Quase dois séculos e meio depois de Cabeza de Vaca passar pelas Cataratas do Iguaçu, outro importante representante do Império Espanhol chegou à região. No início de 1780, Félix de Azara recebeu a missão de viajar às fronteiras sul-americanas para ajudar a definir os limites entre as colônias de Espanha e Portugal. Mesmo sem a presença dos delegados portugueses, Azara decidiu cumprir seu trabalho percorrendo rios, matas e cachoeiras.
Nascido no Reino de Aragão e formado em engenharia e carreira militar, Azara passou 20 anos na América do Sul. Tornou-se mais conhecido no Paraguai e na Argentina do que no Brasil, mas seus registros também marcaram a história das Cataratas do Iguaçu. Em seu livro Viagens pela América Meridional, descreveu o rio Paraná, o rio Iguaçu e várias quedas d’água da região. Entre elas, os imponentes Saltos del Guayrá — as futuras Sete Quedas — que o impressionaram profundamente.
Sobre as Cataratas do Iguaçu, Azara destacou três elementos que continuam encantando os visitantes: o barulho intenso da água, a névoa que sobe das quedas e a espuma que forma arco-íris. Comparou o espetáculo natural com os Saltos del Guayrá e até com o famoso Salto do Niágara, avaliando a altura, o volume e as rochas de cada um.
Ao final de sua missão, Azara concluiu sozinho a demarcação que deveria ter sido feita em conjunto com Portugal. Para ele, a demora portuguesa era estratégica, semelhante ao destino que teve o antigo Tratado de Tordesilhas.
Félix de Azara e Cabeza de Vaca deixaram os primeiros relatos das Cataratas — cada um à sua maneira, em épocas distintas. No próximo capítulo, avançaremos quase cem anos para conhecer novos observadores desse cenário extraordinário.



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