O uso intensivo das redes sociais tem contribuído para o agravamento de problemas de saúde mental entre adolescentes, especialmente meninas. O alerta foi divulgado nesta terça-feira (13) pela Agência Nacional de Segurança Sanitária da França (ANSES), em meio ao debate no país sobre a possibilidade de restringir o acesso às plataformas digitais a menores de 15 anos.

Publicidade

O posicionamento da agência é resultado de um estudo desenvolvido ao longo de cinco anos por um comitê de especialistas, que analisou cerca de mil pesquisas científicas. Segundo o relatório, embora as redes sociais não sejam a única causa do aumento de transtornos psicológicos entre jovens, seus efeitos negativos estão amplamente documentados e merecem atenção das autoridades públicas.

Entre as principais recomendações, a ANSES defende a necessidade de atuar “na raiz” do problema, condicionando o acesso de crianças e adolescentes apenas a plataformas desenhadas para proteger a saúde mental desse público. Para isso, seria necessário rever algoritmos, técnicas de engajamento, mecanismos de persuasão e configurações automáticas utilizadas pelas empresas de tecnologia.

“Este estudo traz argumentos científicos ao debate sobre as redes sociais nos últimos anos: baseia-se em mil estudos e documentam os efeitos na saúde”, afirmou Olivia Roth-Delgado, responsável pelo painel de especialistas, durante coletiva de imprensa.

Publicidade

De acordo com o relatório, metade dos jovens franceses entre 12 e 17 anos passa de duas a cinco horas por dia conectada às redes sociais por meio do smartphone. Esse ambiente digital funciona como uma “caixa de ressonância”, ampliando estereótipos, estimulando comportamentos de risco e favorecendo práticas como o cyberbullying.

A agência também chama atenção para a exposição constante a imagens alteradas digitalmente, que reforçam padrões irreais de beleza e afetam principalmente as meninas. Esse tipo de conteúdo está associado a quadros de baixa autoestima, depressão e transtornos alimentares. O estudo aponta ainda que adolescentes do sexo feminino, pessoas LGBTQIA+ e jovens que já enfrentam problemas de saúde mental estão entre os grupos mais vulneráveis aos efeitos das redes.

O debate francês ocorre em um contexto internacional. Após a Austrália estabelecer, em dezembro, a proibição do uso de redes sociais por menores de 16 anos, outros países passaram a discutir medidas semelhantes. Na França, duas propostas de lei que preveem a restrição do acesso a menores de 15 anos estão atualmente em tramitação na Assembleia Nacional.

Anúncio Publicitário.
Anúncio Publicitário.
Anúncio Publicitário.

Deixe um comentário

Deixe a sua opinião