Rebeca Andrade, Luísa Stefani e Neymar, atletas de destaque no cenário esportivo brasileiro, compartilham mais do que suas conquistas olímpicas. Todos foram vítimas de uma das lesões mais temíveis para esportistas de alto rendimento: a lesão do ligamento cruzado anterior (LCA) do joelho. Neymar, o mais recente a enfrentar o problema, se contundiu durante as Eliminatórias da Copa do Mundo em outubro.

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O LCA, uma estrutura ligamentar que conecta o fêmur à tíbia, impede o deslocamento do joelho para frente, estabilizando sua rotação. O médico Marco Demange, do Instituto de Ortopedia e Traumatologia da USP, explica que movimentos bruscos, como giros inesperados, podem resultar na ruptura do ligamento.

O atleta de handebol Natan Micael vivenciou isso em junho, durante o Campeonato Sul-Centro-Americano. Uma mudança rápida de direção levou à temida lesão. Gizele Dias, jogadora de vôlei, sofreu a contusão após um salto mal-sucedido, enfrentando estiramento de ligamentos adicionais.

Para Gizele, a lesão significou o fim de sua carreira no vôlei convencional, mas a descoberta do vôlei sentado a trouxe de volta ao esporte de maneira adaptada. Apesar das dificuldades, ela é medalhista paralímpica e campeã mundial na modalidade.

A recuperação da lesão de LCA, que varia de nove meses a um ano, envolve fisioterapia e o retorno gradual às atividades esportivas. O processo se divide em quatro pilares: formação e fortalecimento do ligamento, desenvolvimento da musculatura, condicionamento aeróbico e propriocepção.

Natan Micael, em fase avançada de recuperação, já integra a rotina da equipe de handebol do Pinheiros, mas o treinador Washington Nunes destaca a importância de considerar a composição geral do corpo na volta do atleta às competições.

Uma novidade promissora na recuperação é o uso da medicina hiperbárica. Estudos indicam que essa abordagem pode acelerar a formação e resistência do ligamento reconstruído, contribuindo para uma recuperação mais eficaz.

Após o retorno ao esporte, os atletas precisam manter um trabalho preventivo constante para evitar novas lesões. Laís Coelho, fisioterapeuta da equipe de handebol do Pinheiros, destaca a importância desse cuidado contínuo.

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Natan Micael, otimista com sua recuperação, reconhece que, apesar da confiança, precisará de cuidados especiais pelo resto da vida. A superação da lesão não é apenas uma questão de voltar às quadras, mas de adotar um cuidado constante com o corpo para garantir uma carreira esportiva duradoura.

Os seis tipos de ligamentos de joelho

Existem seis tipos de ligamentos no joelho, incluindo os cruzados anterior e posterior, responsáveis por estabilizar a tíbia e controlar os movimentos para frente e para trás. Os colaterais lateral e medial evitam movimentos laterais e rotações. Além disso, há o ligamento femuropatelar medial e o anterolateral.

O ligamento cruzado anterior (LCA) previne o deslocamento da tíbia para frente, sendo propenso a lesões, especialmente em atividades esportivas. O ligamento cruzado posterior (LCP) evita o deslocamento para trás. Os ligamentos colaterais lateral (LCL) e medial (LCM) controlam movimentos laterais. O ligamento femuropatelar medial (LPFM) estabiliza a patela, e o ligamento anterolateral (LML) proporciona estabilidade rotacional.

Lesões no LCA são comuns em atividades esportivas como futebol, jiu-jitsu e vôlei, causando sintomas como dor, inchaço e limitação de movimento. Rupturas podem ser completas ou incompletas, diagnosticadas clinicamente e por ressonância magnética.

O tratamento varia com base em fatores como idade e atividade física. A cirurgia de reconstrução do LCA, com enxerto de doador ou do próprio paciente, tem uma taxa de sucesso de 95-98%. O retorno ao esporte é possível com fisioterapia.

Rupturas totais geralmente exigem cirurgia, especialmente em pessoas jovens e ativas. Rupturas parciais em atletas muitas vezes são tratadas cirurgicamente, enquanto em não atletas e pessoas mais velhas, o tratamento conservador é considerado inicialmente. A cirurgia envolve riscos pequenos, entre 2% e 5%, como falhas, infecções e trombose. (Com ABr)

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