O que parecia ser uma iniciativa cotidiana e que está na essência da UNILA, que é trabalhar a interculturalidade e o bilinguismo, ultrapassou os muros da Universidade e virou referência nacional a partir do projeto de extensão Pedagogia de Fronteira, que vem sendo desenvolvido desde 2016 por uma equipe de professores de línguas e de estudantes bolsistas e voluntários, todos da UNILA.

O resultado da iniciativa foi que a Escola Municipal Professor Pedro Viriato Parigot de Souza foi a vencedora do Prêmio Cruzando fronteiras, realizado pela Organização dos Estados Iberoamericanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI).

A partir das experiências desenvolvidas no projeto de extensão, a Escola Parigot de Souza inscreveu-se para o prêmio organizado pela OEI e, nesta semana, a iniciativa foi contemplada na categoria A, referente a Projeto Nacional Intercultural e Bilíngue.

A escola pública de Foz do Iguaçu, que funciona em regime integral, participou desta seleção ao relatar experiências do ensino de língua espanhola para alunos do 1º ao 3º anos do Ensino Fundamental 1.

A coordenadora do projeto de extensão da UNILA, Jorgelina Tallei, lembra que o objetivo do trabalho é pensar em uma educação para a Fronteira, incluindo a formação docente, voltada para atenção e acolhimento aos alunos imigrantes.

A equipe de professores e bolsistas da UNILA participou ativamente das atividades, sempre de quartas às sextas, no período da manhã, momento em que desenvolvem atividades com alunos da escola municipal e também com docentes, para estimular práticas de ensino bilíngue.

“Desde 2017, iniciamos o trabalho de formação docente para preparar a escola para a implementação das línguas espanhol e inglês em projetos-pilotos no município e, neste ano, a Secretaria Municipal de Educação decidiu implementar o espanhol na rede. Fizemos a inscrição para o prêmio e a experiência da Escola Parigot foi reconhecida em nível nacional”, conta Jorgelina.

A inscrição para a premiação foi realizada pela própria escola e a UNILA apoiou na produção do relato de experiência sobre como a escola participa nesse conceito de se pensar o bilinguismo e a questão da interculturalidade em seu cotidiano.

Na próxima semana, a equipe formada pelo diretor, além da coordenadora pedagógica e mais quatro professores da escola e também a Jorgelina, vai participar da cerimônia de entrega do prêmio e, também, do Seminário híbrido sobre Interculturalidade e Bilinguismo, em Brasília, que será transmitido pelo Youtube. Mais informações sobre o prêmio estão na página Cruzando Fronteiras (www.cruzandofronteiras.org.br).

Experiência bilíngue e intercultural

A coordenadora pedagógica da Parigot de Souza, Viviane Marques, diz que o principal destaque que fez a escola merecer o prêmio foi a metodologia interdisciplinar e intercultural utilizada no processo, com apoio fundamental da UNILA, de forma a aproximar as crianças que falam o espanhol das demais, de nacionalidade brasileira.

“Os principais destaques são a valorização da cultura que as crianças trazem de seus países de origem e o acolhimento que recebem, fazendo elas se sentirem parte dessa nova cultura. Além disso, é importante valorizar o respeito pela língua materna de cada criança e a ludicidade presente nas aulas, pois as crianças aprendem brincando, e de maneira prazerosa”, conta Viviane.

Como consequência da nova experiência, a coordenadora pedagógica afirma que as crianças tendem a valorizar muito mais a herança cultural do outro, pois passam a interagir e conhecer essas diferenças. “Também descobrem as coisas que elas têm em comum dentro de suas culturas, entendem melhor a comunicação dos colegas, já que agora eles estão aprendendo a língua desse amiguinho”.

Percepção parecida, segundo Viviane, é verificada em contato com os pais das crianças, que repassam que ficam muito felizes com seus filhos contando em casa que estão falando a língua materna deles e que não precisam mais se obrigar a aprender somente o português e, quase de uma forma agressiva, deixar de falar o espanhol.

“Eles contam que era muito difícil essa mudança, porque, muitas vezes, deixavam familiares, amigos e toda sua história para trás e, ainda, sofriam com essa imposição. Essa nova metodologia que a UNILA está apresentando, propondo uma educação bilíngue, que respeite sua raiz, suas tradições e que valorize sua herança cultural, faz com que esses pais se sintam acolhidos também – e isso eles fazem questão de nos contar”, destaca.

Para ela, a equipe da UNILA está totalmente entrosada com a equipe da escola. “Na verdade somos uma equipe só, que trabalha e sofre com as dificuldades e desafios que a escola pública e periférica apresenta”, e reforça que todos os professores da UNILA são chamados de professores da Escola Parigot de Souza, sem o quais o projeto não aconteceria da forma que está sendo desenvolvido e recebendo este reconhecimento em nível nacional.



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