Em um mundo cada vez mais digitalizado, a alfabetização financeira tornou-se uma habilidade crucial desde a infância. A Geração Z, nascida entre 1995 e 2010, está profundamente imersa em um ambiente tecnológico que oferece acesso instantâneo a uma vasta quantidade de informações. No entanto, apesar da disponibilidade de ferramentas digitais, muitos desses jovens ainda demonstram uma gestão conservadora e deficiente de suas finanças pessoais.
Um estudo recente no Brasil lança luz sobre essa questão, revelando insights significativos sobre a forma como os jovens administram seu dinheiro. A pesquisa, conduzida pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em parceria com o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), destaca a necessidade urgente de uma educação financeira sólida desde cedo. O estudo revela que uma parcela significativa de jovens de 18 a 24 anos ainda não controla suas finanças de forma adequada.
Apesar da vasta gama de ferramentas digitais disponíveis, 47% desses jovens não se sentem confiantes em gerenciar suas finanças. Entre os principais motivos para essa falta de controle estão a ausência de conhecimento (19%), a preguiça (18%), a falta de hábitos e disciplina (18%) e a insuficiência de renda (16%). Interessantemente, 26% ainda recorrem a métodos tradicionais, como blocos de notas, para organizar seu orçamento.
O estudo também mostra que 78% dos entrevistados possuem alguma fonte de renda. Entre eles, 36% têm um contrato formal, 23% trabalham de forma informal ou autônoma, e 22% não têm renda. Dos jovens que têm dinheiro poupado, 52% optam por métodos tradicionais de poupança, como contas de poupança (53%), guardar dinheiro em casa (25%) ou em uma conta corrente (20%). Essa abordagem conservadora reflete a falta de educação financeira adequada, já que esses métodos frequentemente oferecem retornos baixos ou nulos. Entre os jovens que não poupam, 51% mencionam que nunca têm dinheiro sobrando, 22% não têm disciplina para poupar e 19% se sentem desanimados pela falta de perspectivas de longo prazo.
Em termos de hábitos de gasto, 56% dos jovens entrevistados frequentemente fazem compras por impulso, 47% às vezes perdem o controle sobre gastos com lazer, e 34% são pressionados socialmente a adquirir produtos que a maioria dos amigos possui. Em contraste, 65% já possuem uma conta corrente, 34% têm um cartão de crédito digital, e 57% utilizam um cartão de crédito tradicional. Entre esses jovens, 25% possuem apenas uma conta bancária digital e 12% investiram em fintechs ou startups financeiras. As dívidas mais comuns incluem parcelas de crédito ou caderneta (26%), empréstimos pessoais ou consignados (21%) e financiamento de carro (21%).
José César da Costa, presidente da CNDL, enfatiza que, apesar das dificuldades econômicas e do alto desemprego que afetam essa geração, investir em educação financeira é crucial. Embora esses jovens tenham uma familiaridade natural com a tecnologia e uma capacidade inata para aprender novas ferramentas digitais, é fundamental que aprendam a administrar seus recursos de forma eficaz. Costa sugere que políticas públicas devem se concentrar em implementar medidas práticas que incentivem hábitos de poupança e planejamento financeiro.
Desempenho do Crédito no Brasil em 2023 e Perspectivas para 2024
No primeiro semestre de 2023, o mercado de crédito no Brasil apresentou padrões interessantes no comportamento dos solicitantes de empréstimo pessoal. Um estudo da Simplic, fintech de crédito pessoal online, em parceria com a Klavi, uma plataforma SaaS especializada em Open Finance, revelou que pessoas entre 25 e 45 anos, com renda de até R$ 3.000, representam 65% dos pedidos de empréstimo pessoal.
A pesquisa mostrou que mais da metade dos solicitantes (51%) possui um contrato formal de trabalho, 26% são trabalhadores autônomos e 9% têm emprego informal. No ano anterior, os empréstimos pessoais foram principalmente utilizados para cobrir despesas recorrentes, sendo os pagamentos de crédito (30%) e despesas com cartão de crédito (29%) os mais comuns. Outros usos incluíram transporte (21%), cuidados com animais de estimação (10%), viagens (9%) e educação (7%).
Bruno Chan, CEO e cofundador da Klavi, destaca que um dos principais desafios enfrentados pelas pessoas das classes C, D e E é o acúmulo de dívidas, o que dificulta o acesso a ofertas de crédito que poderiam ajudar a pagar dívidas mais caras. Esse ciclo cria uma barreira para melhorar a situação financeira, pois clientes com dificuldades para pagar suas dívidas não são atraentes para instituições financeiras.
Para 2024, surgiram novas tendências no mercado de crédito brasileiro. A prática de utilizar empréstimos para investir, embora pareça contraditória, está ganhando popularidade. De acordo com uma pesquisa da Serasa, a motivação principal para as solicitações de crédito em fevereiro foi investir em produtos financeiros como CDB, poupança, Tesouro Direto e fundos, com 39% dos brasileiros indicando esse objetivo. Outros motivos incluem quitar dívidas de empréstimos anteriores (16%), cobrir despesas cotidianas (15%) e pagar contas básicas como luz, água e telefone (13%).
O estudo “Mapa do Crédito” da Serasa, que entrevistou 1.396 pessoas, também revelou que muitos consumidores planejam solicitar crédito, preferindo recorrer principalmente a seus principais bancos ou instituições financeiras. De acordo com os dados, 27% optarão por seu banco principal, 25% recorrerão a uma instituição financeira, 18% considerarão sua empresa de cartão de crédito, e 15% buscarão crédito através de uma conta alternativa em seu banco. Apenas 10% procurarão um banco onde não possuem conta.
Uma tendência emergente é o uso do cartão de crédito como ferramenta de investimento. A pesquisa da Serasa indica que cerca de 40% dos consumidores utilizam o limite do cartão de crédito para fazer investimentos. Essa mudança de percepção destaca o cartão de crédito não apenas como uma ferramenta para compras, mas também como um meio de potencialmente aumentar a renda por meio de investimentos.
Em resumo, o estudo ressalta a urgência de fortalecer a educação financeira no Brasil para garantir que todos os segmentos da população possam acessar e utilizar recursos financeiros de forma segura e eficiente. Essa abordagem não apenas permitirá que os cidadãos aproveitem melhor as oportunidades de investimento, mas também ajudará a proteger sua estabilidade econômica, evitando riscos desnecessários.
Fonte:Assessoria





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