Desde 2015, são notáveis alguns dos livros acadêmicos sobre a Tríplice Fronteira que têm sido publicados nos Estados Unidos. Em 2021, o destaque vai para a tradução do livro de Jacob Blanc e o lançamento do livro de Frederico Freitas, ambos historiadores.

O livro de Jacob Blanc foi publicado em 2019 e foi traduzido como Antes do dilúvio: Itaipu e a história da ditadura no campo (Editora Garamond, 2021). No livro, o autor argumenta que havia três grupos-chave no território que seria inundado pelo lago de Itaipu: pequenos proprietários, indígenas e sem terra.

A partir de fontes diversas como documentos da Itaipu, reportagens, fotografias e entrevistas, o leitor encontra a narrativa do projeto Itaipu e as narrativas de como esses grupos-chave se relacionavam, bem como as temáticas nacionais da década de 1980, tais como militarismo, abertura e democracia.

O livro de Frederico Freitas (Cambridge Press, 2021), em tradução livre seria algo como: Nacionalizando a Natureza: Cataratas do Iguaçu e Parques Nacionais na Fronteira Brasil-Argentina.

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É certamente um dos melhores livros que conheço sobre a Tríplice Fronteira. Em diálogo com o ideal de conservação ambiental, o autor contextualiza o surgimento dos Parques Nacionais no âmbito da disputa geopolítica entre Brasil e Argentina nos anos 1930.

No último capítulo, vale-se de imagens aéreas para explicar o desenvolvimento agrícola e a formação das cidades no traçado da BR-277. Desde Cascavel, Foz do Iguaçu foi a única cidade que se desenvolveu sem a tutela de uma Companhia Colonizadora.

Esses dois livros são leituras fundamentais para quem estuda ou se interessa por informações históricas de alto nível sobre dois aspectos da nossa região: Itaipu Binacional (Brasil-Paraguai) e Parque Nacional do Iguaçu (Brasil-Argentina).

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