Uma mulher jovem, carioca, e com uma rica bagagem profissional, Renata Portes é uma inspiração para quem deseja saber ainda mais sobre o mundo da hotelaria de luxo. Gerente do Hotel das Cataratas A Belmond Hotel, Renata compartilha sua experiência profissional, os desafios de ser uma líder feminina no setor e as tendências na hotelaria de luxo. 

100f: como você entrou na indústria hoteleira e o que a atraiu para essa carreira? 

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Renata: Iniciei minha trajetória na indústria hoteleira ainda antes de ingressar na faculdade. Quando tinha 17 anos, durante a fase do pré-vestibular, fiz um curso técnico em hotelaria. Meu primeiro contato prático ocorreu em um projeto governamental no Rio de Janeiro, no qual trabalhava na recepção de um hotel que atendia a moradores de rua. Essa experiência foi fundamental para validar a minha paixão em servir e me conectar com pessoas. 

100f: Você é natural de onde? Como foi seu início na rede Belmond? 

Renata: Nasci no interior do Rio de Janeiro e comecei minha jornada na Rede Belmond no início da faculdade, em 2005. Apenas um mês depois de iniciar o curso de hotelaria, consegui um estágio no Copacabana Palace, um hotel que sempre admirei. Tenho memórias claras das vezes em que passava em frente a ele a caminho da faculdade e pensava: ‘Um dia vou trabalhar aqui’. Nunca imaginei que, pouco tempo depois, seria admitida para estagiar na propriedade. Imaginava que esse seria um sonho distante de realizar, devido à minha falta de experiência no mercado, por ter recém-chegado à cidade vinda do interior e por ter acabado de começar o curso de hotelaria, entre outros fatores.

Quando me disseram que tinha sido recrutada foi um choque, uma festa! Em dois anos de estágio, fui efetivada, no Spa do Hotel – que era um conceito novo na época, sendo considerado o maior Spa de hotel urbano na América Latina – um projeto lindo. Durante os anos de ‘Copa’ passei por governança, o coração do hotel, Recursos humanos, Restaurante, Spa, escritório da gerência geral, Recepção, Eventos & Banquetes. Em 2016, quando ocupava o cargo de Gerente de Guest Relations & Guest Services saí do hotel para iniciar um novo desafio na hotelaria, na Ásia, onde morei por dois anos.

Renata Portes teve a experiência de trabalhar por dois anos nas como Guest Experience Manager do Hotel Four Seasons, nas Ilhas Maldivas. Ela descreve essa fase como um período de grande aprendizado, especialmente no aspecto cultural. “Tive muitos colegas de trabalho asiáticos e com isso pude vivenciar algumas características marcantes deles como a organização, o olhar para o detalhe. Esses anos passados na Ásia foram intensos e de uma riqueza cultural que levarei para sempre comigo, diz Renata. Ela também ressalta o valor do autoconhecimento durante esse tempo. “Estar longe de casa me mostrou que, quando você está conectado consigo mesmo, consegue trabalhar e viver bem, independentemente de onde esteja.” 

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100f: Quais foram os principais desafios?  

Renata: Na hotelaria, desafios não faltam, seja você um membro de uma equipe operacional ou um líder. Quando você está na operação, uma das maiores barreiras é conciliar sua vida pessoal com as exigências do trabalho, para que um não desequilibre o outro. Já como líder, a complexidade aumenta. Você tem que coordenar uma equipe diversa, com pessoas vindas de diferentes lugares, com diferentes histórias e perfis.  O dia a dia de um hotel precisa ser uma orquestra bem afinada.  E isso não é tudo: cada hotel tem suas metas a alcançar em termo de qualidade (que é uma prioridade da Belmond) e financeiros. Portanto, você é responsável não só por atingir esses objetivos, mas também por fazê-lo de uma forma ambiental e socialmente responsável. É primordial ter uma equipe engajada e alinhada a uma missão em comum, para conseguir manter um equilíbrio organizacional, conquistar essas metas, superar as expectativas, além de criar novos conceitos e experiencias. 

Como uma das líderes femininas no setor hoteleiro, que lições você acha que seu percurso pode ensinar a outras mulheres que desejam seguir uma carreira semelhante? 

Renata: Olhando para minha trajetória, percebi que os desafios, por mais duros que sejam, acabam nos fortalecendo. Por isso, acreditar em nós mesmas, no nosso potencial é crucial para o nosso desenvolvimento pessoal e profissional. É muito importante ser resiliente e ir ocupando os espaços, mesmo que as oportunidades possam demorar um pouco mais do que gostaríamos. 

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Nós mulheres temos uma força única, e quando nós reconhecemos e focamos nessa energia, conseguimos alcançar altos patamares e ocupar espaços importantes.  

Claro que não posso deixar de ressaltar que o apoio mútuo entre mulheres é fundamental nas nossas caminhadas. Criar uma rede de suporte e reconhecer os esforços umas das outras são práticas que sempre valorizei. Na minha trajetória, tanto profissional quanto pessoal, sempre tive o auxílio de grandes mulheres. Posso afirmar com certeza que, sem elas, não estaria onde estou hoje. 

Gerente do Hotel das Cataratas A Belmond Hotel, Renata Portes
Gerente do Hotel das Cataratas A Belmond Hotel, Renata Portes.

100f: Como você faz para conciliar a sua vida pessoal com o trabalho? O que você faz para manter tudo em ordem?  

Renata: O segredo é ter uma organização eficaz e uma equipe engajada. A ideia de que alguém pode liderar sozinho é um mito. Acredito que só alcançamos nossos objetivos quando temos um grupo comprometido. A comunicação também é crucial. Quando todos na equipe estão em sintonia, o trabalho não só se divide de forma justa, como também flui melhor. Isso faz toda a diferença na hora de equilibrar a vida profissional e pessoal. 

100f: Quais são os principais diferenciais da hotelaria de luxo? Como você avalia a hotelaria de luxo do Brasil? 

Renata: O mercado de luxo no Brasil vem passando por transformações significativas, especialmente em relação à sustentabilidade. Se olharmos para uma década atrás, o conceito de luxo era muito mais voltado para a opulência. Hoje, esse cenário mudou. A diversidade e a sustentabilidade se tornaram elementos importantes e arrisco dizer que num futuro próxima será tema central na decisão pela hospedagem / pelo destino. Acredito que a pandemia de covid-19 também ajudou a redefinir o que consideramos luxo, conectando mais a palavra à exclusividade, a uma beleza impecável, porém sutil, à conexão com a natureza. 

100f: Qual a sua parte preferida de trabalhar como gerente do hotel?  

Renata: Hoje, como gerente-geral, tenho a oportunidade de colocar em prática sonhos e ideias que eu fui juntando com os anos trabalhados nos diversos setores dos hotéis. Com anos de experiência no mercado, é realmente gratificante estar numa posição em que posso implementar minha visão e viabilizar as ideias mais criativas que surgem em reuniões com essa equipe inspiradora que o Hotel das Cataratas possui. Isso permite fazer uma diferença significativa, tanto na experiência do cliente quanto na vida dos colaboradores. 

100f: O que torna o Hotel das Cataratas tão especial?

Renata: Acredito que o grande diferencial do nosso hotel está no cuidado e carinho que colocamos em tudo que fazemos, na maneira autêntica e genuína como recebemos os hóspedes. No mercado de luxo, a tecnologia está sempre avançando, mas o elemento humano, a atenção aos detalhes e o calor de um sorriso genuíno são insubstituíveis. Essa é, sem dúvida, a nossa maior força. Além disso, ser o único hotel dentro do Parque Nacional faz toda a diferença. A conexão com a natureza e a energia emanada pelas Cataratas do Iguaçu criam uma experiência inesquecível e de conexão consigo mesmo. Costumo dizer que todos nós saímos do Parque Nacional energicamente melhores. 

Hotel das Cataratas, A Belmond Hotel
Hotel das Cataratas, A Belmond Hotel. Foto: Divulgação.

100f: O que o futuro reserva para o Hotel das Cataratas e para a indústria hoteleira de Foz do Iguaçu?   

Renata: Estou em Foz há apenas seis meses, mas já posso ver o desenvolvimento acelerado da cidade, seja na construção de novos hotéis ou nos investimentos em infraestrutura. É nítido que estamos em um lugar com grande potencial turístico. Foz do Iguaçu está ganhando cada vez mais atenção nacional e internacionalmente. As pessoas querem conhecer a cidade rica em cultura, extremamente influenciada pela proximidade com dois diferentes países, o que torna o destino ainda mais especial. 

Claro, as Cataratas são um grande atrativo, mas sinto que Foz nunca foi tão comentada como agora. Como carioca, digo para a minha equipe que estamos “surfando uma onda” muito positiva. Estamos em um momento crucial para o desenvolvimento da cidade e do setor hoteleiro. 

100f: Como foi a sua adaptação em Foz do Iguaçu?  

Renata: Já tinha visitado Foz três vezes antes de me mudar para trabalhar aqui e o acolhimento não poderia ter sido mais caloroso. Desde o primeiro momento, me senti muito bem recebida, tanto pela equipe com a qual trabalho quanto pelas pessoas da cidade. O que torna Foz particularmente interessante é sua diversidade; aqui você encontra pessoas de todo o Brasil e até da América Latina.  A experiência de viver em uma cidade de fronteira tem sido realmente enriquecedora. Frequentemente visito o Paraguai e a Argentina, o que estimula minha curiosidade em conhecer mais sobre as culturas, músicas e gastronomia desses países vizinhos. Apesar de estar longe de amigos e família, me sinto extremamente confortável aqui. Posso afirmar com alegria que Foz do Iguaçu já é o meu lar.

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