No ano passado, o Brasil registrou 3,3 milhões de procedimentos estéticos.

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Nos últimos anos, os procedimentos estéticos cresceram significativamente em todo o mundo, refletindo mudanças nas tendências sociais e nas percepções de beleza. Segundo dados da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS), houve um aumento de 3,4% nos procedimentos cirúrgicos e não cirúrgicos em 2023, totalizando 34,9 milhões de intervenções globalmente. Esse crescimento contínuo é impulsionado por avanços na tecnologia médica, influência das redes sociais e maior conscientização sobre a imagem pessoal. Nos últimos quatro anos, o total de intervenções aumentou em 40%, demonstrando a força dessa tendência.

Os procedimentos estéticos mais populares incluem tanto intervenções cirúrgicas quanto não cirúrgicas. A lipoaspiração se consolidou como o procedimento cirúrgico mais comum em 2023, com mais de 2,2 milhões de intervenções. Na sequência, estão o aumento de seios, cirurgia de pálpebras, abdominoplastia e rinoplastia. Entre os procedimentos não cirúrgicos, a toxina botulínica (Botox) lidera o ranking com 8,8 milhões de tratamentos, seguida por preenchimentos com ácido hialurônico e outras opções de rejuvenescimento facial.

Em relação à faixa etária, pessoas de 18 a 34 anos tendem a optar por procedimentos cirúrgicos, como aumento de mama e rinoplastia. Já aqueles entre 35 e 50 anos preferem tratamentos não cirúrgicos, como injeções de Botox, pela eficácia e recuperação rápida. O aumento na demanda é notável tanto entre homens quanto mulheres, com um crescimento particular nos tratamentos faciais para o público masculino, como blefaroplastia e rinoplastia.

Os Estados Unidos e o Brasil se destacam como líderes em procedimentos estéticos. Em 2023, os EUA realizaram mais de 6,1 milhões de intervenções, enquanto o Brasil consolidou sua posição como uma capital mundial da cirurgia plástica, com 3,3 milhões de procedimentos, conforme pesquisa da ISAPS.

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Esse crescimento é impulsionado não apenas pela demanda interna, mas também pela atratividade do Brasil para turistas médicos que buscam cirurgias estéticas com profissionais altamente qualificados. O Brasil alcançou 2.185.038 procedimentos cirúrgicos em 2023, com lipoaspiração (307.280), gluteoplastia (227.451) e mamoplastia (216.318) sendo as intervenções mais solicitadas.

A lipoaspiração é popular pela sua eficácia em remover gordura localizada, enquanto a gluteoplastia ganhou destaque devido à preferência por curvas mais acentuadas. A mamoplastia de aumento, tradicional no país, continua a ser muito procurada.

No âmbito dos procedimentos não cirúrgicos, o Brasil também registrou um aumento, com mais de 1.196.513 tratamentos em 2023, focando em opções menos invasivas, como toxina botulínica e preenchimentos. Esses tratamentos são cada vez mais populares, não apenas entre a população local, mas também entre turistas médicos que buscam qualidade a preços acessíveis.

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O turismo estético tem sido crucial para o aumento dos procedimentos no Brasil. Estima-se que cerca de 7% das intervenções realizadas no país sejam para estrangeiros, que encontram uma combinação ideal de qualidade e preço. As políticas do Ministério do Turismo visam continuar atraindo investimentos no setor.

Esse aumento na demanda também reflete uma diversificação da clientela, com um número crescente de homens buscando tratamentos estéticos, especialmente em áreas como depilação a laser e peelings faciais. Essa tendência deve continuar crescendo, oferecendo novas oportunidades para o setor de estética.

Impacto na Saúde Complementar

O crescimento dos procedimentos estéticos também trouxe preocupações em relação a práticas fraudulentas e erros médicos. Embora esses procedimentos não sejam geralmente cobertos por planos de saúde, um aumento nas irregularidades tem sido observado, incluindo o uso indevido de códigos de reembolso.

A Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) destacou que algumas clínicas têm utilizado táticas fraudulentas para obter reembolsos indevidos, apresentando pedidos com códigos falsificados para procedimentos estéticos não cobertos. Essas fraudes afetam tanto as operadoras de planos de saúde quanto os beneficiários, que podem enfrentar aumento de custos.

Cássio Ide Alves, superintendente da Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge), alertou que as fraudes na saúde complementar evoluíram para um crime organizado, envolvendo quadrilhas especializadas em marketing digital. A proliferação de anúncios prometendo cobertura de procedimentos estéticos por planos de saúde é um sinal de alerta.

O impacto financeiro é significativo: uma pesquisa do Instituto de Estudos de Saúde Complementar (IESS) em novembro de 2023 revelou que o setor de saúde complementar no Brasil perdeu até R$ 34 bilhões no ano anterior devido a irregularidades e desvios.

As autoridades estão atentas a essa situação. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) enfatiza que a cobertura para procedimentos estéticos não é obrigatória pela legislação atual, de acordo com a Lei 9.656/1998. É essencial distinguir entre procedimentos estéticos e reparadores, que são cobertos, como a mamoplastia reconstrutiva após câncer de mama e a abdominoplastia após cirurgia bariátrica.

Apesar da regulamentação, erros em procedimentos estéticos continuam a ser um problema crescente. A ANVISA relatou que mais de 50% das reclamações recebidas nos últimos anos estão relacionadas a procedimentos estéticos. O Conselho Federal de Medicina (CFM) registrou cerca de 10.000 reclamações de práticas ilegais nos últimos 12 anos, evidenciando a gravidade dessa questão.

Fonte: Federico Cerutti

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