país com maior faturamento do setor no mundo, seguido da Alemanha e do Japão, segundo dados da International Cooperative Alliance.

Infográfico:

  • + de 150 países contam com o sistema cooperativista;
  • Ao todo são cerca de 3 milhões de cooperativas;
  • 1 bilhão de cooperados;
  • 280 milhões de empregos, o que significa uma faixa de 10% da população do mercado formal e de 4% de toda a população mundial.

* Dados recentes do International Cooperative Alliance

Há 50 anos, o Sistema Ocepar – uma organização composta pela Ocepar (Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná), SESCOOP/PR (Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo do Paraná) e FECOOPAR (Federação e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná) – atua diretamente com as cooperativas do Paraná, da qual a Lar faz parte. O Sistema Ocepar é uma entre as 27 unidades estaduais presentes no Brasil, ligadas ao Sistema OCB (Organização das Cooperativas do Brasil). O Sistema atua de forma integrada e focada no desenvolvimento pleno do cooperativismo paranaense, de seu crescimento sustentável e da melhoria de vida das pessoas.

Ainda, segundo esse levantamento, o Paraná é o estado que mais tem cooperativas que exportam/importam para outros países, um total de 170, seguido por São Paulo (51), Rio Grande do Sul (47), Santa Catarina (43) e Minas Gerais (35).

“O sistema dá certo quando a cooperativa não perde a essência do cooperativismo, ela continua prestando serviço para atender as necessidades do associado. Muitas vezes, essa ajuda pode ser a viabilização de uma atividade econômica, entrar em um novo projeto, investir em tecnologia e conhecimento. Na medida que a cooperativa atende esses pontos, ela assume um papel importante, de certa forma um apoio para as famílias dos cooperados, é assim que a Lar pensa, é assim que a cooperativa se desenvolve”, reforça Irineo.

Aviários em Medianeira - Lar
Aviários em Medianeira – Lar

O associado da Lar desde 1991, José Carlos Colombari, de São Miguel do Iguaçu, possui uma propriedade bastante diversificada. Trabalha com grãos (soja e milho), suinocultura, pecuária de corte com confinamento, agricultura e produção de energia elétrica. “Na agricultura trabalho 100% com a Lar comprando e entregando a produção, e na suinocultura e pecuária de corte faço a aquisição dos insumos. A cooperativa oferece ao quadro de associados transparência, segurança e qualidade dos produtos que ela entrega. Também cria oportunidades para que os associados diversifiquem as atividades na propriedade, ajudando o pequeno produtor, principalmente. Ou seja, a essência do cooperativismo é transformar a vida das pessoas, proporcionando conhecimento e crescimento ao quadro de associados”, finaliza.

Formada em Jornalismo na UDC e pós-graduada em Relações Internacionais Contemporâneas na Unila, atualmente é jornalista da 100fronteiras e recentemente conquistou pela 100fronteiras o primeiro lugar no 1º Prêmio Faciap de Jornalismo.

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