Natural de Uruguai e naturalizado brasileiro, é empresário. Casado com Valeria Mariotti e pai da Valentina de cinco anos. É Presidente do SINDETUR e Presidente do Fundo Iguaçu.

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1. Como começou sua trajetória no turismo em Foz do Iguaçu?

Cheguei à fronteira em 1978, vindo do Uruguai. Morei primeiro em Ciudad del Este (Paraguai), e em poucos anos comecei a promover o turismo na região, sempre com as Cataratas do Iguaçu como principal atrativo. Aos 24 anos, já percorria o mundo vendendo o destino trinacional. Essa experiência me ensinou a enxergar nossa terra pelos olhos dos turistas e a valorizar o que tínhamos.

2. Qual foi a importância da Martin Travel em sua carreira?

Fundei com meu pai a Martin Travel em 1990, uma operadora focada no turismo receptivo internacional. A empresa completou 35 anos em 2025, sempre com foco em qualidade e respeito pelo destino. Foi um marco na minha trajetória, consolidando meu compromisso com o desenvolvimento turístico da região.

3. Como foi sua atuação em entidades de classe?

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Participei ativamente de várias entidades: fui delegado da ABAV, presidi a Câmara de Turismo (que depois deu lugar ao Visit Iguassu) e hoje estou no segundo mandato à frente do SINDETUR, que representa agências, transportes e atrativos. Também presido o Instituto Fundo Iguaçu, onde buscamos mais transparência e profissionalismo nas ações do setor.

4. Quais são as principais frentes de atuação do SINDETUR?

Atuamos em várias esferas para resolver questões de fronteira, fiscalização e melhorias legislativas. Recentemente, trabalhamos na aplicação dos recursos dos Encargos Acessórios do Parque Nacional, um instrumento com grande potencial para beneficiar Foz e os municípios lindeiros.

5. Como você avalia o turismo em Foz hoje?

Foz vive um momento especial. Temos uma estrutura consolidada: rede hoteleira qualificada, operadores experientes, transporte eficiente e bons espaços para eventos. Mas não podemos nos acomodar. Um destino turístico exige adaptação constante às novas demandas.

6. Quais são os principais desafios para o turismo na região?

Um dos maiores é a malha aérea. Apesar da expectativa com a chegada da CCR ao aeroporto, ainda não avançamos como poderíamos. Precisamos de mais voos regionais e tarifas mais justas, mas considero que a solução para isto esteja em Brasília, com políticas de abertura dos céus para novas companhias aéreas. Não vejo outra forma de resolver isto. Também é essencial discutir quais áreas da cidade queremos desenvolver e como explorar melhor nossa diversidade étnica e cultural.

Outro desafio é integração e conexão de fato com Puerto Iguazú e Ciudad del Leste, onde a nova ponte facilitará, mas queremos mais, queremos livre circulação na região para o bem do turismo e da população.

7. Como Foz pode se destacar no turismo internacional?

No exterior, somos vistos como um “Destino Natureza”, mas há espaço para crescer em experiências culturais, espirituais e de conexão com o meio ambiente. As Cataratas são sagradas para os guaranis, e poderíamos explorar mais essa conexão, assim como o legado jesuítico e a erva-mate. Eu gosto do slogan que o Paraguai usa no exterior (“Paraguay you have to feel it”, ou “Paraguai, você tem que senti-lo”). Eu acho que eles foram muito felizes nesta frase. A ideia é valorizar a cultura, temos que fazer com que o turista sinta uma experiência única, isso deveria nos inspirar.

8. Quais são as oportunidades para o futuro?

O mundo busca experiências autênticas e sustentáveis. Foz tem avanços importantes: novos atrativos sendo criados no Parque Nacional, modernização do aeroporto, novos projetos na Itaipu e a nova ponte com o Paraguai. O Mercado do Barrageiro é um exemplo de iniciativa que une comunidade, cultura e economia local.

9. O que ainda preocupa no desenvolvimento do turismo?

A falta de diálogo entre instituições e poder público é uma preocupação. Além disso, precisamos engajar mais as novas gerações nas entidades do setor. A renovação é necessária, mas só acontece com apoio e construção coletiva.

10. Qual é a mensagem final para o futuro de Foz do Iguaçu?

Precisamos crescer com propósito, valorizar com seriedade o que nos faz sermos um destino único sem perder nossa essência. Quando isso acontece, ele leva um pedaço de nossa região consigo.

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1 Comentário

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  1. Parabéns pelo ponto de vista, olhar clínico, concordo com as suas colocações em 100% delas, mais uma vez parabéns pela esplanada geral que foi dada.