Com o anúncio da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) de um novo aumento na conta de luz, previsto para setembro, o cenário energético no Brasil se torna ainda mais desafiador. A partir deste mês, os brasileiros enfrentarão a temida “bandeira vermelha patamar 2”, a mais cara no setor, que adicionará um custo extra de R$ 7,87 a cada 100 kWh consumidos. A justificativa? A escassez de chuvas, o acionamento de usinas termelétricas fósseis e, como consequência, a elevação das tarifas.

Esse aumento, no entanto, poderia ter sido mais brando. Segundo especialistas, a contínua redução na utilização de fontes renováveis e a alta carga tributária sobre tecnologias de armazenamento de energia são fatores que pressionam as tarifas para cima. A realidade é que o Brasil, apesar de seu imenso potencial, está 10 anos atrás no uso de baterias comparado ao restante do mundo. As baterias, que poderiam aliviar a pressão sobre o sistema elétrico, sofrem com uma carga tributária que ultrapassa os 80%.

Em meio a esse cenário de incertezas, a busca por soluções alternativas, como a energia solar, tem ganhado força. De acordo com a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), a procura por sistemas solares cresceu em média 20%, impulsionada pelo aumento das tarifas e pelo acesso facilitado ao crédito. O payback, ou seja, o tempo necessário para que o investimento se pague, também caiu para pouco mais de três anos – uma redução histórica que torna a energia solar ainda mais atraente para residências e empresas.

Em maio, o Brasil ultrapassou a marca de 29 GW de capacidade instalada em sistemas próprios de energia solar fotovoltaica. Esse crescimento reflete a busca por independência energética e pela redução dos custos, em um cenário onde mais de 3,7 milhões de unidades consumidoras já se beneficiam da energia solar.

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A Absolar projeta que, até 2031, a geração distribuída de energia solar fotovoltaica pode gerar uma economia líquida de R$ 84,9 bilhões na conta de luz dos brasileiros. Contudo, essa economia só será plenamente realizada se o Brasil investir em infraestrutura, especialmente em linhas de transmissão e em novas formas de armazenar energia limpa e renovável.

O aumento da demanda por energia solar é um reflexo direto das incertezas no setor elétrico brasileiro. Com a oscilação das tarifas e o constante aumento dos custos, o consumidor busca alternativas mais sustentáveis e econômicas. Entretanto, para que o Brasil assuma um papel de liderança na transição energética global, é necessário um esforço conjunto para reduzir os impostos sobre tecnologias de armazenamento e fortalecer o planejamento de infraestrutura.

Em suma, a energia solar surge como uma solução promissora para enfrentar a crise energética, mas para que seu potencial seja plenamente realizado, é preciso que o país avance em sua política de incentivo às fontes renováveis e tecnologias de armazenamento. Só assim será possível garantir uma economia robusta, competitiva e, acima de tudo, sustentável para o futuro.

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