Até o dia 21 de junho, está em cartaz na Fundação Cultural a exposição “Arquitetura Habitacional da URSS: Concurso entre Camaradas 1926”.

A mostra internacional tem o objetivo de resgatar e debater a história da arquitetura soviética, principalmente nos anos 1920, que mudou diversos paradigmas da arquitetura habitacional.

A exposição acontece simultaneamente no México, Argentina, Venezuela e, no Brasil, vai passar passar por cidades como Brasília, Palmas, Natal, São João del Rei, Rio de Janeiro, São Paulo, entre outras.

A exposição apresenta textos e materiais inéditos na América Latina sobre o Concurso entre Camaradas de 1926, um evento promovido pela União de Arquitetos Contemporâneos da URSS (OSA, na sigla em russo) para impulsionar o debate sobre as mudanças nas habitações populares necessárias para atender à sociedade da época.

No Concurso, foram apresentados oito projetos. Todos eles estão expostos na Fundação Cultural, na forma de cartazes e maquetes.

“Esse grupo de arquitetos foi um dos mais relevantes em termos experimentais, que desenvolviam o que chamamos de construtivismo russo na arquitetura”, destacou a professora de Arquitetura e Urbanismo da UNILA, Andrea Moassab, organizadora da exposição em Foz do Iguaçu.

Todos os projetos de moradia apresentados no concurso eram edifícios que apresentavam uma rede completa de prestação de serviços e de lazer.

“Isso reforça a importância de compreender a moradia dentro de um sistema complexo em que, além do espaço de descanso diário, inclui equipamentos coletivos”, comenta Andrea.

Os prédios contavam com creche, jardim de infância, lavanderia coletiva, centro cultural, quadras de esportes, refeitório e a possibilidade de instalação de uma cozinha industrial. “Um dos objetivos era desonerar as mulheres da responsabilidade dos trabalhos domésticos”, disse.

Com uma grande área de equipamentos coletivos, as moradias familiares não precisavam ser muito grandes.

“A célula da moradia tinha um espaço diminuto, mas com pé-direito duplo dando uma sensação de amplidão. Muitas dessas premissas foram absorvidas pelo Capitalismo mais tarde. A diferença é que os espaços diminutos não apresentavam mais o pé-direito duplo e a infraestrutura de serviços, na medida em que é um sistema econômico que visa o lucro e não o bem-estar das pessoas”, salienta Andrea Moassab.

Para a pesquisadora, a exposição é uma oportunidade para repensar o direito universal à moradia.

“A gente vive em um país em que, até hoje, as pessoas não têm onde morar, onde muitos dos projetos habitacionais têm inúmeros problemas, um deles é a falta de equipamentos coletivos. E essa experiência soviética já mostrou como é imprescindível que as moradias tenham essa conexão com o coletivo. Passados 100 anos, ainda estamos muito longe disso”.

A exposição “Arquitetura Habitacional da URSS: Concurso entre Camaradas 1926” é fruto de uma parceria entre o Grupo de Estudos Multidisciplinares em Urbanismos e Arquiteturas do Sul (MALOCA) da UNILA, a Brigada Acadêmica Interdisciplinar da Universidade Aberta do México (BAI) e o Taller Libre de Proyecto Social da Universidade de Buenos Aires. A atividade está sendo organizada em parceria com o Museu Digital da UNILA (MUD) e o Museu de Arte de Cascavel. A visitação acontece das 8h às 17h e é gratuita.

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