Com um crescimento preocupante nos índices de suicídio, o Brasil ocupa hoje a 8ª posição no ranking mundial, com mais de 16 mil mortes registradas em 2024. No Paraná, foram 912 casos — um aumento de 12,6% em relação ao ano anterior, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
Os dados reforçam a importância do Setembro Amarelo, campanha que marca sua décima edição com o lema “Agir salva vidas”. O movimento tem foco especial nos impactos da cultura do ódio nas redes sociais e no fortalecimento dos vínculos comunitários, sobretudo entre jovens e adolescentes.
A realidade é ainda mais dura entre os profissionais da segurança pública. Em 2023, o suicídio foi a principal causa de morte entre policiais da ativa no país, superando as mortes em confrontos. A taxa é quase oito vezes maior do que na população geral.
A Organização Mundial da Saúde também aponta o suicídio como a quarta principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos, atrás apenas de acidentes de trânsito, tuberculose e violência interpessoal. Transtornos como depressão e ansiedade, que afetam mais de 1 bilhão de pessoas no mundo, estão entre os principais fatores de risco.
Mobilização no Legislativo
No Paraná, iniciativas legislativas reforçam a atenção ao tema. A Lei nº 20.229/2020 instituiu a Semana de Valorização da Vida e de Prevenção da Automutilação e do Suicídio, com ações como palestras, debates e campanhas educativas em setembro.
“Setembro é o mês em que reforçamos o valor da vida e a importância do cuidado com a saúde mental. A campanha do Setembro Amarelo nos lembra que falar sobre dor e sofrimento não é fraqueza, mas um passo fundamental para a prevenção”, destacou a deputada Mabel Canto.
Na Assembleia Legislativa do Paraná, o Seminário sobre Saúde Mental, de 15 a 19 de setembro, será um dos destaques da programação. O evento é promovido pela deputada Ana Júlia, que alertou para os impactos do adoecimento mental entre servidores públicos. “Quase um quarto da categoria foi afastada por questões psicológicas em 2024, e sabemos que o número pode ser ainda maior. Vivemos um colapso”, afirmou.
A deputada Márcia Huçulak também propôs uma audiência pública para debater os efeitos da nova Norma Regulamentadora nº 1 (NR1), que passou a reconhecer os riscos psicossociais no ambiente de trabalho.
A importância de ouvir
Criada em 2015, a campanha Setembro Amarelo é uma das maiores mobilizações pela prevenção do suicídio na América Latina. O CVV, por meio do número 188, oferece atendimento gratuito e sigiloso, 24 horas por dia.
“O Disque 188 – CVV está disponível, de forma gratuita e sigilosa, para quem precisa conversar. Ouvir, apoiar e acolher pode salvar vidas. A vida sempre vale a pena ser vivida”, completou a deputada Mabel Canto.



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