1 – Fale sobre você.

Sou advogada e consultora de investimentos, com atuação nas áreas de desenvolvimento econômico, governança territorial e articulação público-privada. Sou fundadora do Codeleste – Conselho de Desenvolvimento de Ciudad del Este, onde atuei como presidente por cinco anos e, atualmente, exerço a função de vice-presidente. Também sou diretor jurídico da Câmara de Comércio e Serviços de Ciudad del Este, vice-cônsul honorário da Espanha em Ciudad del Este e fundador e primeiro presidente do Codetri – Conselho de Desenvolvimento da Região Trinacional. Ao longo da minha trajetória, tenho trabalhado para fortalecer o ambiente institucional, promover investimentos para o país, impulsionar projetos estratégicos e contribuir para um modelo de desenvolvimento sustentável e integrado para a região de fronteira.

2 – Como sua experiência como vice-presidente do Codeleste tem contribuído para articular políticas de desenvolvimento entre o setor público, privado e a sociedade civil em Ciudad del Este?

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Minha atuação está focada na criação de espaços permanentes de diálogo e coordenação entre os diferentes atores, bem como na construção de arranjos institucionais de governança colaborativa. No Codeleste, promovemos mesas técnicas de trabalho, agendas estratégicas comuns e consensos mínimos que permitem alinhar prioridades entre o setor público, o empresariado e a sociedade civil. Isso fortalece a governança local, reduz conflitos e possibilita o avanço de políticas e projetos com maior legitimidade, coerência, impacto territorial e efetividade no desenvolvimento.

3 – Quais são os maiores desafios e aprendizados ao coordenar a atuação do Codeleste em um contexto de governança territorial complexo na fronteira?

O principal desafio é lidar com a multiplicidade de interesses, níveis de governo, sobreposição de competências e dinâmicas transfronteiriças. A realidade de fronteira exige coordenação constante, flexibilidade institucional e capacidade de construir confiança. O maior aprendizado tem sido compreender que o diálogo permanente, a transparência e a visão de longo prazo são essenciais para transformar a complexidade em oportunidades de integração e desenvolvimento.

4 – Quais são os projetos recentes e futuros do Codeleste?


Entre os projetos estratégicos, destacam-se a criação de um Polo de Inovação, o Hub Logístico Regional, iniciativas de modernização urbana, fortalecimento do comércio formal, promoção do turismo integrado e melhorias nos setores de saúde e educação. Para o futuro, trabalhamos em projetos voltados à atração de investimentos, infraestrutura, capacitação de recursos humanos e consolidação de Ciudad del Este como um polo regional de serviços, logística e inovação.

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5 – De que maneira o Codeleste dialoga com conselhos similares em Foz do Iguaçu e Puerto Iguazú?


Mantemos um diálogo institucional permanente com entidades e conselhos das cidades vizinhas, promovendo agendas comuns e intercâmbio de informações. O objetivo é gerar sinergias em temas como turismo, logística, comércio, mobilidade e desenvolvimento urbano, entendendo que os desafios e oportunidades da região são compartilhados e exigem uma visão trinacional e uma agenda integrada para as questões que afetam as cidades.

6 – Como o Codeleste tem se posicionado para atrair investimentos que gerem emprego e desenvolvimento sustentável?

O Codeleste atua como facilitador institucional, promovendo segurança jurídica, articulação com autoridades locais e nacionais, identificação de setores estratégicos e potencialização das capacidades humanas. Buscamos atrair investimentos que não apenas gerem empregos, mas que também contribuam para a diversificação econômica, inovação, sustentabilidade ambiental e fortalecimento da economia local.

7 – Qual é o papel das empresas locais no conselho?

As empresas locais são protagonistas no Codeleste, assim como associações e organizações da sociedade civil. Elas contribuem com informações, diagnósticos das necessidades reais do território e propostas concretas. O conselho estimula a participação ativa do setor privado para que as políticas e projetos reflitam a realidade econômica e social, fortalecendo o vínculo entre desenvolvimento econômico e bem-estar da comunidade.

8 – Parcerias com instituições como o BID: qual é a sua visão?

As parcerias com organismos internacionais, como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), são fundamentais para o fortalecimento das capacidades técnicas, o acesso a financiamento e a incorporação de boas práticas internacionais. Essas cooperações possibilitam a implementação de projetos estruturantes, com impacto de médio e longo prazo, elevando o nível institucional da gestão local, o que se traduz em maior capacidade de planejamento, execução e avaliação de políticas públicas.

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9 – Quais são as prioridades de planejamento urbano e desenvolvimento econômico para os próximos anos?

As prioridades incluem infraestrutura urbana, mobilidade, ordenamento territorial, modernização do comércio, fortalecimento da logística, crescimento industrial, inovação, qualificação profissional e desenvolvimento ambiental sustentável. O objetivo é preparar Ciudad del Este para um modelo de crescimento ordenado, competitivo e econômico, que combine eficiência, inclusão social e qualidade de vida.

10 – O Codeleste como modelo de governança territorial: quais lições podem ser destacadas?

A principal lição é a importância da institucionalidade, do diálogo público-privado, da participação multissetorial, do planejamento estratégico territorial e da construção de consensos. Outros municípios de fronteira podem adotar modelos de governança participativa, planejamento estratégico e articulação interinstitucional como ferramentas para enfrentar desafios complexos, promover o desenvolvimento sustentável e facilitar o diálogo entre municípios e atores de todos os níveis, com foco em resultados, integração regional e adaptação às especificidades locais.

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