Em um atual cenário onde o mundo clama por mais saúde e qualidade de vida, ter acesso a produtos naturais ainda é um grande desafio, principalmente para as famílias brasileiras. Isso porque apesar da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reconhecer alguns produtos naturais como tratamento alternativo para doenças, o custo para adquirir os mesmos ainda é alto demais.

Nesse contexto se encontra a cannabis, uma planta medicinal que apesar de não ter autorização para ser cultivada no Brasil, é responsável por tratar inúmeras doenças presentes em milhões de brasileiros, como a ansiedade, depressão, alzheimer, autismo, epilepsia refratária, dor crônica, entre outros, conforme diversas comprovações científicas.

Com isso, famílias que têm autorização para consumir produtos produzidos à base de cannabis precisam importar, geralmente, dos Estados Unidos ou comprar produtos registrados nas farmácias, mas pagam um valor altíssimo por poucos miligramas, chegando ao preço de até R$2 mil um frasco.

Se a eficácia do uso da cannabis medicinal é comprovada e há uma expressiva demanda de pessoas que necessitam do produto para melhorar sua qualidade de vida, por que não facilitar o acesso? Foi pensando nisso e em trazer à luz informações relevantes sobre o uso da planta medicinal, que os jovens Diego Barros (Uberlandense de 27 anos) e André Kochem (Iguaçuense de 21 anos) decidiram criar a Koba, um óleo de canabidiol, conhecido popularmente como CBD, que é feito de uma substância extraída da planta cannabis. Sua fabricação é feita no Paraguai de acordo com normas internacionais de qualidade e a comercialização aqui no Brasil.

“Eu tive meu primeiro contato com a cannabis em 2018, em uma viagem que fiz para Amsterdã, Holanda. Eu era a pior pessoa pra falar de cannabis, pois tinha muito preconceito. No entanto, lá eu conheci a produção de cânhamo, fiz cursos sobre o tema para entender melhor sobre os ciclos da planta, tipos de extratos, compostos, canabinoides, flavonoides, terpenos e tudo que representa a planta. Fiquei admiradíssimo. Então comecei uma turnê mundial, fui para vários países do leste europeu, visitei países da América Latina e na época as regulamentações brasileiras estavam avançando. Foi aí que fui convidado a ser CEO de um projeto em Ciudad del Este (PY) onde conheci o André”, explica Diego.

Diego Barros - CEO Koba
Diego Barros.

Já o sócio teve o primeiro contato com a planta medicinal em 2019 quando seu pai, que sofria de hérnia de disco, passou a tomar o CBD e teve uma melhora significativa. “Nessa mesma época trabalhava como diretor de arte em uma agência de um antigo sócio e estava em ascensão o trabalho com marcas internacionais. Foi quando tive contato com um laboratório licenciado de cannabis na Califórnia (EUA). Ali eu conheci o cânhamo e a produção desse mercado. Em 2020 eu recebi um email de uma moça, Nancy, que me escreveu falando que o filho dela, que tinha convulsão todas as noites, ao tomar o CBD que o laboratório que cuidávamos estava fabricando, teve uma melhora significativa e as convulsões diminuíram muito, chegando a no máximo uma por semana. Isso tocou muito a mim e a equipe com quem trabalhava. Foi um episódio que me fez criar amor pela ideia e ali eu sabia que essa era a minha missão. Então, em janeiro de 2021, conheci o Diego, pois trabalhamos juntos em uma empresa do Paraguai, unimos nossas ideias e nossa paixão por esse trabalho e iniciamos um projeto relacionado ao óleo de CBD”, relembra.

André Kochem - sócio Koba
André Kochem.

A sociedade da empresa acabou no meio de 2021, mas Diego e André sabiam que precisavam continuar com o projeto, tirar as ideias do papel e desenvolver de fato um produto que viesse beneficiar as pessoas, não apenas pela eficácia do tratamento, mas também no acesso a ele e às informações, rompendo as barreiras do preconceito em torno do uso do cânhamo.

Assim, em julho de 2021, os dois fundaram a Koba com a missão de ajudar milhares de pessoas que sofrem com doenças e desejam melhorar a qualidade de vida. Fizeram toda a estruturação do produto e da marca, testaram mais de 200 marcas internacionais para encontrar a formulação correta, porque existem vários produtos no mercado, mas nem todos são eficazes. Fizeram análises durante três meses até chegar ao produto final. Eles contam que investiram em torno de 6 milhões de dólares no laboratório de extração no Paraguai, com máquinas de alta qualidade e um time profissional para que esse produto se torne o melhor do mercado e que, até o final do ano de 2022, a Koba esteja entre as cinco principais marcas do mercado brasileiro.

A escolha do nome é em referência ao Parque Nacional de Senegal chamado Niokolo-Koba, um santuário de vida.

“Toda a nossa tecnologia da indústria de extração vem da parceria com uma empresa americana que já atua no mercado. A única coisa que fizemos foi trazer toda a estrutura e knowhall dessa empresa para o Paraguai e replicar o que já dá certo nos EUA. Ou seja, temos o mesmo produto que é vendido nos EUA, com a diferença de que a Koba é fabricada no Paraguai. Somos a primeira marca de CBD paraguaia a entrar no Brasil”, conta Diego.

Koba, óleo de CBD
Atualmente a marca conta com esses dois produtos.

Assim, além dos dois, a Koba conta com um sócio no Paraguai (Dr. Marcelo Demp), que é presidente da CCIP (Câmara de Cânhamo Industrial do Paraguai) e pioneiro cannábico no país e nos EUA (Chris Hammer) que cuida das formulações.

“A Koba possui um extrato full spectrum, ou seja, tem dentro dele todos os canabinoides menores presentes na planta. Assim, causam no organismo o chamado efeito entourage, que é provocado pelo complexo completo desses canabinoides. Além disso, a Koba tem a garantia do COA, um certificado de análises, que mostra todas as substâncias presentes no produto”, destaca Diego.

Processo de fabricação e comercialização

Como no Brasil não existe autorização legal para a produção da cannabis medicinal, os sócios encontraram no país vizinho, Paraguai, a oportunidade de produzirem a Koba. “Toda a matéria-prima vem de um projeto social chamado Hemp Guarani, que consiste em levar a famílias de pequenos produtores e colônias indígenas a semente de cânhamo para eles produzirem a matéria prima para nós. Isso ocorre por meio da Câmara de Cânhamo Industrial do Paraguai (CCIP) que auxilia e dá suporte aos produtores. Além disso, nossa empresa também faz parte da Associação Latino Americana de Cânhamo Industrial (LAIHA)”, reforça Diego.

O processo de cultivo da planta até o produto final leva em torno de quatro a cinco meses. “A Koba está presente no Paraguai e no Brasil, são duas empresas com seus devidos registros legais, onde no Paraguai temos a extração e industrialização e no Brasil a distribuição e comercialização. Ou seja, estamos aptos tanto para produzir quanto para comercializar os produtos derivados da cannabis”, destaca André.

Cânhamo em Hernandárias
Uma curiosidade é que cânhamo é um anagrama da palavra maconnha.

Regulamentação brasileira do CB

Diego explica que existem duas regulamentações da Anvisa que permitem a comercialização do produto no Brasil. Uma delas é a RDC 335 que passou a ser conhecida como RDC 570 e que autoriza a importação direta por pacientes com prescrição médica.“De acordo com essa regulamentação não é permitido ter estoque do produto Koba no Brasil. Assim, quem precisa fazer uso do produto, realiza uma consulta com um médico prescritor e, logo após, entra em contato conosco, pelos nossos canais. Então, a Koba dá todo o suporte para obter a autorização da Anvisa, que é emitida automaticamente após ter a prescrição médica. Com isso o paciente está autorizado a fazer a compra pelo nosso site e o produto importado chega na sua casa de 7 a 10 dias, tendo como referência o estado de São Paulo. Se a pessoa for comprar de outra marca, que tem fabricação nos EUA, o produto vai levar de 20 a 30 dias para chegar e, às vezes, a pessoa não tem esse tempo para esperar”. 

Outra regulamentação é a RDC 327, que permite a comercialização doproduto nas farmácias. “Começamos os estudos de estabilidade Zona 4B e também a certificação GMP EU, tendo previsão de em 2023 termos disponíveis nossos produtos nas farmácias brasileiras”.

Uma gota de esperança

Quando Diego e André criaram a Koba, um dos principais objetivos da dupla era proporcionar o acesso ao produto e contribuir para a melhora da qualidade de vida das pessoas. “Nosso trabalho consiste em quatro pilares: trazer acessibilidade maior do produto para a população; ter um custo mais competitivo dentro do mercado; prestar informação de qualidade e proporcionar rapidez logística”, reforça Diego.

Koba, óleo de CBD
Um dos produtos da marca.

Lançamento oficial

A Koba estará oficialmente no mercado brasileiro a partir do dia 17 de março, quando os sócios irão realizar um evento para apresentar o produto aos profissionais de saúde de Foz e região.

O evento será no Mabu Resorts a partir das 18h30 e terá transmissão ao vivo pelo canal da Koba no Youtube. Destinado aos profissionais de saúde, o evento contará com quatro palestrantes que irão explicar a importância do uso do CDB e os benefícios para a saúde. São eles:

  • Dr. Elton Gomes da Silva: neurocirurgião e doutor em neurologia. Atua em Foz do Iguaçu e prescreve o uso da cannabis medicinal desde 2015. Atualmente ele é também o Head Doctor da Koba.
  • Dr. Francisney Nascimento: pós-doutorado em neurofarmacologia e que atua na Unila, em Foz do Iguaçu, tendo especialidade em uso da cannabis medicinal.
  • Dr. Flávio G. Alves: diretor científico da Associação Panamericana de Medicina Canabinoide, atuando em São Paulo.
  • Alex Lucena: diretor de inovação e sócio do The Green Hub, também de São Paulo. 

Após o final das palestras, os sócios irão apresentar a marca Koba.

Evento Koba
O evento será no dia 17 de março.

Telemedicina

Outra novidade é que em breve eles irão oferecer um serviço dentro do site da Koba, de assessoria aos pacientes, com médicos capacitados e pré-cadastrados na página. Com isso, o evento também servirá para trazer esses profissionais para dentro da plataforma. Será um local onde o médico poderá atender pacientes de qualquer lugar do mundo de forma instantânea. O paciente acessará o site da Koba, fará um cadastro, passará por uma triagem e escolherá por qual médico quer ser atendido e na hora estará em contato direto com ele por vídeo. Será feita uma análise e o profissional irá recomendar um tratamento ao paciente, mas ele não é exclusivo para o uso da Koba, o médico poderá receitar outros produtos, ou mesmo uma mudança de comportamento para os pacientes. “Não existe uma alienação para prescrever só a Koba. Ou seja, o que queremos com isso vai além de vender o produto, queremos trazer informação e acessibilidade para as pessoas. Essa é a nossa missão,” finaliza Diego.

Dr. Elton Gomes da Silva: neurocirurgião e doutor em neurologia. Head Doctor da Koba.

“Há 6 anos faço a prescrição desse tipo de medicação e começou com a demanda de uma mãe, solicitando a medicação para o filho que tinha epilepsia e já tinha feito o uso de todos os tipos de medicação, mas não tinha retorno. Então ela me pediu o CBD. Fui estudar sobre o tema, pois não conhecia, e desde então me interessei pela pesquisa do CBD e fui afundo para poder prescrever. No entanto, sinto que os profissionais de Foz não têm um conhecimento sobre o produto e por isso não prescrevem. Hoje a maior parte das prescrições vem por pedidos dos pacientes, pois como eu tenho artigos científicos publicados e dou aulas na Unila, eles pesquisam na internet e me encontram como referência. Mas falta uma maior disseminação da informação sobre o uso de canabidiol. Nesse contexto, o produto da Koba é uma ideia inovadora, de trazer para o mercado brasileiro uma nova marca com maior acessibilidade aos pacientes a esse tipo de medicação, além da divulgação e informações, que dentro da área médica irá ajudar muito para que os profissionais conheçam o CBD. É extremamente importante que o quadro clínico da cidade tenha um maior conhecimento sobre o produto, pois há uma demanda e os canabinoides vieram como uma possibilidade nova de terapia para essas doenças. Vemos pelas pesquisas científicas que está havendo uma boa resposta a esse tratamento, mas sinto que grande parte da população está mais consciente sobre os benefícios do CBD do que os próprios profissionais da saúde. O conhecimento é necessário para que eles possam prescrever, então é preciso tirar esse preconceito que existe neles, para que eles se informem sobre quais doenças é possível tratar, a melhor concentração indicada para cada paciente e assim ajudar mais pessoas”.

Dr. Elton da Silva
Dr. Elton Gomes da Silva

Patricia Forlin, 31 anos: Cirurgiã dentista, Odontologia Biológica, terapia canabinoide na odontologia, prevenção e tratamento de doenças crônicas.

“Iniciei o uso de CBD em outubro de 2020, para tratamento de ansiedade, optei por esse tratamento, indicado por um médico psiquiatra, por ter menos efeitos colaterais que outras medicações que são receitadas normalmente para o tratamento de ansiedade. Também fiz acompanhamento terapêutico com psicoterapeuta junto com a terapia canabinoide. Em junho de 2021 fraturei meu braço e precisei colocar uma placa e 10 parafusos, optei por substituir os medicamentos (analgésico, antibiótico e anti-inflamatórios) por cannabis, que já usava para a ansiedade. O resultado foi muito positivo, pois mesmo sem tomar medicamentos não tive nenhuma dor e a minha cicatrização foi muito mais rápida que o normal. A minha disfunção temporomandibular e bruxismo também foram curados depois que iniciei o uso. Sempre acreditei no potencial terapêutico da cannabis e pude confirmar quando precisei, tanto para o tratamento psicológico como para o tratamento físico. Hoje tenho certeza absoluta de que funciona muito no tratamento de diversas enfermidades. Nunca tive preconceito pelo uso de CBD, mas no dia a dia percebo que muitos pacientes e profissionais da saúde ainda têm preconceito e sei que é por falta de informação. Hoje eu prescrevo CBD nos tratamentos odontológicos e nosso trabalho é levar informação à essas pessoas para que elas tenham conhecimento de que existe essa excelente opção terapêutica, que é natural e pode ajudar muitas pessoas que sofrem com dores e problemas de saúde crônicos e também para quem busca tratamentos com menos efeitos colaterais”.

Patricia
Patricia Forlin

Para saber mais, clique aqui.

Local das fotos da capa: Hernandarias – Paraguai

Formada em Jornalismo na UDC e pós-graduada em Relações Internacionais Contemporâneas na Unila, atualmente é jornalista da 100fronteiras e recentemente conquistou pela 100fronteiras o primeiro lugar no 1º Prêmio Faciap de Jornalismo.

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