O Parque das Aves, localizado em Foz do Iguaçu, alcançou um marco histórico para a conservação da biodiversidade ao registrar o nascimento do primeiro filhote de uru-nordestino (Odontophorus capueira plumbeicollis) sob cuidados humanos no mundo. A ave, que pesou 12 gramas e mediu 4,5 centímetros ao nascer, é uma espécie criticamente ameaçada de extinção, endêmica da Mata Atlântica do Nordeste do Brasil. O feito é resultado de um projeto meticuloso desenvolvido em parceria com a Associação de Pesquisa e Preservação de Ecossistemas Aquáticos (Aquasis), o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (CEMAVE) e outras instituições dedicadas à preservação de espécies em risco.

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O uru-nordestino, uma das aves mais raras do Brasil, vem enfrentando um declínio populacional acelerado devido a ameaças como caça, desmatamento e a ação de predadores nativos e invasores. Sem intervenções humanas, a espécie estava fadada ao desaparecimento. O nascimento deste filhote, portanto, representa um passo crucial para reverter esse cenário.

“Este filhote é mais do que especial. Ele simboliza a importância do trabalho árduo e das parcerias entre governo, instituições e especialistas para salvar espécies ameaçadas. É uma prova de que, com dedicação e colaboração, podemos mudar o destino de animais em risco”, afirmou Paloma Bosso, diretora técnica do Parque das Aves.

Um marco para a conservação

A jornada para o nascimento do filhote começou em 2020, com um workshop que definiu as primeiras ações de conservação para a espécie. Em 2022, os pais do filhote chegaram ao Parque das Aves, e em 2024, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) iniciou o processo de criação de um Programa de Manejo Populacional para o uru-nordestino. O nascimento do filhote é um resultado direto desses esforços.

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“A notícia desse nascimento chegou em um momento crucial. Após meses sem registros da espécie na Serra de Baturité, a descoberta do filhote renovou nossas esperanças. Capturar indivíduos de uma população tão reduzida foi uma decisão difícil, mas os resultados mostram que valeu a pena. Este é apenas o primeiro passo para salvar o uru-nordestino da extinção”, comentou Fabio Nunes, gerente de programa da Aquasis.

Um ovo cheio de esperança

Desde a chegada dos pais ao Parque das Aves em 2022, a equipe técnica observou cópulas e construções de ninhos em várias ocasiões. No entanto, foi apenas na primeira quinzena de dezembro de 2024 que um ovo foi descoberto. Após dois dias de monitoramento, a equipe decidiu transferir o ovo para uma incubadora na Sala de Neonatologia, aumentando as chances de sucesso e permitindo o acompanhamento detalhado do desenvolvimento do embrião.

“A transferência do ovo foi uma decisão estratégica, que nos permitiu criar um protocolo pioneiro para o manejo de filhotes dessa espécie tão ameaçada”, explicou Bianca Fernandes, supervisora de manejo de neonatos do Parque das Aves.

Após 26 dias de incubação, o filhote começou a romper a casca, mas enfrentou dificuldades, exigindo uma intervenção assistida pela equipe. O processo, que durou cerca de 30 horas, foi acompanhado de perto por Paloma Bosso. “Foi uma experiência emocionante e tensa. Ver aquele pequeno ser, tão vulnerável e cheio de significado, foi um dos momentos mais marcantes da minha vida”, compartilhou Paloma.

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Futuro promissor

O filhote, que nasceu na primeira quinzena de janeiro, está sob cuidados da equipe de neonatologia e já demonstra sinais de independência. Ele recebe banhos de sol e está em processo de adaptação para, no futuro, ser transferido para um recinto com outros indivíduos da espécie.

O nascimento é parte de um esforço maior para estabelecer uma população de segurança do uru-nordestino, essencial para garantir sua sobrevivência diante das ameaças em seu habitat natural. “Esse filhote é a consolidação de um planejamento de longo prazo que visa criar uma população saudável e segura, permitindo futuras reintroduções em áreas protegidas”, explicou Paloma.

Colaboração e esperança

O sucesso do projeto é resultado da colaboração entre diversas instituições e especialistas. Em 2020, uma oficina realizada no Parque das Aves reuniu 25 especialistas em conservação, que identificaram a necessidade de criar uma população de segurança para o uru-nordestino. Em 2022, cinco indivíduos foram enviados ao Parque, marcando o início de um trabalho conjunto com a Aquasis.

“Salvar espécies é um esforço coletivo. Zoológicos, ONGs, universidades e agências governamentais precisam trabalhar juntos para garantir a conservação efetiva de espécies ameaçadas”, destacou Eduardo Barbosa, coordenador do Plano de Ação Nacional para Conservação das Aves da Mata Atlântica.

O nascimento do filhote de uru-nordestino no Parque das Aves não só celebra uma vitória para a conservação, mas também reacende a esperança de que, com esforços contínuos e colaboração, é possível reverter o destino de espécies à beira da extinção. Este marco reforça o papel crucial do Parque das Aves na preservação da biodiversidade brasileira e inspira novas ações para proteger nossa fauna ameaçada.

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