Quando se pensa na experiência de se folhear uma revista, a primeira lembrança que se tem é de uma época em que as edições físicas eram mais acessíveis e vistas em todas as bancas e livrarias. Das que se destacavam podemos citar a “Recreio”, “Superinteressante”e “Capricho”, que se consolidaram no ramo, até modernização dos meios digitais e consequentemente, da migração dessas mídias físicas para o que era mais rentável ao menor custo, com novas possibilidades e novas ferramentas.
No entanto, mesmo em uma era dominada por conteúdo digital, algumas empresas editoriais que fecharam suas portas na última década estão voltando ao mercado. Neste ano, esse movimento foi reforçado pelo lançamento de pelo menos 70 novas publicações impressas só nos EUA, um ritmo que já ultrapassa o período pré-pandemia.
Essa volta repentina é impulsionado pelo que chamamos “economia da nostalgia”, que vem alimentando o renascimento de produtos como câmeras analógicas e discos de vinil. No caso das revistas impressas, o conceito além de nostálgico, ganha uma nova roupagem. O que era antes um item acessível é agora considerado como um símbolo de sofisticação. Editoras como a Condé Nast e Hearst viram neste nicho, uma chance de reposicionar suas revistas como objetos de luxo e colecionáveis, tendo como público alvo os consumidores que desejam uma experiência fora do ritmo acelerado e incessante do meio digital.
As revistas impressas oferecem uma imersão diferente do digital, os algoritmos e notificações não são um incomodo, facilitando a leitura aprofundada e uma conexão facilitada pelos conteúdos específicos e de qualidade. Esse público, se propõe a pagar um valor um pouco mais elevado em troca de exclusividade e autenticidade que o mídia física consegue proporcionar.

Mas afinal, a nostalgia dá resultado?
Globalmente, o setor de publicações físicas conta com mais de 7 mil títulos disponíveis e movimenta aproximadamente 120 bilhões de dólares anuais. A volta ao físico ocorre especialmente entre editoras independentes e publicações de nicho, que oferecem conteúdos especializados em design, moda, cultura, fotografia e assuntos técnicos. Para essas editoras, a baixa exposição online permite atender a uma audiência fiel e engajada, que valoriza o material impresso como um objeto durável e único.
A resistência ao digital por parte de grandes marcas e o interesse crescente por um público que busca tempo e qualidade também ajudam a impulsionar o mercado de revistas impressas. Marcas de luxo como Louis Vuitton, Gucci e Dior já começaram a investir em revistas próprias, enquanto outras marcas apoiam publicações voltadas a um perfil semelhante.
Soluções e Perspectivas
Para as editoras, o retorno ao físico é mais do que um simples resgate de um antigo formato; ele é, na verdade, uma adaptação a novos tempos e novas necessidades. A experiência do leitor é o ponto-chave para capturar a atenção desse público nostálgico. A criação de edições personalizadas e edições limitadas, por exemplo, são algumas das estratégias que tornam as revistas impressas mais atraentes.
O futuro das publicações físicas depende de um equilíbrio entre tradição e inovação. As empresas que mantiverem um olhar atento às mudanças do mercado e aos interesses de um público específico e engajado terão um terreno fértil para o desenvolvimento de produtos exclusivos.




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