Vinhos brancos e laranjas: Sommelier esclarece as diferenças entre eles

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Branco, rosé, tinto ou laranja? Sim, a cor do vinho pode ser laranja e ele não é mais nenhuma novidade no mundo da enologia, mas ainda suscita dúvidas entre os consumidores. A técnica foi desenvolvida há milhares de anos na República da Geórgia, no Cáucaso, e, nos últimos anos, os rótulos desta coloração vêm conquistando os paladares ao redor do mundo.

O sommelier da Enoteca Decanter Blumenau, Sidney Lucas, comenta que os vinhos laranjas são muito confundidos com os brancos, já que são produzidos a partir de uvas brancas, porém, o processo é semelhante à produção dos tintos, onde as cascas permanecem durante a fermentação. “O vinho laranja pode ser definido como um branco, produzido de uma forma similar ao tinto, ou seja, o suco de uva fica em contato com as cascas por um longo período”, explica.

Por outro lado, os vinhos brancos são feitos com uvas brancas ou tintas. Quando feito com uvas brancas o mosto tem contato com as cascas por algumas horas enquanto fermenta, quando produzido com uvas tintas, não há contato com as cascas para não colorir o mosto. No caso do vinho laranja, o contato com as cascas é maior, podendo passar vários dias, o vinho adquire essa coloração marcante e diferenciada, que pode ter gradações que vão desde o dourado intenso até o âmbar, seja brilhante ou um pouco turvo, que decorre do processo de maceração das uvas brancas com o mosto – processo anterior à prensagem da fruta-, tal como se produzem os vinhos tintos”, comenta.

O sommelier também destaca que o vinho laranja está ligado com as produções orgânicas, biodinâmicas e naturais, ou seja, não faz o uso excessivo de químicos nos vinhedos ou na fermentação, com baixa possibilidade de intervenções humanas durante o processo de fermentação.

Harmonizações

O vinho laranja é muito versátil à mesa. Mas, o sommelier ressalta que este tipo de vinho é muito intenso, complexo e diferente no sabor. “Os vinhos laranjas possuem a presença do tanino de forma mais intensa, lembrando o sabor dos vinhos tintos delicados”, explica.

O aroma e sabor intensos também chamam a atenção. Sidney comenta que este tipo de vinho possui uma complexidade ímpar, revelando desde notas florais, frutas secas, ervas e amêndoas, além de fortes acentos minerais.“Nas harmonizações, ele é versátil, acompanhando desde carnes vermelhas, aves, frutos do mar ou comidas temperadas”, observa.

Produção em solo brasileiro

A produção deste tipo de vinho também vem ganhando destaque. A Itália é o maior produtor de vinhos laranjas no mundo, com grandes produtores, mas, países como a Eslovênia, Estados Unidos, Croácia, Nova Zelândia e Brasil vem mostrando um grande potencial na produção dos vinhos laranjas.

Entre os rótulos mais apreciados, podemos destacar o Gravner Breg 2007, de origem italiana. “O vinho proporciona uma explosão de aromas, que vão desde frutas secas, como damasco e avelã, até toques com casca de laranja e açafrão”, comenta.

Outro vinho imponente é o Gravner Ribolla Gialla 2008. Sidney comenta que o rótulo é produzido por meio do método de cultivo natural, ou seja, sem uso de insumos químicos. “A fermentação é natural, em ânforas de terracota, podendo chegar a cinco meses de maceração do vinho”, finaliza.

DecanterUma das maiores e mais destacadas importadoras de vinhos do Brasil, a Decanter foi eleita a Importadora do Ano, na edição anual de vinhos da revista Gula. Fundada em Blumenau, em 1997, conta com mais de 50 distribuidores por todo o país, além da rede de Enotecas Decanter. Seriedade, respeito ao cliente e uma política de preços convidativos têm sidos alguns dos suportes desse crescimento. No entanto, é a esmerada seleção de vinhos que dá corpo à empresa.




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