Recentemente, uma pesquisa revelou que 57% da população brasileira acredita que a inteligência artificial (IA) desempenha um papel crucial na construção de um futuro positivo. Enquanto isso, 43% das empresas no país planejam expandir o uso da IA para prever cenários e avaliar riscos, refletindo uma crescente confiança na tecnologia.

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A inteligência artificial deixou de ser uma mera promessa futurista e se firmou como uma ferramenta essencial em diversos setores. Globalmente, sua adoção está em ascensão, provocando transformações significativas em áreas como finanças, saúde, varejo e marketing. A automação de processos e a capacidade de realizar análises complexas estão melhorando a eficiência operacional e a tomada de decisões. Contudo, apesar das inúmeras vantagens que oferece, a implementação da IA ainda enfrenta desafios, especialmente em países em desenvolvimento, como o Brasil.

Entre os benefícios mais notáveis da IA, destaca-se sua capacidade de otimizar processos e reduzir custos operacionais. Setores como bancos e varejo têm adotado a IA para aprimorar o atendimento ao cliente, prever comportamentos e personalizar produtos e serviços. A IA generativa, uma subcategoria dessa tecnologia focada na criação de novos conteúdos, está abrindo novas oportunidades para aumentar a produtividade e estimular a criatividade.

Na América Latina, a adoção da IA avança em um ritmo mais lento em comparação com outras regiões. No entanto, países como Chile, Brasil e Uruguai têm se destacado em termos de uso da tecnologia, conforme indicado pelo Índice Latino-Americano de Inteligência Artificial (ILIA), apresentado em 2024 pelo Centro Nacional de Inteligência Artificial do Chile (CENIA) e pela CEPAL. O Chile lidera com 73,07 pontos, seguido pelo Brasil, que obteve 69,30 pontos. Essa análise avalia a prontidão dos países em infraestrutura, desenvolvimento de talentos e adoção de IA, evidenciando que, embora haja progresso, a região ainda não atinge os níveis dos países desenvolvidos.

O Brasil, em particular, figura entre os pioneiros da América Latina na utilização de IA, ocupando a 11ª posição na adoção global de IA generativa. Entretanto, um estudo patrocinado pela SAS aponta que o país ainda enfrenta desafios significativos para consolidar sua implementação. Atualmente, apenas 46% das empresas brasileiras estão utilizando ou implementando IA generativa, abaixo da média global de 54%. O estudo, realizado pela Coleman Parkes com 1.600 executivos de 21 países, destaca que, apesar do entusiasmo em relação à IA, o uso prático da tecnologia ainda é limitado: menos da metade das empresas que adotaram a IA possui casos de uso concretos.

A falta de experiência interna em IA é o principal obstáculo mencionado por 51% das empresas brasileiras, comparado a 39% globalmente. Essa escassez de talentos especializados limita o potencial das organizações em maximizar o retorno de seus investimentos em IA. Além disso, muitos líderes empresariais no Brasil revelam não ter um conhecimento profundo sobre IA generativa, com 46% descrevendo seu entendimento como “moderado”.

Apesar desses desafios, a maioria das organizações que implementaram a IA notou melhorias significativas na experiência de seus funcionários e clientes. Segundo o relatório, 93% das empresas relataram um aumento na satisfação dos funcionários, enquanto 87% observaram uma redução nos custos operacionais. Além disso, 76% afirmam que a retenção de clientes melhorou, indicando que a IA está contribuindo para estabelecer relacionamentos mais fortes e personalizados.

As expectativas em relação à IA generativa são otimistas, com 57% das organizações acreditando que essa tecnologia será fundamental para impulsionar a inovação e aprimorar a análise de dados. A personalização da experiência do cliente é uma das áreas prioritárias para implementação. No entanto, as expectativas de redução de custos operacionais não são tão elevadas no Brasil, com apenas 39% dos entrevistados acreditando que a IA gerará um impacto direto nesse aspecto.

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Em termos de investimento, a maioria das empresas brasileiras que já adotaram a IA planeja continuar investindo na tecnologia. Para 2025, 100% das empresas que já implementaram IA e 97% das que estão em processo têm orçamento reservado para o desenvolvimento dessa tecnologia. Muitas planejam aplicá-la em departamentos específicos ou por meio de projetos-piloto, sendo marketing, serviços de campo e vendas as áreas de maior interesse.

De acordo com um estudo da Deloitte, a adoção da IA entre as empresas brasileiras está ganhando força, com 58% delas incorporando a tecnologia em suas operações diárias. A pesquisa, que incluiu entrevistas com executivos de 411 empresas com receitas combinadas de R$ 2 trilhões, revelou que a maioria está determinada a expandir seu uso para novas áreas. Atualmente, 44% das empresas utilizam IA para otimizar processos administrativos, 43% para a tomada de decisões e 39% para suporte e atendimento ao cliente. A área de tecnologia também se destacou, com 32% das empresas utilizando IA para análise de big data e o mesmo percentual aplicando-a no desenvolvimento de software.

Entre as empresas que planejam ampliar seu uso de IA, 43% têm como objetivo utilizá-la para prever cenários e avaliar riscos, enquanto 46% pretendem aplicá-la na modelagem de viabilidade de novos produtos. Algumas organizações estão até recorrendo a empréstimos pessoais e comerciais para acelerar sua transição tecnológica e alavancar essas áreas estratégicas. Os setores de tecnologia e finanças estão na vanguarda, com 20% das empresas já incorporando IA em seus produtos, outros 12% em fase de testes e 52% com planos de implementação.

Quando se trata da percepção dos cidadãos brasileiros sobre a IA, as respostas são diversas. Uma pesquisa da Opinion Box revela que 90% dos entrevistados afirmam ter conhecimento sobre a IA, embora 68% tenham apenas um entendimento básico. Sobre o uso da tecnologia, 36% utilizam IA diariamente para tarefas pessoais, como organização, aprendizado ou criação de conteúdo. Os brasileiros destacam a comunicação, o entretenimento e os serviços financeiros como as áreas mais beneficiadas pela IA, embora também expressem preocupações em relação à privacidade dos dados e ao possível impacto no emprego.

Em geral, a percepção sobre a inteligência artificial no Brasil é positiva, com 57% da população acreditando que seu impacto futuro será favorável ou muito favorável. No entanto, existem preocupações sobre a perda de empregos e a privacidade dos dados, que foram identificadas como as principais inquietações. Outro aspecto importante a ser considerado é a necessidade de regulamentação da tecnologia para garantir seu uso ético e seguro.

Iniciativas Relacionadas à IA

O Brasil embarcou em um caminho ambicioso para fortalecer a inteligência artificial com o lançamento, em agosto de 2024, do Plano Nacional de Inteligência Artificial. Essa iniciativa, liderada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), destinará R$ 23 bilhões (aproximadamente US$ 81 bilhões) nos próximos quatro anos para aquisição de tecnologia avançada, como um supercomputador de última geração, e para fomentar a pesquisa em IA.

O plano visa construir um ecossistema robusto que promova o desenvolvimento e a aplicação da IA em setores-chave da economia. A ministra do MCTI, Luciana Santos, afirmou que a estratégia representa um marco crucial para o Brasil: “Este é um momento decisivo para o Brasil. Estamos lançando as bases para uma revolução digital que transformará nossa indústria, nossos serviços e a vida de nossos cidadãos”.

Além disso, o Brasil se destaca no contexto latino-americano e, surpreendentemente, supera alguns países europeus no investimento em IA como proporção do PIB, liderando em comparação com a França, conforme um relatório recente da OCDE. Isso ressalta o potencial do país para se tornar uma referência em inovação tecnológica na região e, eventualmente, no mundo.

É fundamental destacar que o Brasil também intensificou sua integração no cenário global de IA, participando de iniciativas como o plano do G20, que canalizará um investimento de US$ 4 bilhões para promover a IA entre os países membros. Essa colaboração internacional oferece ao Brasil acesso a recursos adicionais e à troca de conhecimentos e práticas com outras nações.

O rápido avanço da IA levanta, no entanto, questões éticas e regulatórias urgentes. Em resposta, o Senado brasileiro está debatendo uma legislação abrangente para regulamentar a IA, estabelecendo diretrizes que abordam questões de privacidade, responsabilidade algorítmica e proteção contra preconceitos.

Por fim, um dos principais desafios enfrentados pelo Brasil nesse caminho é a escassez de talentos especializados em IA. Para mitigar essa situação, as universidades estão reformulando seus programas acadêmicos para incluir cursos de inteligência artificial e aprendizado de máquina, formando uma nova geração de profissionais que apoiarão essa transformação.

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