Os escritores José Eduardo Agualusa e Giovana Madalosso foram os convidados para encerrar a noite de sábado (15) na 20ª Feira Internacional do Livro em Foz do Iguaçu. No Palco da Criação, na Praça da Paz, eles falaram sobre criação e morte na literatura.

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“A literatura é quase algo intransponível. Se eu fujo, o livro vem atrás de mim e preciso fazer a ponte. Tiro uma questão que estava no meu peito, que vai ou para a estante, ou para o leitor. mas tem horas que quero criar o abismo”, disse Giovana.

Para Agualusa, o ofício de ser escritor está associado a uma urgência. “Sou escritor porque preciso ser. O escritor entra em estado de emergência, procura com honestidade o que nos aquieta e emociona. Escrever é um exorcismo para enfrentar os medos”.

Giovana, cujos temas mais abordados em seus romances incluem maternidade, revela que é preciso “abrir janelas” para receber histórias que vem ao nosso encontro. O processo então, chega com a descoberta da voz a ser utilizada, sob qual perspectiva a história deverá ser contada.

Racismo é tema de encontro entre escritora local e convidado

A escritora local Sueli Crespa e o escritor convidado Paulo Scott trouxeram ao público suas experiências junto à escrita antirracista, durante a programação da FILFI. Sueli, com sua potente poesia, e Scott com romance e ensaio jurista sobre direito constitucional. O escritor falou sobre os livros “Marrom e amarelo: identidades, justiça social e literatura”, e “Direito Constitucional Antirracista”, e trouxe reflexões sobre o convívio social e poder a partir da desigualdade permanente.

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Para Scott, ela tem origem no processo de colonização do país, o qual inaugurou “uma violência jamais vista antes no planeta, que é a escravização moderna”. Ele propõe uma releitura da cultura para melhor conhecimento do povo e suas leis, para combater a desigualdade permanente e sua normalização.

Sueli acredita que o trabalho de Scott é fundamental para compreensão da discussão racial e “como ela nos atinge e como trabalhar isso, saber nossa identidade, mas também sobre lei e justiça social, que muitos de nós não temos acesso. Paulo é facilitador dessa linguagem, colocando esse tema de forma acessível e que todos compreendam”.

Propósito da vida idosa

Em agosto deste ano, a professora doutora Cristina Ribeiro, recebeu a notícia de que seu livro “Propósito de Vida da pessoa Idosa”, um trabalho em conjunto com o terapeuta ocupacional Tiago Ribeiro da Silva e a fisioterapeuta Jéssica Ketelin Marques da Silva, havia sido premiado no eixo Ciência e Cultura, na categoria Educação Física, Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional, pelo maior prêmio de literatura do país, o Jabuti.

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Neste final de semana, a equipe reuniu-se novamente para apresentar o trabalho durante a programação da 20ª FILFI. Cristina falou sobre a necessidade de encontrar um propósito de vida após a velhice. “A gente não pode simplesmente desejar a aposentadoria, e não planejar como será nossa vida. Há de se ter um propósito e isso precisa ser falado, apresentado aos nossos idosos como meta de vida com a chegada da velhice”. No livro, é possível encontrar não somente uma escala de propósitos que podem ajudar nessa reflexão, como também uma filmografia.

Obra de Paco Manhães ganha lançamento póstumo

A obra “Tigre sin Alas”, de Paco Manhães, ganhou um lançamento póstumo durante a Feira Internacional do Livro de Foz do Iguaçu, que contou com a presença de Flávia Dornelles, professora, editora e integrante do coletivo Aqualtune, Iván Ullos, professor e crítico, e Waldson de Almeida Dias, professor, escritor, crítico e membro do Aqualtune.

Paco foi poeta, tradutor e docente, produziu artigos, ministrou conferências sobre a literatura negra, linguagem e tradução no Brasil, Colômbia, Cabo Verde, Rússia e México. Em “Tigre sin alas”, estão poemas seus em espanhol e português, além de textos inéditos, que subvertem e encantam. “Precisamos do livro póstumo para reconhecer seu trabalho, se não há resgate dessa história, ela se perde”, disse Flávia.

Numa construção de saberes, segundo Ullos, o poeta transitava entre uma construção de saberes fora da academia. “Tinha a cidade como objeto de estudo. Ele era a cidade. A sua curiosidade era o combustível”.

Cozinha literária

A roda de conversa sobre o livro “Cozinhas de Foz do Iguaçu: Bairro Morumbi” reuniu moradoras, estudantes e a professora Paola Stefanutti em um encontro marcado por relatos emocionados e reflexões significativas.

Histórias de vida, memórias afetivas relacionadas à gastronomia e o sentimento de pertencimento ao bairro deram o tom da atividade, que integrou a programação da 20ª Feira Internacional do Livro de Foz do Iguaçu. Para encerrar o momento, o público participou de uma degustação dos pratos apresentados.

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