Deputados estaduais, representantes do setor produtivo paranaense e autoridades públicas se reuniram na segunda-feira (29) para discutir os impactos provocados pela ausência de negociação entre o Brasil e os Estados Unidos, após o governo norte-americano aplicar tarifas de até 50% a produtos brasileiros — medida que está em vigor desde o início de agosto.
A audiência pública ocorreu às 11h, no Plenarinho da Assembleia Legislativa do Paraná, e foi organizada pelo presidente da Casa, deputado Alexandre Curi (PSD), em conjunto com o deputado Hussein Bakri (PSD), líder do governo na Alep, e outros parlamentares à frente de comissões voltadas a setores econômicos estratégicos: Artagão Júnior (PSD), Luiz Fernando Guerra (União) e Fábio Oliveira (Podemos).
O encontro abordou não apenas as consequências sociais e econômicas das novas tarifas, mas também buscou construir alternativas para mitigar os efeitos da medida, além de reforçar a necessidade de retomada do diálogo entre os governos brasileiro e norte-americano. Foram debatidas propostas como a liberação de créditos de ICMS, incentivos ao mercado interno e o diferimento de tributos estaduais.
“Além de aumentarmos o apelo pelo início efetivo das negociações entre os governos, aproveitando a disposição mostrada pelo presidente Trump durante a conferência da ONU, debatemos também medidas paliativas que o Estado pode adotar diante deste impasse”, declarou Alexandre Curi durante a audiência.
Entre os setores mais afetados está o da madeira industrializada, que viu sua principal rota de exportação — os Estados Unidos — ser comprometida. A Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimici) esteve presente no debate, destacando que já houve demissões em massa, férias coletivas e risco iminente de fechamento de empresas, devido à falta de alternativas comerciais em escala equivalente.
De acordo com Artagão Júnior, cerca de 38 mil empregos estão diretamente ligados à cadeia da madeira no Paraná, com estimativas de 5 mil trabalhadores já demitidos. Ele ressaltou que 98% das molduras de portas exportadas pelo Brasil têm como destino os EUA, que também recebem 38% da produção nacional de madeiras duras e de pinos. “É urgente discutir o que o Paraná pode fazer, dentro das suas possibilidades, e ao mesmo tempo pressionar o governo federal para buscar uma solução negociada com os Estados Unidos”, pontuou.
A Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) também participou da audiência, reforçando o apelo por uma resposta estratégica à crise.
Para o deputado Fábio Oliveira, o “tarifaço de Trump” expôs a fragilidade diplomática do Brasil. “O agronegócio já está em alerta, a indústria sente o baque, e quem mais sofre é o trabalhador brasileiro. A demora do governo Lula em negociar expõe nossa fragilidade”, afirmou.
Hussein Bakri, por sua vez, destacou que o momento exige diálogo acima de qualquer ideologia. “Dialogar talvez seja a minha maior missão, com sindicatos, servidores, entidades e oposição. É preciso sentar à mesa com os norte-americanos e negociar em nome do Brasil e dos brasileiros”, concluiu.




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