Quinze mutuns-de-penacho (Crax fasciolata), nascidos e criados no Refúgio Biológico Bela Vista (RBV) da Itaipu Binacional, em Foz do Iguaçu (PR), foram soltos no Gran Parque Iberá, uma extensa reserva florestal de 750 mil hectares na província de Corrientes, Argentina. As aves foram doadas em março deste ano à Fundação Rewilding Argentina, que gerencia o parque. Essa soltura representa a conclusão de um ciclo que abrange a reprodução, o cuidado e a reintrodução de espécies ameaçadas.

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Por meio dessa parceria, a Itaipu fornece aves nascidas no seu Programa de Reprodução de Espécies, enquanto se beneficia da vasta experiência de 20 anos da Rewilding Argentina na reintrodução de espécies na natureza. O objetivo é que, em um futuro próximo, a soltura de animais também ocorra em áreas no Brasil. Em 2019, o RBV já havia doado exemplares ao Rewilding, totalizando 29 mutuns-de-penacho, além de três antas (Tapirus terrestris) e três jaguatiricas (Leopardus pardalis).

“Estamos contribuindo para a conservação da espécie. É fundamental lembrar que a fauna não conhece fronteiras. Ao colaborar em uma área da Argentina, estamos ajudando igualmente uma espécie brasileira”, afirmou o médico-veterinário Pedro Telles, da Divisão de Áreas Protegidas da Itaipu, que acompanhou a transferência dos animais.

Historicamente, os mutuns eram abundantes na Argentina até as décadas de 30 e 40, mas a caça e a expansão da agropecuária levaram à extinção da espécie na região de Iberá. Com o esforço da Rewilding, diversas espécies, como cateto, veado-campeiro, tamanduá, onça-pintada e mutuns-de-penacho, estão sendo reintroduzidas na área.

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“A Rewilding possui a estrutura e o planejamento necessários para essas reintroduções. Nós estávamos reproduzindo esses animais e aguardando uma oportunidade de devolvê-los à natureza. A união de nossa experiência em reprodução com a deles em reintrodução surgiu como uma excelente oportunidade”, acrescentou Telles.

Nos últimos 20 anos, a Fundação Rewilding reintroduziu mais de 20 espécies, incluindo onças-pintadas, veados-campeiros, ariranhas e mutuns-de-penacho. O Gran Parque Iberá, com suas paisagens úmidas, como pântanos, lagos e cursos d’água, é a segunda maior área do gênero no mundo, superada apenas pelo Pantanal.

Processo de Reintrodução

Desde a eclosão de um ovo até a soltura do adulto na natureza, um extenso trabalho técnico e burocrático é necessário. Para enviar as aves à Argentina, foram seguidos os regulamentos da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies Ameaçadas de Extinção (CITES), com o Ibama atuando como ponto focal no Brasil.

Após o trâmite burocrático, os mutuns passaram por exames para detectar influenza, chlamydiose e doença de Newcastle (DNC). Eles foram vermifugados e tratados contra parasitas. Antes da viagem, as aves cumpriram uma quarentena de 30 dias no RBV, seguida por mais uma quarentena no Iberá para garantir que estivessem saudáveis antes da soltura.

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Depois desse período, as aves foram colocadas em um recinto de 200 m² com 20 metros de altura, onde puderam se aclimatar à nova região. Equipadas com coleiras de monitoramento, foram transportadas em caixas de madeira até seu novo lar, onde finalmente puderam explorar a natureza livremente.

Fonte: Assessoria Itaipu

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