O Programa de Extensão em Sustentabilidade Territorial, promovido pelo Itaipu Parquetec e pela Itaipu Binacional, selecionou oito projetos da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) para receber apoio. Este programa concede 25 bolsas de extensão, que serão distribuídas entre os discentes da UNILA para que atuem em diversas comunidades, incluindo indígenas, unidades de saúde, escolas públicas e outras instituições.
Além da UNILA, outras 16 instituições de ensino superior participam do programa, apresentando mais de 500 projetos. A reitora da UNILA, Diana Araujo Pereira, ressalta a importância dessa parceria com a Itaipu para o avanço da ciência e tecnologia no Brasil. “A colaboração da Itaipu com as universidades da sua região de influência é essencial para o desenvolvimento social e tecnológico da região. A sustentabilidade e a transição energética, temas abordados por este edital, são fundamentais para enfrentar a emergência climática. A participação das universidades públicas nessas questões demonstra a relevância de nossas instituições para as transformações necessárias”, afirma Pereira.
O pró-reitor de Extensão, Rogério Moreira, destaca que o programa estabelece uma nova ferramenta de fomento e atuação no Paraná e no sul do Mato Grosso do Sul. “O Programa promove uma colaboração eficaz entre diversos atores nas comunidades, alinhando-se às políticas públicas locais e regionais. É importante notar que essa ação visa fortalecer a inserção curricular da extensão nas universidades, que exige que pelo menos 10% da formação seja realizada na extensão. Este desafio representa uma grande oportunidade para atualizar e requalificar todos os cursos de nível superior”, observa Moreira.
Os projetos contemplados iniciarão suas atividades em outubro de 2024 e terão duração de um ano. A seguir, conheça os projetos da UNILA aprovados:
1. As Plantas que Curam: Saberes e Práticas Guarani sobre Plantas Sagradas
Este projeto visa documentar o uso de plantas sagradas pela comunidade Avá-Guarani da Tekoha Ocoy, em São Miguel do Iguaçu. Em colaboração com os Oporaíva (xamãs), será feito um inventário das plantas utilizadas para remédios, alimentos e cura. Além de registrar a perda de algumas plantas no território indígena e propor sua recuperação, o projeto criará materiais paradidáticos para escolas Guarani, respeitando as tradições locais. A iniciativa também buscará influenciar políticas públicas baseadas nos saberes tradicionais da comunidade, com divulgação em relatórios e publicações científicas.
2. Cores da Terra: Revitalizando Espaços com Sustentabilidade e Baixo Custo
O projeto “Cores da Terra” pretende revitalizar espaços educacionais e comunitários utilizando tinta à base de terra, uma alternativa ecológica e econômica às tintas industriais convencionais. Com a participação de alunos, professores e membros da comunidade, o projeto visa capacitar os participantes na técnica de pintura com tinta natural e promover sua adoção em outras áreas. A metodologia inclui contato com escolas e centros comunitários, definição de espaços para pintura, produção de folhetos explicativos, desenvolvimento participativo do projeto gráfico, aulas introdutórias, pintura dos murais e avaliação dos resultados.
3. Consolidação e Ampliação de Projetos Educacionais para Geração de Biogás e Biofertilizantes
Este projeto busca expandir iniciativas anteriores voltadas para a produção de biogás e biofertilizantes a partir de resíduos orgânicos em escolas estaduais do Paraná. Inicialmente implementado no Colégio Estadual Gustavo Dobrandino da Silva, o projeto visa integrar disciplinas como física, química, biologia, matemática e informática à realidade dos alunos do ensino médio, relacionando problemas ambientais com o cotidiano escolar. A proposta promove a sustentabilidade e a inovação, preparando os jovens para enfrentar desafios futuros.
4. Educação em Saúde sobre Plantas Medicinais para Hipertensos e Diabéticos
O projeto pretende promover a educação em saúde sobre o uso racional de plantas medicinais para pacientes hipertensos e diabéticos nas equipes de Atenção Primária à Saúde de Foz do Iguaçu. As ações serão realizadas em cinco Unidades de Saúde da Família (USF) com grupos ativos do programa Hiperdia. Após a coleta de dados sobre o uso de plantas medicinais, serão planejadas ações educativas com os profissionais de saúde, utilizando abordagens dialógicas e problematizadoras, e elaborados materiais educativos para a comunidade.
5. Juventudes e Direitos – A Voz da Juventude
Este projeto, agora em sua 4ª edição, dá continuidade ao programa de rádio “A Voz da Juventude” da Rádio do Centro de Direitos Humanos e Memória Popular de Foz do Iguaçu (CDHMP/FI). Em 2024, o projeto expandirá sua presença para o formato podcast, abordando as condições dos jovens na Tríplice Fronteira e promovendo debates com jovens pesquisadores e ativistas. Além disso, serão realizadas oficinas com o Centro de Juventude do Jardim Naipi para discutir direitos juvenis e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
6. Observatório Latino-Americano da Geopolítica da Energia: Divulgação Científica e Educação
O Observatório Latino-Americano da Geopolítica Energética visa democratizar o acesso à informação sobre as transformações na geopolítica energética. O projeto promove pesquisas sobre fontes renováveis de energia e organiza eventos como palestras e minicursos. Com um site dedicado ao repositório de documentos e notícias, o Observatório facilita o acesso ao conhecimento acadêmico e científico e integra diversas áreas do saber.
7. ÑandeReko, a “Sustentabilidade” Indígena: Práticas da Educomunicação Guarani pela Vida
Este projeto de Educomunicação busca fortalecer a comunicação comunitária na aldeia Ava Guarani do Oeste do Paraná, promovendo a integração e o fortalecimento da cultura local. Através de oficinas de rádio, fotografia e vídeo, crianças e jovens aprenderão a usar equipamentos de comunicação para documentar e expressar sua história e cultura. O objetivo é criar novos espaços de memória e identidade cultural vinculados ao meio ambiente e à terra, promovendo a língua e cultura indígena.
8. SOS Maternidade: Uso Racional de Plantas Medicinais para Mães de Crianças
O projeto “SOS Maternidade” visa educar mães de crianças de 0 a 6 anos sobre o uso seguro e eficaz de plantas medicinais. A ação ocorrerá em centros de nutrição infantil e Unidades de Saúde da Família em Foz do Iguaçu, utilizando oficinas e abordagens problematizadoras. Será criada uma rede de apoio via WhatsApp para troca de experiências e conhecimentos entre as mães, alinhada com a Política Nacional de Educação Popular em Saúde.
Estes projetos refletem o compromisso da UNILA com a sustentabilidade, a inclusão social e o desenvolvimento regional, contribuindo para a construção de um futuro mais sustentável e equitativo.
Fonte: Assessoria Unila




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