Para muitos casais, viver 24 horas por dia no início do relacionamento é um sonho.

Mas logo após o casamento muito acabam lutando para voltar a ter seu espaço e sua individualidade.Porém neste período atípico pelo qual estamos passando não é fácil viver 24 horas por dia no mesmo espaço, sem um “respiro”.

Para conseguir manter a individualidade dentro do mesmo espaço se deve ter atitudes com “respeito” à individualidade de cada um. Mesmo com muitos desafios e demanda em pouco espaço nos tirando da “janela de tolerância”, isso pode repercutir na vida do casal (filhos, doença, depressão, quadros ansiosos, perda financeira). Ou seja, a vulnerabilidade existe, mas podemos superar com resiliência os obstáculos, com equilíbrio emocional e as adaptações necessárias.

O número de discussões, brigas e possíveis separações tem aumentado. Uma mostra é o jornal Global Times(2020), que publicou o aumento na procura dos cartórios para solicitar separação na China, revelando que esse número só tem aumentado consideravelmente. Em torno desse movimento muitos memes e piadas fazem sucesso na web.

Por isso convidamos a psicóloga Rubiamar Danielli, especialista em Sistêmica Familiar e Casal Terapeuta EMDR (EUA),do Institute EMDRIA Brainspoting, para nos auxiliar nessa abordagem e ajudar os casais que estão passando por esse momento delicado em seus relacionamentos.

Partiu chamar seu/sua parceiro(a) para aprender um pouco mais:

A psicóloga Rubiamar lembra que é preciso ter a consciência deste momento, que é 24 horas ampliado e delicado, por outro lado aprender com isso. John M. Gottman é um pesquisador e clínico psicológico americano diz que a “coisa mais importante do casal é a conexão”.

Ou seja, a tempestade chegou, estamos no mesmo barco, mas vamos nos socorrer, estamos juntos. Em vez de críticas negativas, que possam refletir positivamente, redescobrir, reinventar, criar ou desenvolver estratégias saudáveis, com rotinas diferentes (diálogo olho no olho, colaboração nos afazeres domésticos, assistir a filmes, aprender novas receitas, cozinhar, cronograma financeiro, planejar viagem, reeducação alimentar, exercícios físicos, dança de salão, até como novo estilo de vida, etc.), aproveitar ao máximo o que, por falta de tempo, não conseguiram realizar anteriormente. Seja o casal ou com os filhos.

O que parecia ser estressante e ruim pode transformar-se em algo prazeroso, no fortalecimento da conexão, do apego seguro, da tranquilidade e segurança das questões relacionais de casais/filhos família.

Psicóloga Rubiamar Danielli
  • Para evitar atrito, o primeiro passo: pôr em prática as estratégias que desenvolveram juntos, sob o novo olhar com perseverança e disciplina. Assim, evoluir, aumentar a flexibilidade, desfazer as amarras. Parece “clichê”, mas é simples, de tão simples esquecem que um relacionamento é semelhante a uma “planta”,que tem de ser regada para crescer e viver. Amor é construção mútua, portanto elogie, seja grato. Principalmente nesta fase, em que se necessita de atenção recíproca e cuidados redobrados.
  • Segundo passo: antes de resolver discussões, exercite a mente com pensamentos construtivos. Respire profundamente três ou mais vezes e solte o ar bem suavemente pela boca. Saiba ouvir e respeitar o outro, pois amar o outro é também amar as imperfeições. Essa talvez seja a parte mais difícil do ser humano. Mas, acredite, é possível. Afinal nosso cérebro tem a neuroplasticidade, que é a capacidade de reorganizar, formar novas conexões mentais ao longo da vida.

Na clínica onde a psicóloga Rubiamar atua ela tem visto o aumento também de procura por ajuda, pois diante do confinamento alguns casais apresentaram muitas dificuldades relacionais, não estão conseguindo lidar com a nova realidade, o que é compreensível diante de uma situação totalmente atípica envolvendo nossa saúde. Toda mudança brusca pode gerar ansiedades e conflitos. Cada casal tem sua dinâmica e seu padrão de funcionamento, (1ºfuncional ou 2ºdisfuncional). No primeiro, lidam melhor e criam maneiras de ajustamento, por si mesmos. No segundo, podem aflorar sentimentos de ativação das crenças negativas que estavam enraizadas ou camufladas, vindo à tona os traços de heranças transgeracionais da família de origem.

Esses são indicativos de auxílio de terapia de casal. Nesse sentido, será avaliada sistemicamente a dinâmica do padrão de funcionamento do casal e também individual. Se na história clínica for constatado algum trauma de infância, adolescência ou atual (ex.:nunca se sentiu amado, medos, abusos, rejeição, criticas excessivas, relacionamento abusivo, traição, brigas verbais ou físicas dos pais/avós, entre outros), serão ampliados os recursos terapêuticos com a Terapia EMDR, promovendo a cura dos eventos traumáticos, para integrar, reconectar e corresponsabilizá-los nas decisões, com maturidade a alcançar seus próprios objetivos.

A respeito disso, Silvana Ricci Salamoni cita em seu livro Casal em Foco uma afirmação de (Sieguel, 2016, p. 6) que: “O EMDR e a Terapia Familiar Sistêmica transportam as dificuldades relacionais de um estado não integrado, para um nível de funcionamento coerente. Tal facilitação pode tirar um casal ou família do caos e rigidez, para um fluxo harmonioso de integração e bem-estar”.

Agora coloque em prática tudo o que aprende e lembre-se de que as palavras-chaves para este momento têm de ser: amor, respeito e gentileza!

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