Uma vez me perguntaram que significa morar na fronteira. É difícil de explicar, as pessoas têm que vir para conhecer e experimentar todos os sabores que tem por aqui.Morar na fronteira é misturar as línguas, o português, o espanhol, o guarani, o árabe, o criolo e o francês, todo tem lugar nesta fronteira trinacional, sem contar as misturas dessas línguas que provoca o portunhol, o jopara e o um portunhol selvagem como gostam de chamar por aqui.

Aqui também podes sentir os aromas de diferentes comidas das diversas culturas que nela convivem. Dizem, segundo o último censo, que aqui tem mais de 90 nacionalidades presentes, mas aí quem como eu duvida que esse número seja correto pois para mim tem mais de cem, cada dia eu escuto mais sotaques diferentes, línguas de todos os cantos e culturas de cada lugarzinho deste país e do mundo. Quando saímos para ir ao supermercado, a escola, as universidades podemos brincar com os sotaques diferentes e também conhecer e se encantar com as brincadeiras do lugar. É na mistura que a gente aprende a se conhecer, a se reconhecer e também a refletir sobre nossa identidade.

Quem mora aqui já sabe, nessa fronteira trinacional, temos chipa, pão de queijo e medialunas, mas também temos croissant, empanada e sopa do Paraguai. Uma sopa que não é sopa só podia estar neste lugar! A fronteira tem um aroma especial. E além do aroma tem seus encantos que conseguem nos cativar. Aqui as línguas brincam de se encontrar.

São tantas línguas todas juntas no mesmo lugar, misturadas ou não, estão presentes e quando elas se encontram é como um encontro das águas, às vezes uma palavra de um lugar, as vezes de outro, o importante é que conseguimos nos comunicar, de um jeito ou outro damos lugar a nossas mesclas tão próprias e tão características da fronteira.Você já veio à fronteira trinacional? Convido você para vir e brincar, sentir a experiência do (des) gustar. Aqui falamos que dá para arriscar a falar as línguas misturadas, pois elas estão em todo lugar. Eu gosto de me perguntar: o que será que tem a fronteira que nos convida a ficar?

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É Doutora em Educação (FaE) pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Possui Licenciatura em Letras pela Universidad Nacional de Rosario (2003), Mestrado em Letras - Língua Espanhola e Literatura Espanhola e Hispano-Americana pela Universidade de São Paulo (2010) e Mestrado Profissionalizante na Área de Novas Tecnologias, pelo Instituto Universitario de Posgrado (Espanha). Atualmente é Professora de Língua Espanhola como língua adicional na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) no Ciclo Comum de Estudos. Tem interesse nas áreas de ensino de espanhol, fronteira e interculturalidade e línguas em contato.

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