O ano de 2021 era para ser de esperança para a saúde com a chegada da vacina. Mas o que estamos vendo atualmente é preocupante. Atualmente a cidade de Foz do Iguaçu e todo o oeste paranaense vem sofrendo com o pior cenário da pandemia desde que a transmissão do vírus da Covid-19 iniciou há quase um ano com uma máxima na ocupação dos leitos de UTI.

Segundo o Boletim divulgado hoje (23) foram registrados 401 novos casos de Coronavírus em 24 horas aqui na cidade, totalizando 25.247 casos da doença no município. Deste total, 24.113 pessoas já estão recuperadas. Ao todo 383 já morreram em consequência da doença em Foz do Iguaçu.

Segundo dados da secretaria municipal de saúde hoje a cidade se encontra com quase 100% dos leitos de UTI da Covid lotados, o que se estende para a região sudoeste também e preocupa a população, pois se lotar ambas as regionais de saúde as pessoas que necessitarem de vaga na UTI terão que esperar. Hoje a Macrorregião oeste está com 96,6% de ocupação nos leitos adultos de UTI para Covid-19, conforme dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa).

Para ter uma ideia de quão crítica é a situação, mais de 700 mil pessoas utilizam o sistema de saúde de Foz do Iguaçu, incluindo os moradores, pacientes das oito cidades vizinhas que fazem parte da 9º Regional de Saúde, brasileiros que residem no Paraguai e paraguaios que vem até a cidade utilizar o atendimento. “O SUS é brasileiro, mas em seus princípios contém universalidade, então não podemos negar assistência a ninguém”, destaca a secretária da Saúde de Foz, Rosa Jeronymo.

Apesar de todo o investimento feito pela prefeitura de Foz com a ampliação para 50 leitos de UTI e 52 leitos de enfermaria todos exclusivos para casos de Covid no Hospital Municipal, e também mais 40 leitos de UTI e 22 leitos de enfermaria que estão disponíveis no Hospital Costa Cavalcanti somados a cinco leitos de UTI no Hospital Madre de Dio em São Miguel do Iguaçu, a quantia de 95 leitos de UTI na cidade está se tornando insuficiente para a realidade atual.

O Hospital Municipal possui atualmente 127 pacientes internados por Covid-19, ultrapassando 100% da ocupação de leitos de enfermaria e de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) destinados para esses atendimentos (102 no total), o que motivou a necessidade de remanejamento na instituição.

Atualização da ocupação dos leitos de UTI em Foz

Data: 23/02/2021

Hospital Municipal

  • 107 internados em leito Covid (111,58%)
  • 82 internados na enfermaria Covid (110,81%)

HMCC

  • 38 pacientes em UTI Covid
  • 12 pacientes na enfermaria Covid
  • 5 pacientes estão internados no Hospital Madre de Dio em SMI

Medidas restritivas

A preocupação com esse aumento fez a prefeitura adotar novas medidas restritivas para tentar conter o avanço da doença. Desde o último domingo (21) passou a valer o toque de recolher às 23 horas e a suspensão de bailes, confraternizações e atividades esportivas coletivas por um período de 14 dias. Também haverá limitação de público em 30% da capacidade para atividades religiosas e de dez pessoas para reuniões domiciliares.

Além disso, o prefeito Chico Brasileiro destacou que fez uma solicitação ao Governo Federal para a instalação de uma barreira sanitária na Aduana Brasileira da Ponte da Amizade, para que seja permitido o ingresso no Brasil apenas de pessoas que comprovam não ter infecção por coronavírus, por meio do exame de RT-PCR negativo, realizado nas 72 horas anteriores. 

Outra medida foi uma solicitação ao Governo Federal para aquisição de insumos e equipamentos que possibilitem a abertura de 10 novos leitos de UTI no Hospital Municipal. 

“Este é um momento em que pedimos a compreensão da população. Nós estamos como nunca estivemos, desde que iniciou a pandemia em março do ano passado, com um alto índice de contaminação”.

secretária de saúde.

Vacinação em Foz

No período de 20/01 a 22/02 foram aplicadas 10.131 doses, sendo que ja receberam a 2ª dose 1.936 pessoas em Foz do Iguaçu.

A secretária de saúde destaca a importância desse momento. “Nosso grande desafio é conseguirmos avançar na vacinação, porque é o único meio que temos hoje para conter a pandemia. Organizamos as equipes, a medida que a vacina está chegando estamos vacinando, mas também temos de manter a rede de assistência hospitalar, para atender às necessidades da população. Temos feito um grande esforço para que o hospital dê conta dessa demanda, não está sendo fácil, mas é um grande desafio”.

Conscientização por parte da população

A 100fronteiras, desde o inicio da pandemia, reforça a importância da comunidade seguir todos os protocolos sanitários, seja em casa, no local de trabalho, na rua. Esse é o pior cenário desde que a pandemia começou e nunca é demais reforçar o alerta para que a população redobre os cuidados e evite aglomerações. Faça sua parte.

Patrícia Buche

Formada em Jornalismo na UDC e pós-graduada em Relações Internacionais Contemporâneas na Unila, atualmente é jornalista da 100fronteiras.

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