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Quando se fala em Tríplice Fronteira vem à mente a formação das cidades de Foz do Iguaçu (BR), Puerto Iguazú (AR) e Ciudad del Este (PY). Mas talvez o que poucos saibam é que antigamente, antes da construção da Ponte Internacional da Amizade ligando o Brasil ao Paraguai, a Tríplice Fronteira era formada pelas cidades de Foz do Iguaçu (BR), Puerto Aguirre (AR) e Presidente Franco (PY), e a passagem era feita pelos rios Paraná e Iguaçu.

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De acordo com o historiador Micael Alvino da Silva, a história dos limites que levaram à conformação da Tríplice Fronteira remete ao Tratado de Madri, ainda durante o período colonial (1750). Após os processos de independência, no início do século 19, as preocupações iniciais dos novos Estados foram outras e as indefinições fronteiriças se arrastaram para o século 20. O historiador destaca que Brasil e Paraguai reconheceram formalmente seus limites com o Tratado Loizaga-Cotegipe, em 1872, revisto em 1927. Já Brasil e Argentina formalizaram o entendimento sobre as fronteiras com o Tratado de Limites de 1898, enquanto Argentina e Paraguai assinaram, em 1878, um tratado de limites, de modo que formalmente a região da Tríplice Fronteira encontrava-se delimitada já no final do século 19.

Quando a Ponte da Amizade foi inaugurada, em 1965, as pequenas cidades paraguaias deram uma freada em seu desenvolvimento e com isso Ciudad del Este, até então inexistente, cresceu consideravelmente, passando a ser a nova ligação terrestre entre Brasil e Paraguai. “Até 1965, Presidente Franco era um porto em que se trabalhava muito com a madeira que era exportada para o Brasil e Argentina. Com a construção da Ponte Internacional da Amizade, cidades pequenas como Hernandarias, Minga Guazú e Presidente Franco deram uma freada, pois a economia foi toda para Ciudad del Este por causa da ponte”, informa o jornalista Luis Cataldi Viedma, especialista em turismo e morador de Presidente Franco. 

Obra da segunda ponte
Obra da Segunda Ponte. (Foto: Alan Santos/PR)

Impacto e resgate histórico da Tríplice Fronteira

Com o sucesso da Ponte da Amizade e com o grande fluxo de caminhões passando pelo centro de Foz do Iguaçu, viu-se a possiblidade e necessidade de construir uma segunda ponte, desta vez com a cidade de Presidente Franco, algo que retoma à origem de parte da Tríplice Fronteira.

“Agora com essa segunda ponte não beneficiará só uma região, como foi com a Ponte da Amizade, e sim todo o país por conta da exportação do agronegócio. No entanto, vejo que a cidade de Presidente Franco em si não será muito beneficiada com a construção da ponte, não terá esse impacto econômico que teve em CDE. No entanto, essa ponte unirá Franco e Encarnación, a parte sul do Paraguai, e Encarnación se unirá com todo o norte do Paraguai. De modo geral a ponte será uma ligação para a passagem de caminhões, que ajudará de forma macro o Paraguai, e não micro, e os grandes beneficiários serão os portos”, ressalta Luis Cataldi Viedma.

General Silva e Luna e a importância da Segunda Ponte para a Tríplice Fronteira

Contextualizar a origem da Tríplice Fronteira é necessário para evidenciar a importância da construção da segunda ponte, que por quase 30 anos foi o grande sonho dos iguaçuenses. Cercada de projetos e promessas, as obras da segunda ponte iniciaram 2019, por mérito da gestão do presidente Jair Bolsonaro, que desde que assumiu a presidência do Brasil nomeou novos gestores para a Itaipu Binacional. Na pessoa do general Joaquim Silva e Luna, uma figura marcante que passou pelo cargo de diretor-geral da hidrelétrica, Foz do Iguaçu viu diversas obras saírem do papel.  

General Joaquim Silva e Luna
General Joaquim Silva e Luna. (Foto: Alexandre Marchetti)

Aqui em Foz, nos pouco mais de dois anos em que esteve no comando da Itaipu, o general Silva e Luna, que nos deixou para assumir a presidência da Petrobras, reformulou toda a estrutura operacional da usina e conseguiu tirar do papel a tão sonhada segunda ponte, além de outros projetos antigos.

Obra da segunda ponte
Detalhe da obra da Segunda Ponte. (Foto: Rubens Fraulini)

Linha do tempo antes de Silva e Luna e depois de Silva e Luna

  • 1992-2019 | Depois de quase 30 anos de promessas da construção da segunda ponte entre Brasil e Paraguai, a assinatura da ordem de serviço foi feita pela Itaipu e Governo do Paraná em 1º de agosto de 2019, e o início das obras ocorreu em 7 de agosto do mesmo ano.Com previsão de três anos para ser concluída, a estrutura terá um investimento total de R$ 463 milhões, sendo R$ 323 milhões para a edificação da ponte e R$ 140 milhões para a abertura da Perimetral Leste, uma via de acesso direto entre a Avenida das Cataratas e a BR-277, também um sonho dos iguaçuenses. A construção será paga com recursos de Itaipu e gerenciada pelo Governo do Estado.
  • 1985-2020 | Após 35 anos de promessas da duplicação da BR-469, Rodovia das Cataratas, finalmente a obra foi assinada no dia 27 de agosto de 2020. Na ocasião, o presidente da República, Jair Bolsonaro, lançou a pedra fundamental, ao lado do general Silva e Luna e demais autoridades, para a duplicação do segundo trecho da rodovia, que compreende o trevo de acesso à Argentina até a entrada do Parque Nacional do Iguaçu em 8,7 quilômetros e que deverá ser entregue em 2024. O valor total do investimento será de R$ 139,4 milhões, sendo R$ 136,3 milhões bancados pela Itaipu. A licitação e a gestão da obra ficarão sob a responsabilidade do Governo do Estado do Paraná.
  • 2020-2021 | Neste ano foi finalizada a ampliação da pista de pouso e decolagem do Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu. As obras iniciaram no dia 28 de fevereiro de 2020, com a Itaipu estando à frente com os recursos juntamente com a Infraero. A inauguração ocorreu em 7 de abril, mesmo dia em que o general Silva e Luna passou o comando da Itaipu para o general João Francisco Ferreira.
  • As melhorias no aeroporto foram além da ampliação da pista de pouso e decolagem, que de 2,1 mil metros agora tem 2,8 mil metros, 605 metros a mais. Incluíram a construção de ciclovia e a duplicação da via de acesso, entre a BR-469 (Rodovia das Cataratas) e o terminal, e a ampliação do pátio de manobras das aeronaves. Ambas também avançaram rapidamente e já estão praticamente prontas, faltando apenas o acabamento e a homologação junto à Infraero. As obras têm o custo de R$ 69,4 milhões, dos quais 80% são de recursos da Itaipu e o restante é da Infraero.
  • 2018-2021 | As obras do Mercado Municipal de Foz começaram em 2018, em um antigo galpão da extinta Cobal. O mercado terá 3.750 metros quadrados e 70 boxes moduláveis, que devem receber diferentes tipos de comércio, como hortifrutigranjeiros, açougue, peixaria, laticínios e frios, empório, bebidas, mercearia, quiosques e restaurante. A expectativa é que o empreendimento atraia moradores de Foz do Iguaçu e visitantes. O investimento é de R$ 14,5 milhões, com projeto do Parque Tecnológico Itaipu (PTI) e recursos da Itaipu Binacional.
  • Um novo circuito turístico está sendo desenvolvido pela Itaipu, ligando o novo mercado à usina, passando por pontos históricos que remetem à época da construção da usina. A gestão dos passeios será feita também pelo PTI, responsável pelo Complexo Turístico Itaipu (CTI).
  • 2018-2021 | Além disso, em sua gestão, o general Silva e Luna cortou custos e gastos para preparar a margem brasileira para 2023, quando a usina estará sem dívidas e poderá praticar tarifas sem esse ônus. Entre as principais ações da sua gestão estão a centralização de toda a empresa em Foz do Iguaçu; fim dos convênios e patrocínios que não tinham aderência à missão de Itaipu; unificação das estruturas replicadas; encurtamento e informatização dos processos decisórios; redução dos custos operacionais; envolvimento de todos os níveis de direção com a governança; e importantes obras estruturantes como as citadas acima.

“É com o sentimento de dever cumprido e com um certo aperto no coração que me despeço de Foz do Iguaçu, cidade que tão bem me acolheu nesses pouco mais de dois anos de trabalho na Diretoria Geral Brasileira de Itaipu. O carinho que recebi da nossa gente procurei retribuir com muito trabalho e dedicação, na tentativa de tornar a Itaipu ainda mais decisiva e presente na vida de todos os iguaçuenses e turistas. Saio com a convicção de que as sementes plantadas vão continuar germinando e rendendo bons frutos sob a condução do general João Francisco Ferreira, meu grande amigo. Agradeço a Foz do Iguaçu por todo apoio e manifestações de carinho. Foz já faz parte da minha vida e espero voltar para a cidade muitas vezes ainda, para rever os amigos que deixei, obras estruturantes iniciadas e voltar a contemplar as belezas que a tornaram um dos destinos mais bonitos do planeta.”

agradecimento feito pelo general joaquim silva e luna.
General Joaquim Silva e Luna
(Foto: Alexandre Marchetti)

“Já conhecia o general Silva Luna dos tempos dele como secretário no Ministério da Defesa e posteriormente como ministro. Sempre foi desse jeito, inteligente, excelente gestor, conciliador e sobretudo amigo. Foi uma honra e privilégio trabalhar sob sua coordenação na Itaipu Binacional. Desejo a ele todo sucesso e sorte do mundo, no novo e honroso cargo de presidente da Petrobras. Competência e perfil para isso, tem de sobra. Muito mais que um chefe, o considero um amigo.” – Almirante Paulo Roberto, diretor administrativo de Itaipu – margem esquerda (lado brasileiro)

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Almirante Paulo Roberto
Almirante Paulo Roberto.

“General Silva e Luna, em nome do Parque Tecnológico Itaipu – Brasil agradeço pelo seu exemplo de probidade, honestidade, lealdade, moralidade, entre outras virtudes. Tudo aquilo que aprendemos desde as mais tenras idades em nossas escolas militares foi reafirmado pelo senhor não só durante a sua carreira militar, mas aqui em Itaipu, o que permitiu fazer muito pela Região Oeste, pelo estado do Paraná e pelo Brasil. As orientações recebidas foram importantes para que, alinhadas com elas, pudéssemos imprimir novos direcionamentos ao Parque Tecnológico Itaipu – Brasil. Iremos buscar a sustentabilidade. Seu sucesso é o resultado do trabalho diário com dedicação total, vivendo cada segundo da missão e sempre focado em fazer o melhor para todos, realizando grandes sacrifícios para bem cumprir a missão de servir ao Brasil. Sucesso, também, é o que a família PTI-BR lhe deseja na nova missão. Sua sensibilidade, que só aqueles que vieram das famílias mais humildes, que enfrentaram desafios no dia a dia, que conviveram nos mais distantes rincões deste país conseguem ter, será um facilitador nesse novo desafio. Nosso país ganha ao ter alguém com o seu perfil à frente de nossa maior empresa. Felicidades na nova missão!” – General Eduardo Garrido, diretor-superintendente do PTI

General Eduardo Garrido
General Eduardo Garrido.
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