Segundo o cardiologista do Grupo Hygea, André Bernardi, até 20% dos pacientes em uma coorte na China demonstraram lesão cardíaca, frequentemente associada a doenças mais graves. Eles eram mais propensos a ser mais velhos, ter Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (SDRA) e apresentar taxas de mortalidade mais altas.

Estudos observaram um aumento da carga de doenças cardiovasculares (4% -14%) e comorbidades cardiovasculares em pacientes com COVID-19, frequentemente associadas a um aumento da morbidade e mortalidade.

O risco de lesão cardíaca, evidenciado pelo aumento dos níveis de troponina – proteínas que participam do processo de contração muscular no músculo esquelético e cardíaco -, era de até 22% em pacientes de UTI.

Curiosamente, até 12% dos pacientes sem doença cardiovascular conhecida tinham níveis elevados de troponina ou sofreram parada cardíaca durante a hospitalização para COVID-19. A fisiopatologia da lesão está sob investigação, mas algumas apresentações parecem relacionadas à tempestade de outras proteínas secretadas por células e que afetam o comportamento das células vizinhas portadoras de receptores adequados (citocina).

Bernardi também reforça que um estudo alemão evidencia que, após dois meses do diagnóstico, os cientistas submeteram os pacientes já totalmente curados a exames de ressonância magnética e fizeram descobertas alarmantes: cerca de 80% deles apresentavam anomalias cardíacas e 60% tinham miocardite – inflamação da camada média da parede do coração (miocárdio).

Por fim, o médico defende que a atenção ao sistema cardiovascular do paciente de COVID-19, durante e após o tratamento para a doença, minimizando, assim, possíveis danos e, até mesmo, óbitos em decorrência das sequelas da COVID-19.

Deixe um comentário

Deixe a sua opinião