Me gusta pensar el portunhol como una lengua serpiente. Assim, para definir essa língua serpiente ou de frontera é importante pensar nossa identidade. Nossa identidade fronteiriça, às vezes ou quase sempre, nos exige utilizar essa língua serpiente na comunicação.

O portunhol pensamos desde a fronteira trinacional não pode ser visto apenas como o contato de duas línguas, senão de muitas, de todas as que aqui circulam, por isso talvez seja melhor chamar ele de uma língua serpiente.

Essa língua (guem) que está sempre nos entremeios, nos espaços da fronteira, como um mix plurilíngue nos disse o poeta Douglas Diegues. Pois o portunhol não está relacionado só com as línguas, senão com a linguagem, ele é um amálgama de línguas, de gestos, de sentidos.

Pensa comigo: quando você está aprendendo uma língua e quer falar sobre sentimentos, paixões, você fala na sua língua materna ou na língua que está aprendendo? Posso te dar um exemplo? Eu, argentina, brasileira e fronteriza de corazón, quando quero falar das emoções sempre falo em espanhol ou intercambio as línguas. Esse vaivém me permite demonstrar o que sinto nas línguas e com as línguas.

Quando a gente está aprendendo um idioma, ou quando está na fronteira, como aqui, usamos estratégias para nos comunicar com nosso interlocutor, muitas vezes em uma mezcla de lenguas mas também de sentidos [assim como estou fazendo neste texto, mesclando algumas línguas].

É que quando aprendemos uma língua, ou quando estamos imersos nas línguas, como na fronteira, às vezes encontramos uma palavra, léxico, conceito, que falamos em uma língua e outra no sentido da língua (guem).

Você já deve ter ouvido falar do yopará/jopará (também conhecido como guaranhol), a mezcla do guarani com o espanhol – e sabia que o prefijo “jo” indica reciprocidade, uns aos outros, ou mutuamente? Pois então, faz sentido nossa língua da integração, ou nossa língua vizinha, juntas formando um mix plurilíngue de significados. Às vezes, é bom pensar no portunhol como uma língua que transborda os limites, que vai além das fronteiras e cria seus próprios significados.

Eu gostaria que a partir destas leituras sobre o portunhol, você pudesse ver o contato das línguas desde muitas perspectivas e que cada vez mais, nessa nossa integração, misturemos as linguagens da fronteira trinacional.

Espaço Institucional.

Jorgelina Tallei

É Doutora em Educação (FaE) pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Possui Licenciatura em Letras pela Universidad Nacional de Rosario (2003), Mestrado em Letras - Língua Espanhola e Literatura Espanhola e Hispano-Americana pela Universidade de São Paulo (2010) e Mestrado Profissionalizante na Área de Novas Tecnologias, pelo Instituto Universitario de Posgrado (Espanha). Atualmente é Professora de Língua Espanhola como língua adicional na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) no Ciclo Comum de Estudos. Tem interesse nas áreas de ensino de espanhol, fronteira e interculturalidade e línguas em contato.

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