Darcy Ribeiro, no livro “América Latina existe?” Se faz esta pergunta inicial para nos convidar a refletir sobre a diversidade cultural e linguística de América Latina e o Caribe.
Essa diversidade linguística é marcada pelas variações, sotaques e ritmos diversos das muitas línguas presentes em todo o território. Costumamos pensar de forma errônea que apenas temos uma língua, que falamos uma língua ou ainda que só uma língua é válida nos espaços, porém ao pensar na pergunta inicial que já se fazia Darcy é fundamental refletir sobre a diversidade cotidiana para tentar dar uma resposta.
Se pensamos no território da fronteira vamos observar que as línguas estão presente em nosso cotidiano diário, no supermercado, na rua do vizinho, na minha rua, na escola, no trabalho, com amigos, ou em um bar de esquina.
Essa diversidade nos possibilita sair do mito de acreditar em uma língua única e expandir nosso olhar e nosso pensamento em diversas línguas, pois quando aprendo uma língua também aprendo sobre a cultura, sotaques, costumes de culturas outras. Foz do Iguaçu é a cidade dos sotaques, múltiplos e espalhados pelos bairros, aqui e possível ouvir sotaques do norte, do nordeste, do sudeste, de todo o pais, mas também de outros tantos países e com isso também aprendemos sobre nossa própria cidade, nossa diversidade e nossos contextos.
Você já escutou a palavra guri? Seguramente! Mas também escutou piá, menino e deve ter escuto chico, boy, mitã, e tantas outras, a língua não se reduze a apenas uma variação ou a um sotaque e ai reside sua maior riqueza. Os sotaques nos declaram e também declamam em nossa identidade, pois por meio dele que falamos: ahh, você e do sul! Ahh você e argentino!
A linguagem em toda sua dimensão nos possibilita nos constituir em nossas palavras no momento do nomear e nessa constituição vamos recriando nossos sotaques, já seja por expressar de onde nascemos, vimos, moramos ou para demarcar nossos entrelugares de língua, de idade, de gênero, de classe.
As vezes, esses entremeios são incômodos, nos fazem pensar, sair do lugar, e isso também forma parte de poder pensar a linguagem como algo vivo, performativo e nunca como algo estático ou único, pois é a na diversidade que nos constituímos como sujeitos diversos e plurais. Que teu sotaque seja ambulante e sempre migrante!



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