O ano de 2020 tinha tudo para ser promissor, de grandes negócios e alta na economia. Mas com a chegada do coronavírus, que parou o mundo, tudo mudou, inclusive a rede de turismo, uma das mais afetadas pela pandemia.
Foz do Iguaçu respira turismo. Anualmente recebe milhões de pessoas de todas as partes do mundo que encontram aqui na fronteira o local ideal para lazer, aventura e muita diversão. Mas desde a metade de março o cenário perdeu a vivacidade e o calor humano dos visitantes. Com o fechamento das fronteiras com Argentina e Paraguai e a paralisação dos voos e ônibus, a cidade silenciou. Ficou um mês assim devido ao isolamento social e agora gradualmente está começando a se movimentar. Com isso, surgem as dúvidas quanto à retomada do turismo na cidade e como ele será.
De acordo com uma nota publicada pelo secretário de Turismo, Indústria, Comércio e Projetos Estratégicos de Foz do Iguaçu, Gilmar Piolla, em seu Facebook pessoal, “Foz do Iguaçu adotará protocolos rígidos de segurança sanitária para a retomada das atividades turísticas. Com isso, destino será o primeiro do Brasil a estabelecer medidas concretas para combater a disseminação do novo coronavírus (COVID-19)”.
Ele destaca que o retorno das atividades turísticas será lento e gradual, e o movimento deve começar a partir de julho apenas. “Nosso foco prioritário será o turismo regional e rodoviário, sobretudo aquele em que as pessoas viajam com o seu próprio veículo. A seguir, buscaremos o turista nacional, dos países vizinhos e da América do Sul. Na sequência, o turismo de eventos. E, por fim, os turistas estrangeiros das demais nacionalidades e de todos os continentes”, explica.
Olhando por esse mesmo ângulo, a FGV Projetos elaborou um estudo sobre o “Impacto Econômico do Covid-19: propostas para o Turismo Brasileiro (abril 2020)”, no qual analisa o cenário turístico brasileiro e as medidas que devem ser tomadas para reerguer esse setor. O estudo avalia a queda econômica em comparação com o ano anterior, destacando que as perdas econômicas do PIB do setor em 2019 totalizarão R$ 116,7 bilhões no biênio 2020-2021, o que representa perda de 21,5% na produção total do período. Com isso, será necessário que o turismo como um todo cresça em média 16,95% ao ano em 2022 e 2023, com PIB de, respectivamente, R$ 303 bilhões e R$ 355 bilhões.
O estudo também mostra a importância desse setor para a geração de empregos e economia do país, pois ele está relacionado com os seguintes segmentos:
– Hotéis e pousadas (7,14%);
– Bares e restaurantes (37,45%);
– Transporte rodoviário (17,37%);
– Transporte aéreo (4,78%);
– Outros transportes e serviços auxiliares dos transportes (9,93%);
– Atividades de agências e organizadores de viagens (2,73%);
– Aluguel de bens móveis (2,67%); e
– Atividades recreativas, culturais e desportivas (17,93%).
Nesse caso, para que o setor volte a crescer, é preciso que algumas atividades tornem a funcionar, como é o caso da aviação, que de acordo com o estudo “é sem dúvida a atividade de maior relevância para o desenvolvimento do turismo no Brasil. A circulação em nosso país depende da capilaridade deste modal. Sua cadeia produtiva afeta diretamente a economia dos destinos em que estão instalados aeroportos, bem como sua região de influência. Além disso, a aviação possui condicionantes muito específicas, que envolvem um volume grande de recursos financeiros e infraestrutura de grande porte, o que significa necessidade de trabalhar estrategicamente o tempo, o planejamento e o foco por parte de gestores públicos e privados”.
A Azul Linhas Aéreas anunciou recentemente que voltará a fazer voos para Foz do Iguaçu em maio. Um sinal positivo para a região.
Também, de acordo com a FGV, é necessário olhar para os aeroportos, parques naturais e atrativos turísticos, operação de centros de convenções e outras operações concedidas pelo setor público que são vitais para o dinamismo do setor. Somam-se a isso as micros e pequenas empresas, que são de extrema relevância para a manutenção do comércio e dos serviços no país. A promoção do turismo também é de suma importância, pois é a divulgação do destino que ajudará a alavancar o setor, assim como crédito para as empresas ligadas ao turismo. Mas o mais importante ainda é se preparar para essa nova realidade que vem surgindo, aderindo às novas tecnologias e estudando o mercado e o comportamento das pessoas, que terão grandes mudanças.
“Com o seu dinamismo econômico, por englobar um conjunto de mais de 50 atividades produtivas interligadas, o turismo tem uma capacidade incrível de superação, de autorregenerar-se. Mais do que qualquer outro setor da nossa economia. Afinal, viajar está no DNA do ser humano. A curiosidade, a exploração, a descoberta… Viajar é viver o verdadeiro sentido da liberdade. Sonhos só foram adiados e serão retomados quando isso tudo passar”, espera Piolla.
O potencial turístico de Foz do Iguaçu já foi comprovado inúmeras vezes, e desta vez não será diferente. É preciso manter o otimismo e a esperança de que em breve um novo tempo irá nascer e ele será tão próspero como já foi.
Fotos: 100fronteiras





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