O Sistema Único de Saúde (SUS) vai iniciar, a partir de 9 de fevereiro, a vacinação contra a dengue de profissionais que atuam na atenção primária em todo o país. O anúncio foi feito neste domingo (18) pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante agenda em Botucatu (SP).

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Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 1,1 milhão de profissionais poderão ser imunizados com a vacina Butantan-DV, desenvolvida pelo Instituto Butantan. O imunizante é o primeiro do mundo contra a dengue aplicado em dose única e conta com tecnologia 100% nacional.

“São aqueles profissionais que atuam nas unidades básicas de saúde, que visitam as famílias, são os primeiros profissionais a receber quem tem sinal e sintoma de dengue”, afirmou o ministro.

De acordo com Padilha, a vacinação contempla médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, agentes comunitários de saúde e equipes multiprofissionais cadastradas nas unidades básicas.

“Os primeiros cuidados são feitos pelos médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, agentes comunitários de saúde, profissionais e equipes multifuncionais que estão cadastrados nas unidades básicas de saúde”, completou.

Vacina de dose única e proteção ampliada

A imunização dos profissionais será viabilizada com a entrega de 1,1 milhão de novas doses da Butantan-DV, previstas para até 31 de janeiro. O ministro explicou que a estratégia prioriza quem atua diretamente na linha de frente do SUS.

Estudos clínicos apontam que a vacina oferece proteção contra os quatro sorotipos do vírus da dengue, com eficácia global de 74%, redução de 91% nos casos graves e 100% de proteção contra hospitalizações causadas pela doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti.

Ampliação da produção e vacinação nacional

O governo federal planeja expandir gradualmente a vacinação em dose única para a população de 15 a 59 anos, conforme a disponibilidade de novas doses. Para acelerar a produção em larga escala, o Instituto Butantan firmou uma parceria de transferência de tecnologia com a empresa chinesa WuXi Vaccines.

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Com o acordo, a expectativa do Ministério da Saúde é ampliar a capacidade produtiva em até 30 vezes.

“Nossa expectativa é de termos, neste ano ainda, em torno de 25 a 30 milhões de doses [da vacina Butantan-DV]”, estimou Alexandre Padilha.

O ministro afirmou que, à medida que as doses forem chegando, a vacinação será ampliada progressivamente, começando pelo público mais velho e avançando até os mais jovens.

“Na medida que a gente começa a ter uma grande produção, isso vai entrar no calendário oficial [de vacinação] de forma permanente”, projetou.

Técnicos do Ministério da Saúde devem viajar à China em março para acompanhar o processo de produção do imunizante. O Instituto Butantan também já recebeu autorização da Anvisa para avaliar a vacina em pessoas com mais de 60 anos e iniciou o recrutamento de voluntários.

“Nós estamos otimistas que também seja uma vacina segura para quem tem mais de 60 anos de idade”, disse o ministro.

Projeto piloto em três cidades

As declarações foram dadas durante o início da campanha de vacinação em massa em Botucatu (SP), voltada à população de 15 a 59 anos. A iniciativa piloto ocorre também em Maranguape (CE) e Nova Lima (MG) e tem como objetivo avaliar o impacto da imunização com a Butantan-DV.

“Não tenho dúvida nenhuma que essa vacina 100% do Butantan pode ser uma grande arma internacional para combater a dengue em outros países no mundo”, afirmou Padilha.

QDenga é ampliada para todo país

Além da Butantan-DV, o SUS oferece gratuitamente a vacina QDenga, de origem japonesa, para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, com esquema de duas doses.

O ministro anunciou a ampliação da vacinação com a QDenga para todos os municípios brasileiros, após a compra de 18 milhões de doses junto à farmacêutica Takeda — sendo 9 milhões para 2026 e 9 milhões para 2027.

“O que permite que a gente possa distribuí-la em todos os municípios brasileiros”, destacou.

Inicialmente disponibilizada em 2024 para cerca de 2,1 mil municípios prioritários, a QDenga passa agora a ser aplicada nas unidades básicas de saúde dos mais de 5,5 mil municípios do país. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 10 milhões de doses já foram distribuídas e aplicadas em 2024 e 2025.

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