Foz do Iguaçu sempre foi vista como uma cidade distante dos centros de decisão do Paraná, historicamente concentrados em Curitiba. Essa distância geográfica, no entanto, não significou ausência de atenção por parte do governo estadual. Ao contrário: desde o início do século XX, a região já despertava o interesse político e estratégico, embora enfrentasse obstáculos significativos.

Um episódio marcante ocorreu em 1916, quando Santos Dumont visitou as Cataratas do Iguaçu. Na época, o cenário era de abandono: as quedas d’água pertenciam a uma propriedade particular e sequer havia uma estrada que ligasse a região ao restante do estado. Sensibilizado, o aviador decidiu interceder. Viajou até Curitiba e reuniu-se com o então governador Affonso Camargo, levando consigo o argumento de que o Paraná precisava “se interessar pelos saltos”.

O encontro resultou em duas decisões históricas. A primeira foi o decreto que declarou as terras das Cataratas de utilidade pública, abrindo caminho para sua preservação e valorização. A segunda foi o compromisso de construir uma estrada ligando Guarapuava a Foz do Iguaçu. Poucos anos depois, em 1920, essa promessa se concretizou: Affonso Camargo e uma comitiva de autoridades realizaram a viagem inaugural da rota que, mais tarde, se transformaria na BR-277 — a espinha dorsal que conecta o litoral, a capital e o oeste paranaense.

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