Falar da história da saúde em Foz do Iguaçu é lembrar a importância dos médicos e dos hospitais da cidade, que trabalham salvando vidas. E a Unimed Foz faz parte dessa história desde 1989, quando foi criada no município a cooperativa Unimed.

Dr. Isidoro Villamayor, médico especialista em cirurgia geral, foi um dos responsáveis pela criação da cooperativa na cidade. “Sou paraguaio, nascido em Assunção. Em 1978, decidi estudar medicina no Brasil. Fui então para Maceió e estudei na Universidade Federal de Alagoas. Quando estava no sexto ano, me mudei para o Rio de Janeiro e fiz especialização em cirurgia. Quando a residência acabou, me mudei para Foz e comecei a trabalhar no Hospital Madeirinha, de Itaipu. Em 1989, havia poucos médicos na cidade, e juntos decidimos criar uma cooperativa médica, algo que foi muito desafiador. E com isso nasceu a Unimed Foz. Além de Foz, houve outras singulares [sedes] da Unimed criadas no Paraná na mesma época”, relata o médico.

Dr. Isidoro Villamayor- Unimed Foz
Dr. Isidoro em visita à 100fronteiras. (Foto: 100fronteiras)

Em 1999, junto com um grupo de cooperados, concorreu na eleição desse ano e ficou na administração por dois mandatos (quatro anos). Depois, afastou-se para dedicar-se à sua carreira médica de cirurgião, embora participando de outros cargos como diretor clínico do HMCC e da diretoria da Associação Médica de Foz do Iguaçu.

Em 2012, novamente os cooperados, em nova eleição, decidiram concorrer à diretoria da Unimed, e desde 2013 ele ocupa novamente o cargo de presidente, inclusive sendo reeleito para o terceiro mandato por mais quatro anos adicionais.

Desafios da profissão e da gestão da Unimed Foz

Dr. Isidoro destaca que o sistemacooperativista se contrapõe aos interesses econômicos e a medicina sofre um rápido processo de mercantilização, sendo que quem mais sofre é o próprio médico, porque aos poucos ele perde seu protagonismo e acaba sendo pressionado a submeter-se a esses critérios financeiros. “O nosso maior desafio é conciliar o lado empresarial do profissional do médico.”

Mas de modo geral, os médicos que fazem parte da cooperativa Unimed têm grandes benefícios. “Em primeiro lugar, a gestão da cooperativa é democrática. Então podemos, de forma ativa, ingerir na gestão do negócio. Há grandes benefícios para os cooperados, como, por exemplo, nesse momento de pandemia, oferecemos um suporte financeiro aos cooperados para passar por isso. No ano passado, abrimos linhas de crédito para os cooperados. Além disso, a cooperativa tem um plano de saúde específico, que é a Unimed. Enfim, uma série de benefícios que os médicos têm, além das sobras que são investidas no próprio médico, usado em benefício dele, o que demonstra as vantagens do sistema cooperativo”, ressalta.

Segundo o doutor, hoje existem cerca de 17 milhões de beneficiados pelo plano de saúde em toda a rede das 345 cooperativas Unimed no país. E só no Paraná há 22 cooperativas Unimed. Com isso, a Unimed é o único plano de saúde que tem atendimento em todo o Brasil, pois a cobertura do plano é nacional.

Já com relação à cooperativa, em Foz atualmente há cerca de 190 médicos cooperados, sendo que a cidade comporta em torno de 600 médicos, incluindo outros da região que atuam aqui.

Pandemia: um desafio diário

Apesar de toda a sua experiência médica e de seu trabalho frente à cooperativa, um dos maiores desafios da carreira do Dr. Isidoro é, sem dúvidas, a pandemia de coronavírus.

“Existe uma proliferação muito grande da carreira da medicina e, com isso, houve dificuldade na qualificação do médico, o que apresenta maior dificuldade de especialização e experiência, configurando em grande dificuldade de ingressar no mercado de trabalho atualmente. Sem contar que tem havido uma pressão muito grande para preparar o médico para assumir esse novo desafio, que é a covid-19. Temos muita carência de mão de obra especializada, não só de médicos intensivistas, como enfermeiros e fisioterapeutas, por exemplo”, explica.

No entanto, apesar da carência profissional, o doutor manifesta sua preocupação geral com a população brasileira, que se comporta como se o vírus não existisse e não fosse fatal. “É inútil a população pensar que a solução é abrir mais leitos de UTI, porque a capacidade de criar novos leitos de cuidados adequados de covid acabou. Isso porque não tem mais profissional qualificado para isso. O que tem que fazer é investir para evitar que a população precise de UTI, porque hoje no Brasil, a cada dez pacientes de UTI, seis estão morrendo. Então criar mais leitos de UTI não é a solução, e é muito perigoso pensar nessa hipótese”, para o problema da covid, adverte.

Por isso, ele reforça a importância de conter a disseminação do vírus, para que as pessoas não precisem de um leito de UTI. “Temos três protagonistas pra enfrentar a covid: poder público, saúde e população. No entanto quem precisa melhorar é a população. Concordo que lockdown não é a solução, mas num país com uma cultura como a do Brasil o lockdown se torna necessário para impor o distanciamento social, que até o momento é a melhor forma de evitar a doença, assim como a vacina.”

Unimed Foz

Dr. Isidoro frisa também que há um grande desafio na gestão da cooperativa Unimed nesse momento. “É muito angustiante, porque vemos as pessoas sofrendo e os familiares sofrendo, e é uma doença que está se tornando muito traiçoeira. E, dentro do trabalho na cooperativa, precisamos dar assistência aos médicos, que estão esgotados física e emocionalmente. Hoje, graças à vacina, os médicos estão sendo vacinados, o que alivia um pouco essa angústia. Mas é complicado lidar com isso, temos que dar soluções aos médicos, somos a última instância para eles.”

Para ajudar a solucionar o problema de falta de leitos em Foz do Iguaçu e por conta das dificuldades do HMCC, em fevereiro deste ano, o Hospital Unimed passou a atender pacientes com covid.

“O Hospital Unimed foi iniciado nos anos 2000 com pronto atendimento e aos poucos vimos a necessidade de expandir os atendimentos. Então criamos um setor de internação e hoje temos 28 leitos disponíveis para atendimentos de baixa e média complexidade. Quando o HMCC lotou, o Hospital Unimed abriu uma unidade de cuidados críticos da covid, com leitos para dar suporte aos beneficiários, enquanto aguardam possíveis transferências. São leitos destinados aos beneficiários do plano Unimed, além de atendimento particular e alguns convênios”.

Dr. Isidoro villamayor

A medicina preventiva é o futuro

Para o Dr. Isidoro, a telemedicina tem de ser mais um instrumento para o médico, não podendo ser um fim por si próprio, mas um instrumento que facilite o trabalho. “Tem áreas que se aplica muito bem, como psiquiatria e psicologia, mas uma área de cirurgia não tem como, porque tenho que examinar o paciente, então a telemedicina não pode substituir a medicina tradicional”, reforça.

Além disso, para o médico trabalhar a prevenção no Brasil ainda é um grande desafio. Ele evidencia que hoje é possível trabalhar a prevenção em muitos casos, até mesmo no coronavírus, por meio do distanciamento social, uso correto de máscara e álcool em gel. “Essa é a forma menos dolorosa de prevenção, mas falta conscientização por parte da população de seguir o distanciamento social para evitar chegar até a UTI. Acredito na vacina, pois a solução definitiva passa pela vacinação, mas não é a solução total, pois está previsto que a cada ano a doença esteja se mutando, então hoje a vacina é eficaz para essas variantes, mas não sabemos até quando será”, alerta.

Dr. Isidoro Villamayor- Unimed Foz
Dr. Isidoro é o atual presidente da Unimed Foz.

Fotos: Assessoria Unimed Foz

Democracia Inabalada.

Formada em Jornalismo na UDC e pós-graduada em Relações Internacionais Contemporâneas na Unila, atualmente é jornalista da 100fronteiras e recentemente conquistou pela 100fronteiras o primeiro lugar no 1º Prêmio Faciap de Jornalismo.

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