Apesar da pandemia ter ofuscado a dengue, está é uma doença que sempre esteve ativa, mesmo que com poucos casos, estava “voando” por aí.

Agora entramos em um período complicado, pois os meses de abril e maio costumam ser os piores por causa do tempo (chuva e calor). Na terça-feira (03), o estado do Paraná divulgou o boletim semanal da dengue que confirmou mais quatro mortes em decorrência da doença, aumentando para nove o número total de óbitos no Paraná.

Os dados são do 36º Informe Epidemiológico do novo período sazonal da doença, que iniciou no dia 1º de agosto e segue até julho de 2022.

O boletim registrou 109.574 casos de dengue no Paraná. São 15.230 a mais na comparação com a semana passada. Além disso, há 37.048 confirmações de casos, um aumento de 23,45% em sete dias.

Veja o boletim completo aqui.

Dengue em Foz do Iguaçu

Em Foz do Iguaçu foi divulgado na quinta-feira (05) o boletim, no qual foram notificados 6.049 e confirmados 427 casos de dengue, a região leste é a mais crítica da cidade, concentrando 32% dos casos.

A faixa etária que representa a maioria dos casos são entre 15 e 29 anos, sendo 36% dos casos de dengue. No boletim, não aponta óbitos, porém, na quinta-feira o município registrou a primeira perca, “suspeita de dengue”. Trata-se de uma criança de 7 anos, ela foi internada no Hospital Ministro Costa Cavalcanti em estado grave, segundo a nota, o caso está sendo investigado.

Você pode ver o boletim de Foz do Iguaçu clicando AQUI.

Entramos em contato com a Secretaria da Saúde, mas até a publicação desta matéria não tivemos retorno.

De acordo com o portal H2Foz, o município está usando uma nova medida no combate a dengue, trata-se da instalação de Estações Disseminadoras de Larvicida (EDLs), um projeto desenvolvido pela Fiocruz Amazônia junto com o Ministério da Saúde.

Como as Estações Disseminadoras funcionam?

Elas basicamente utilizam água em um pote plástico de dois litros recoberto por um tecido sintético impregnado de larvicida. O instrumento atrai as fêmeas do Aedes aegypti para colocar ovos e ao pousar elas se impregnam com o larvicida presente nas estações. As fêmeas, impregnadas com larvicida, ao visitarem criadouros acabam contaminando outros recipientes com o inseticida que impede o desenvolvimento das larvas e pupas, reduzindo a infestação e, por conseguinte, o avanço da doença.

O fumacê, que era aplicado nos bairros nos anos anteriores foi suspenso, pois o mosquito ficou resistente ao veneno. Então a limpeza de terrenos baldios e quintais são as principais medidas de combate a dengue.

As unidades básicas de saúde continuam sendo referências para atendimentos a casos suspeitos de dengue. Os principais sintomas são febre, dor de cabeça, dores pelo corpo, e náuseas. O aparecimento de manchas vermelhas na pele, sangramentos (nariz, gengivas), dor abdominal intensa e contínua e vômitos persistentes podem indicar um sinal de alarme para formas graves da doença.

Já existe tecnologia para erradicar a dengue

 A situação de dengue é crítica, apesar de o Paraná contar com uma biotecnologia sustentável, desenvolvida no estado, e que foi capaz de erradicar a doença na cidade de Ortigueira.

O Projeto Controle Natural de Vetores desenvolvido pela Forrest Brasil Tecnologia, com trabalho de cientistas brasileiros e israelenses, é realizado no município em parceria com a empresa Klabin, desde novembro de 2020.

Em um ano, a redução foi de 90% no número de larvas viáveis encontradas em campo. Neste ano epidemiológico não foram registrados casos de dengue no município, enquanto municípios vizinhos, como Tibagi, vivem uma epidemia.

Como funciona o projeto? O método é baseado na tecnologia TIE – utilização do Inseto Estéril – em que os mosquitos são soltos de forma massiva.

Os machos estéreis se acasalam com as fêmeas selvagens, que deixam de procriar, provocando uma imediata redução na infestação do mosquito e disseminação de doenças como a Dengue, Chikungunya, Zika e Febre Amarela.

O estudo é reconhecido pela comunidade científica internacional, sendo publicado no Journal of Infectious Diseases, revista médica revisada por pares, editada pela Oxford University Press em nome da Sociedade de Doenças Infecciosas da América, principal referência na área. A Secretaria de Saúde do Paraná também reconhece e aprova a tecnologia, com disponibilidade de ser aplicada em várias regiões do estado.

Questionamos a Secretaria da Saúde sobre a possibilidade de aplicar o projeto em Foz, ou se já foi testado, porém até a publicação desta matéria não tivemos respostas.

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