Este é um tema delicado, as vezes difícil para alguns casais, por isso, conversamos com dra. Neiva Balestreri, que é psicóloga, especializada em terapia de casais, famílias, e sexualidade humana, com habilitação em terapia sexual.

A maternidade pode ser um sonho de uma mulher e ao mesmo tempo um temor, é um tema que divide opiniões. Como estamos no mês das mães, conversamos com a dra. Neiva sobre a maternidade e como manter uma relação saudável com a chegada dos filhos.

É de grande importância, para toda mulher que for passar pelo processo da maternidade, que ela tenha o apoio do companheiro ou da família para poder ter uma gestação saudável.

A conversa é algo indispensável neste momento, e é chamado de “enxoval emocional”. Este é o momento em que o casal precisa estar ciente sobre as mudanças que vão acontecer com a chegada do filho, como por exemplo, o afastamento natural entre os pais. O enxoval emocional é uma preparação do que está por vir.

Por que este afastamento?

“A chegada do filho é uma fase em que a mulher estará focada nos cuidados com o bebê, e o marido fica um pouco de lado. Mas ainda assim ele pode se fazer presente. Compreendendo que este é um período provisório e que a presença dele é fundamental nos cuidados com o bebê e principalmente no apoio emocional que a mãe está precisando nesta fase da maternagem.”

explica a dra. neiva.

Então, nesta fase, o marido é o pilar emocional para a recente mamãe. Além disso, envolve uma questão hormonal, física e emocional que faz com que esta mãe fique ainda mais frágil.

A maternagem é o período inicial da maternidade em que a mulher precisa ter todo um cuidado com o desenvolvimento emocional e física da criança nos primeiros meses. Dra. Neiva explica que, quanto mais a mãe conseguir estar tranquila para manter o bebê aconchegado com ela, melhor vai ser o desenvolvimento de confiança e apego do bebê. É importante lembrar que os sentimentos da mãe reflete na criança.

A importância da rede de apoio

A rede de apoio é algo que deveria ser combinado durante a gestão, no enxoval emocional, uma das partes importantes é estabelecer a rede de apoio para causar menos transtornos possíveis, por exemplo:

Quem vai ajudar nos cuidados? Como vão ser as visitas no dia a dia? Como vai ser a organização?

Além disso, conversar sobre coisas que vão acontecer neste período em que a mãe vai estar mais voltada ao bebê é essencial. Na intimidade do casal, como eles podem conversar sobre isso para que o parceiro entenda que esta é uma etapa.

Resgatando a mulher

Depois deste período da maternagem, o pai tem o importante papel de resgatar a mulher, pois pode acontecer de algumas mães não conseguirem retornar ao “papel de mulher” que possuem e ficam exclusivamente se dedicando aos filhos. Ela deixa de fazer a função de mulher e esposa e só fica na função de mãe.

A fase de “mãe” vai de mulher para mulher, mas tudo vai depender da mulher conseguir dividir os papeis, pois ela nunca mais vai ser só mulher, ela também vai ser mãe.

“Não tem um período definido. Pode ser depois dos primeiros meses da criança, até um ano de idade mais ou menos, que é quando a criança começa a se defender. E, então, a mãe começa a voltar para o papel de esposa e mulher.”

É  função do homem ajudar a construir uma rede de apoio segura (amigos, familiares, cuidadores) para que a mulher reinicie aos poucos a conexão com o mundo, com a sua própria vida e consiga redescobrir a mulher que existe dentro da mãe para então realocar a energia para o casal.

“Casais determinados sabem que não são os filhos que apagam a chama do desejo, mas que são os adultos que não conseguem mantê-la. Quando notar o desejo em crise, é preciso que ambos fiquem ativos e conscientes para buscar ajuda quando necessário.”

finaliza dra. neiva.

Esta matéria se estende a todas as configurações familiares que podem ser estabelecidas com a chegada do filho.

Comentários

Deixe a sua opinião