Com mais de 40 mil casos diagnosticados por ano, o câncer de intestino é a segunda maior causa de morte por câncer entre as mulheres e a terceira entre os homens no Brasil. Só no Paraná, são registrados anualmente mais de 2,5 mil casos, sendo cerca de 400 apenas em Curitiba, segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA).

Os tumores intestinais geralmente crescem silenciosamente. Os sintomas que aparecem apenas quando o câncer progride são sangue nas fezes, mudança nos hábitos intestinais (diarreia e constipação alternadas), necessidade frequente de ir ao banheiro, sensação de esvaziamento incompleto, dor ou desconforto no abdômen ou ânus, fraqueza, anemia , gases ou inchaço e perda de peso sem motivo aparente.
 

De acordo com a médica coloproctologista do Centro de Cirurgia, Gastroenterologia e Hepatologia (CIGHEP) do Hospital Nossa Senhora das Graças (HNSG), Dra. Mariane Savio, o principal exame para investigação de câncer colorretal é a colonoscopia.
 

“A colonoscopia é um exame indolor, realizado sob sedação, recomendado para todos os pacientes a partir dos 45 anos ou antes se houver algum histórico familiar de câncer de intestino. Ao identificar pólipos, os mesmos são removidos imediatamente na maioria dos casos”, explica Mariane.

Segundo a especialista, os pólipos são pequenas lesões e inchaços, parecidos com verrugas, que podem surgir na parede interna do órgão e podem evoluir para tumores malignos. Como não causam sintomas, a colonoscopia é o único exame que identifica e remove as lesões para evitar o câncer de intestino.

“Os pólipos são o crescimento anormal de células. Em geral, eles são assintomáticos, os mais comuns são benignos, e são detectados e removidos durante o exame. Isso previne o desenvolvimento de câncer colorretal”, afirma a coloproctologista.

Câncer de intestino no Paraná

A taxa de incidência de câncer de intestino no Paraná é uma das maiores do país. São diagnosticados cerca de 20,8 casos a cada 100 mil habitantes. A incidência só é menor que Rio de Janeiro (25,35), Santa Catarina (32,4) e São Paulo (33,1).

*Representação espacial das taxas ajustadas de incidência de câncer de intestino por 100 mil habitantes (homens à esquerda, mulheres à direita) estimadas para o ano de 2020, segundo Unidade da Federação │ Fonte: INCA

Prevenção

Uma alimentação e estilo de vida saudáveis são aliados fundamentais na prevenção de doenças. Uma dieta rica em fibras, frutas e vegetais frescos parece proteger contra doenças, enquanto o consumo de gorduras animais e álcool, obesidade, sedentarismo e tabagismo são fatores de risco para câncer de intestino.

Tratamento

Uma vez detectado, o câncer de intestino deve ser tratado de forma eficaz e rápida. A cirurgia é o tratamento inicial para remover a parte afetada do intestino e os gânglios linfáticos (pequenas estruturas que fazem parte do sistema de defesa do corpo) dentro do abdômen. Outras etapas do tratamento incluem radioterapia (uso de radiação), com ou sem quimioterapia (uso de medicamentos), para reduzir a probabilidade de recorrência do tumor.
 

Segundo o cirurgião do aparelho digestivo, e especialista em cirurgia oncológica com ênfase em câncer gastrointestinal, do CIGHEP, Dr. Leonardo Andriguetto, a cirurgia é um procedimento delicado, mas que em geral o resultado é satisfatório.

“O pós-operatório geralmente é muito bom, com restrições apenas de determinados tipos de atividades físicas e esforços. Mesmo a alimentação tende a ser normal logo nos primeiros dias de cirurgia. Em casos específicos e bem selecionados, a cirurgia robótica é uma ótima aliada. Na maioria dos casos a via laparoscópica, também minimamente invasiva, é a via a ser utilizada”, diz Andriguetto. “Naturalmente tudo depende de quão avançado encontra-se o câncer no momento do diagnóstico”, finaliza o cirurgião.

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