O Paraná é um estado promissor. Segundo dados do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (IPARDES) divulgados em março deste ano, o Produto Interno Bruto (PIB) do Paraná cresceu o dobro da média nacional em 2023, atingindo 5,8% ao longo do ano, enquanto a economia brasileira teve alta de 2,9%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Com crescimento em todas as áreas, o setor agropecuário e o de serviços foram os que tiveram melhor desempenho. Isso reflete em outra vertente que vem crescendo muito no estado, o setor de inovação.
Segundo o Mapeamento das Startups Paranaenses, realizado em 2023 pelo Sebrae-PR, o Paraná conta atualmente com 1.758 startups, das quais 1.155 estão formalizadas e atuam ativamente na economia estadual. Isso coloca o estado, pelo segundo ano consecutivo, como o mais inovador e sustentável do Brasil pelo ranking da consultoria Bright Cities.
Quando se fala de inovação a nível Brasil o país também vem ganhando destaque internacional. No final de 2023 o Brasil subiu cinco posições no Índice Global de Inovação (IGI) na comparação com o ranking de 2022 e atualmente ocupa o 49º lugar entre 132 países. Com isso, passou a liderar o ranking dos países da América Latina e Caribe.
Entre os principais estados do país com as economias mais inovadoras, está o Paraná. De acordo com a primeira edição do Índice Brasil de Inovação e Desenvolvimento (IBID), divulgada no início de agosto deste ano, pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), autarquia vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviço, São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, são as economias mais inovadoras do Brasil.
E se o Paraná é referência em inovação, o Oeste é sinônimo de crescimento e consolidação como um dos principais ecossistemas de inovação do estado. A prova disso são as diversas empresas que atuam na região Oeste e contribuem para o desenvolvimento econômico e sustentável do estado, formando um ecossistema vibrante que integra centros de pesquisa, incubadoras, startups e grandes empresas. Este ambiente dinâmico é moldado por iniciativas de instituições como Itaipu Parquetec, Fundetec e Biopark, todas integrantes do Iguassu Valley, que reúne instituições de apoio, empresas, startups, instituições de ensino e pesquisa para estimular a inovação. E é hoje o maior Ecossistema de Inovação do Brasil.
Itaipu Parquetec: fomentando a inovação tecnológica
O Itaipu Parquetec, localizado em Foz do Iguaçu, se destaca pela incubação de startups e pelo suporte ao desenvolvimento tecnológico. Atualmente, 41 startups estão incubadas no parque, atuando em segmentos como agronegócio, indústria 4.0, meio ambiente, negócios de impacto, turismo e cidades inteligentes.
- Agronegócio: 5
- Indústria 4.0: 10
- Meio ambiente: 9
- Negócios de Impacto: 6
- Turismo e Cidades inteligentes: 11

Entre os principais setores mais inovadores da região Oeste do Paraná, em primeiro lugar está o agronegócio, que tem sido um dos vetores do desenvolvimento de todo o estado, onde a inovação nesse setor tem sido crucial, alinhada as questões de melhoria no processo de cultivo e automação.
O Coordenador do Centro de Empreendedorismo, Wilmar Ribeiro Júnior, destaca que o desenvolvimento de tecnologias agrícolas avançadas, como drones para monitoramento de safras, sistemas de irrigação inteligentes e biotecnologia, tem aumentado a produtividade e a sustentabilidade das operações agrícolas. O setor de energias renováveis e turismo também tem bastante destaque no Itaipu Parquetec, devido a localização estratégica em Foz do Iguaçu.
De acordo com o coordenador, o Itaipu Parquetec desempenha um papel crucial no ecossistema de inovação regional e estadual, impulsionando o fomento, a pesquisa e o desenvolvimento, além da criação de novos empreendimentos no estado do Paraná.

“Como um ativo estratégico, o Itaipu Parquetec promove conexões alinhadas com as competências institucionais e regionais, fortalecendo a competitividade e o crescimento econômico da região. A Incubadora Santos Dumont é um dos principais motores para a geração de novos negócios, transformando ideias inovadoras em empresas viáveis e acelerando startups para acesso a novos mercados. Por meio de seu apoio robusto e infraestrutura de ponta, o Itaipu Parquetec facilita a transformação de pesquisas em soluções práticas, promove a colaboração entre academia e indústria e proporciona um ambiente propício para o desenvolvimento de tecnologias emergentes”.
Wilmar Ribeiro Júnior, Coordenador do Centro de Empreendedorismo.

Em resumo, o Itaipu Parquetec é um pilar essencial para o desenvolvimento regional, desempenhando um papel estratégico na promoção de inovação, apoio ao empreendedorismo e fortalecimento das competências locais e estaduais.
Fundetec: integrando ciência, tecnologia e inovação
Já em Cascavel, a Fundetec (Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico) tem papel fundamental na promoção e fortalecimento do setor no Paraná.
“O objetivo da Fundetec é oferecer soluções e ações científicas, tecnológicas, inovadoras e competitivas, programas e projetos que incentivem a cultura local e regional baseada no conhecimento, na inovação e no empreendedorismo”.
Alcione Gomes, presidente da fundetec.

A Fundetec promove também ações, eventos, projetos e programas em conjunto com empresas, instituições de ensino superior e instituições de fomento à pesquisa e desenvolvimento. E conta com a Estação da Inovação Hub One, uma verdadeira fonte de promoção da inovação, ciência e tecnologia em Cascavel e região, construída numa região central e privilegiada.
“A Estação fortalece ainda mais os programas executados pela Fundetec, com empresas inovadoras como as startups, por exemplo, além de ambientes para locação pela comunidade, servindo como atrativos e forma de interação e integração contínuas. Possui uma trilha clara para o desenvolvimento da inovação e tecnologia regional, iniciando-se pela curiosidade por meio do PROGETI, Technovação, Startup Weekend, Inovathon, Hackathon e Summit Iguassu Valley”, reforça.

Há diversos projetos que compõe a Fundetec, como por exemplo:
- Vila Tech: Um parque vertical para desenvolvimento de soluções em software, acompanhando a trilha de desenvolvimento das empresas de TI e proporcionando um ambiente para empresas já desenvolvidas se instalarem, promovendo a região com alto valor agregado;
- Programa Radar da Inovação: Pré-incubação de empresas para desenvolver negócios tecnológicos e inovadores, com apoio do município;
- Território Industrial de Agroinovação: Um próximo passo para empresas que saem do Programa Radar da Inovação e adentram no Programa Centro Incubador Tecnológico, necessitando de espaço para crescimento e distribuição de produtos e soluções.
- SMART AGRO Brasil: Unida às cooperativas e o ecossistema para desenvolvimento de um laboratório de informática avançado para predição e estudo de clima, gerando novas culturas ou aprimorando as já existentes.
- SMART CITY: No desenvolvimento da cidade com Sandbox para soluções em mobilidade urbana, segurança, informação, comércio e outras atividades, melhorando a qualidade de vida da população.
“A Fundetec desempenha um papel essencial no ecossistema de inovação. Promovemos a qualificação e desenvolvimento de competências tecnológicas e empreendedoras, contribuindo para o desenvolvimento econômico e social da região”, destaca Alcione.
Biopark: atraindo empresas e fomentando o crescimento
Outro grande ecossistema de inovação na região Oeste é o Biopark, que está situado em Toledo.

O centro conta com mais de 100 empresas que fazem parte do território do Biopark, na qual todas elas têm o foco em expansão de negócios na região. Algumas delas iniciaram seus empreendimentos no próprio parque e outras vem de outros estados e países para aumentar seu market share.
“Atualmente contamos com 212 empresas ativas, sendo que a maioria são do ramo de serviços, seguido do agronegócio, TI, indústria e saúde. A maior delas são do próprio estado do Paraná. O Biopark impulsiona o desenvolvimento regional ao atrair empresas de tecnologia e inovação, oferecendo infraestrutura e suporte para pesquisa e desenvolvimento. Nosso ecossistema promove a educação de qualidade e oportunidades de trabalho, melhorando a qualidade de vida na região”.
Brenda F. Noamann, Supervisora de Negócios.

Desafios e colaborações no ecossistema de inovação
Apesar dos avanços, o ecossistema de inovação no Oeste do Paraná enfrenta desafios, como a necessidade de maior investimento em infraestrutura tecnológica e a retenção de talentos qualificados.
“Ainda existe uma barreira para entender que inovação é algo aplicável para todas as empresas e em todos os setores e segmentos de empresas, essa inovação não é somente através de softwares ou aplicativos, mas pode ser inserido em melhoria de processos, recrutamento, chão de fábrica, etc”, reforça Brenda.
Esse mesmo sentimento é compartilhado pelo Itaipu Parquetec e Fundetec, que destacam a importância de investir em capital humano e ampliar a cultura de inovação na região.

Para eles, falta melhorar a infraestrutura tecnológica, com uma estrutura laboratorial de qualidade, facilitando assim os testes e validações, integrando universitários, entusiastas e empreendedores a realizarem seus experimentos com eficácia. “Investimentos em laboratórios, equipamentos de ponta e conectividade são essenciais para fomentar a inovação”, destaca Wilmar.
Também, na visão de Alcione é preciso romper as barreiras burocráticas e regulatórias que podem atrasar a inovação e a implementação de novos projetos.
No entanto, esses ecossistemas acreditam na parceria entre os setores públicos e privados para fomentar e desenvolver ainda mais a inovação no Oeste do estado.
“A existência dessa parceria é evidente na região, com vários exemplos de projetos bem-sucedidos resultantes da colaboração entre público e privado, no qual podemos destacar: O Programa Vila A Inteligente, que tem por finalidade a disponibilização de um ambiente para testes e validações de tecnologias, proporcionando ganhos para as startups e sociedade em geral. Essa sinergia não apenas acelera o desenvolvimento tecnológico, mas também assegura que os benefícios da inovação sejam amplamente compartilhados, contribuindo para o crescimento econômico e o bem-estar social”, explica Wilmar, do Itaipu Parquetec.
Iguassu Valley: uma força motriz para a inovação
A colaboração entre setores público e privado é fundamental para superar esses obstáculos. “A sinergia entre os atores do ecossistema aumenta a chance de sucesso dos projetos de inovação,” ressalta o Coordenador do Iguassu Valley, Jadson Siqueira.
Iguassu Valley é um ecossistema de inovação no Oeste do Paraná, promovido por uma governança regional e municipal. Ele reúne instituições de apoio, grandes empresas, startups, instituições de ensino e pesquisa, além de habitats de inovação. Juntos, eles colaboram para estimular, conectar e monitorar iniciativas inovadoras, com o objetivo de transformar a região em uma referência mundial em inovação.
Princípios
• Liderado por empreendedores;
• Visão de longo prazo;
• Inclusivo e multidisciplinar;
• Contribuir antes de receber;
• Apartidário.
“O Iguassu Valley tem dentro dos princípios, o fato de ser liderado por empreendedores. E com isso o governo participa para ajudar a resolver os gargalos que venham a surgir. Então a integração público-privado é muito importante para que o ecossistema de inovação tenha pleno sucesso. Nós do Iguassu Valley queremos transformar nos próximos 20 anos a região Oeste do Paraná em referência na produção de tecnologia para a produção de proteína, sejam grãos ou proteína animal. Também queremos melhorar a comunicação tecnológica. Hoje temos as empresas âncoras bastante engajadas no ecossistema e queremos engajar mais empresas, porque isso gerará novos projetos e inovação para a região. Com isso, fazer conexões com ecossistemas de fora do país”.
Jadson Siqueira, Coordenador do Iguassu Valley.

Números:
Produção Agropecuária
- 63,5% rebanho de suínos
- 31,9% rebanho de galináceos
- 22,5% produção de leite
- 73% produção de tilápia
- 35% produção de milho
- 21,3% produção de soja
- 12,8% produção de trigo
Base industrial
- 4 cooperativas agroindustriais entre as 15 maiores do Brasil e a maior produtora de medicamentos do país.
Energia e turismo
- Maior usina hidrelétrica em geração do mundo localizada em Foz do Iguaçu, que é o 3° destino de turistas estrangeiros.
Ecossistema
- Ao todo são cerca de 1.500.000 habitantes nos 54 municípios que formam a região Oeste do Paraná.
Em suma, o Iguassu Valley é um ecossistema de fomento a inovação e turismo, onde diversas instituições fazem parte, como o Sebrae-Pr, liderado pelo Gestor de Projetos de Ecossistema de Inovação do Sebrae, Alam Alex Debus, que destaca o papel do Sebrae como principal financiador do Iguassu Valley. “Nosso desejo é que o movimento se torne autossustentável, com crescente participação dos atores locais”. Além disso, as associações comerciais dos municípios parceiros também fazem parte do movimento.

Itaipu Parquetec, Fundetec e Biopark são partes integrantes do Iguassu Valley. Liderado por empreendedores e com uma visão de longo prazo, o Iguassu Valley estimula, conecta e monitora iniciativas que fortalecem o ecossistema de inovação, contribuindo para o desenvolvimento econômico e social da região, sendo um exemplo de como a colaboração e a inovação podem transformar uma região, tornando-a referência mundial em desenvolvimento tecnológico e econômico.




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