O mais importante reconhecimento internacional para os trompistas será tema de documentário com lançamento em 2022.

O músico Israel Oliveira, da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, conquistou o Prêmio Punto da International Horn Society em agosto, pela criação de uma rede que uniu trompistas de toda a América Latina.

O projeto completa um ano nesta quinta-feira 30 de setembro, com o lançamento de um videoclipe com parte dessa história. O acesso poderá ser feito via redes sociais, como Facebook, Instagram e Youtube do grupo, além do site: https://latinoamericahorns.com,

Israel foi o responsável pela criação de uma rede de trompistas brasileiros, para apoiar os músicos durante a pandemia.

A iniciativa cresceu e se alastrou com o nome de Coronahorns, e há um ano se transformou no LatinoAmericaHorns, o primeiro coletivo de trompas da América Latina.

O grupo reúne mais de mil músicos deste instrumento e é dirigido por Oliveira com a participação dos brasileiros Nadabe Tomás, Gleice Viana e Fábio Flatschart; do argentino Cesar Ahumada; do peruano Jorge Montoya e da venezuelana Gabriela Ibarra.

O documentário

Os encontros virtuais do LatinoAmericaHorns chamaram a atenção de quatro pessoas que vão transformar o projeto e sua escalada até a maior premiação mundial do instrumento em um audiovisual inédito.

A equipe é formada pela documentarista Sandra Porciúncula e o editor de imagens João Sauer, que já receberam prêmios por seus trabalhos em documentários, e a relações públicas Ester Chaves Rodrigues, especializada em espetáculos eruditos, sob a direção da comunicadora Claudia Antonini.

O objetivo é lançar o documentário em agosto de 2022, na próxima edição do Prêmio Punto da International Horn Society, durante o Encontro Anual da Entidade de 01 a 06 de agosto na A&M University-Kingsville no Texas (EUA).

O aprendiz que virou mestre

Israel Oliveira é natural de São Paulo e chegou à trompa graças a um projeto social e ao apoio de um dos mais importantes trompistas da história no Brasil, Ozeas Arantes. Oliveira é trompista solo da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre e professor da classe de trompa do Conservatório Pablo Komlós, a Escola de Música da OSPA.

Atua em formações de música de câmara, bandas sinfônicas, orquestras e festivais de música no Brasil e na América Latina.

Em 2018, coordenou o 5º Encontro Brasileiro e 2º Encontro Latino-Americano de Trompistas e representa a Associação Brasileira de Trompistas na região Sul do Brasil.

Em 2020, ele percebeu a desmotivação dos músicos diante da impossibilidade da realização de espetáculos e criou o grupo CoronaHorns para incentivar seus alunos e os músicos isolados.

O coletivo ultrapassou fronteiras e deu lugar ao LatinoAmericaHorns, com músicos de toda a América Latina. Com mais de 230 horas de lives realizadas, em encontros diários, a rede se transformou em espaço para compartilhar ideias, conhecimentos e amizade.

Encontros e histórias – As atividades se tornaram oportunidades para muitos músicos que puderam ter contato direto e aprender com grandes referências da música no mundo, entre eles Bayres Horns, da Argentina, German Brass, da Alemanha, Octeto Feminino, do Brasil, Canadian Brass, do Canadá, American Horn Quartet e Boston Brass, dos Estados Unidos, Venezuela Horns, da Venezuela, além de masterclasses com nomes como Gordon Campbell e David Cooper, dos Estados Unidos, Luiz Garcia, do Brasil, Abel Pereira e Ricardo Matosinho, de Portugal, Philip Doyle, da Inglaterra, Sarah Willis, da Alemanha, Will Sanders, da Holanda, Ignacio Garcia e Matias Piñera, do Chile, Joshua Pantoja, de Porto Rico, Luca Benucci e Giovane Hoffer, da Itália, e Radovan Vlatkovic, da Croácia, entre dezenas de outros mestres da trompa no mundo.

O LatinoAmericaHorns abriu espaço para histórias de vida e encontros. O trompista norte-americano David Bryant, já fora dos palcos e uma brilhante carreira na Europa, foi um dos convidados a participar das lives do grupo.

“Ele ficou muito emocionado e confessou que estava totalmente afastado do cenário musical e que não queria mais saber da trompa. Depois de participar do encontro virtual, Bryant retomou a prática com o instrumento e até voltou a dar aulas de música”, celebra Israel Oliveira.

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Foto: C. Avila.

Outra conquista foi da jovem musicista argentina Ornella Tallarita, de apenas 15 anos, que venceu o primeiro concurso infanto-juvenil para trompa do LatinoAmericaHorns. A partir da visibilidade alcançada e a ajuda de uma campanha de mobilização do coletivo, hoje, estuda com uma bolsa na Academia de Metais de Alicante, na Espanha, com a renomada trompista Nury Guarnaschelli.

A rede também reuniu músicos de uma mesma família da Venezuela, uma das mais tradicionais da trompa no mundo.

“Em uma live, promovemos o encontro de 24 membros da família Aragón, muitos deles são os primeiros trompas de diversas orquestras do planeta, que não se viam há vários anos”, destaca Oliveira.

“O LatinoAmericaHorns possibilitou encontros até então impensáveis e democratizou o acesso ao conhecimento com o contato com grandes mestres da trompa no mundo”, orgulha-se.

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