O trabalho foi realizado pela Unican em conjunto com a fotógrafa Eliane Provin, o fotógrafo Gilberto Xavier cuidou de toda a produção. Os figurinos foram disponibilizados pelo Ateliê Di Capri, a maquiagem ficou por conta do Siep e o artista plástico Orlando Rodriguez retratou as imagens em pintura em tela. Essa exposição ficará no Cataratas JL Shopping do dia 13 a 31 de outubro e terá a participação de oito mulheres que venceram o câncer ou estão em tratamento. 

“A vida é muito acelerada, e quando nos damos conta já se passou algo que não volta, que é o tempo. Quando podemos parar e fazer uma reflexão da vida, é algo inexplicável o plano de Deus, onde nos faz sintonizar com pessoas de bem. Então recebi o convite para participar deste projeto maravilhoso e decidi doar um pouco de meu tempo a quem realmente precisa de um pouquinho de autoestima. E, pra falar a verdade, no dia das fotos, abri meus ouvidos e meu coração para essas meninas guerreiras. Em poucas palavras, simplesmente o sentimento foi gratidão”, destaca a fotógrafa Eliane Provin.

Depoimento das pacientes oncológicas da Unican

Nelly Antunes

Sou Nelly Antunes, 45 anos, mãe de quatro lindos e guerreiros filhos, meu porto seguro. Tive meu diagnóstico de câncer de mama no dia 16 de setembro de 2013, fiz mastectomia radical com esvaziamento axilar em 4 de novembro do mesmo ano, fiz quimioterapias e hormonioterapia coadjuvante com tamoxifeno por cinco anos, passei por duas cirurgias para reconstrução da mama e me sinto renovada. O câncer, que no início foi meu grande inimigo, se tornou uma espécie de aliado. Os desafios para combatê-lo me trouxeram grandes lições, amizades verdadeiras, o amor e apoio de quem eu amo, a satisfação de saber em vida o quanto sou e por quem sou amada. Me descobri forte e capaz de ser autora da minha história! O câncer não é sentença de morte, a vida é um presente e vale muito a pena lutar por ela! Gratidão por mais esse dia e pela Unican!

Lilian Deise Brisuella

Me chamo Lilian, tenho 37 anos, solteira, estudante. Recebi o diagnóstico em 2014, mas iniciei o tratamento em 2018, quando cheguei ao hospital para iniciar o tratamento (radioterapia e quimioterapia). Segundo a visão médica, eu tinha apenas meses de vida, mas já faz dois anos que estou aqui pra contar e dizer que, sim, os médicos são anjos enviados por Deus, mas a última palavra vem lá de cima! Por conta da demora no tratamento, sou paciente paliativa, ou seja, nos meus exames não tenho tido só melhoras, mas se o pior acontecesse hoje eu iria feliz, porque já me tornei um ser humano melhor. Não vivo pensando só em mim ou mais em mim, eu enxergo a dor do próximo, tenho empatia, sempre com sorriso no rosto, e nunca reclamo, afinal sempre tem alguém em situação muito pior. Agradeço a Deus até pela doença, se colocar em uma balança temos muito mais motivos para agradecer!

Danielle Domingos da Silva

Me chamo Danielle Domingos da Silva. Tenho 36 anos, dois filhos lindos, um menino de 6 anos e uma menina de 2. Recebi o diagnóstico em outubro de 2019, em novembro fiz mastectomia total e esvaziamento axilar, fiz quimioterapia em fevereiro, seis meses de radioterapia em 2020. Agora estou em hormonioterapia por dez anos.

Carmen Lujan Martin

Eu me chamo Carmen Lujan Martin, tenho 66 anos, e há uns dez anos eu vinha sentindo dores nas costas e pernas. Procurei o doutor particular e outro pelo SUS, e eles me deram remédio para dor, mas eu não melhorava. E há seis anos eu descobri que eu estava com um tumor na coluna. Fiz cirurgia, mas o tumor estava na vértebra. Fiz radioterapia e quimioterapia. Em consulta com os oncologistas, descobri que a origem do câncer que estava na minha coluna era da mama. Venho fazendo tratamento e há um ano descobri que estava no fígado, nos ossos e no crânio. Há um ano venho fazendo quimioterapia, por causa do fígado, pois está tudo se espalhando devagarinho. A vida é essa, a gente tem que lutar para viver com alegria e com amor.

Maria Helena dos Santos de Brito

Me chamo Maria Helena dos Santos de Brito, tenho 46 anos, casada, mãe de um filho, profissão encarregada de cozinha. Tive o diagnóstico de câncer de mama maligno estágio IV com metástase no final do ano de 2018. Em 2019 comecei meu tratamento, ainda não fiz cirurgia por conta de o tumor maligno estar muito avançado, faço quimioterapia, fiz 30 sessões de radioterapia tamoxifeno, tenho que tomar por cinco anos. Quando eu recebi o diagnóstico de câncer, parecia que meu mundo desabou, mas durante o tratamento vi que eu estava enganada, conheci mulheres fortes e guerreiras, e aos poucos eu vi que o câncer faz você ver a vida diferente, com mais garra e vontade de viver cada vez mais. Agradeço a Deus por cada vitória na minha vida. Obrigada Unican!

Jacira Martins de Oliveira

Meu nome é Jacira Martins, 37 anos, sou casada, tenho três filhos. Recebi o diagnóstico ano passado, e antes dele eu era tabagista, fumava mais de uma carteira de cigarro por dia. Uns três meses antes de descobrir que estava com câncer, tinha parado de fumar. Ali Deus já estava trabalhando na minha vida. Eu larguei o vício do cigarro e comecei a beber, estava decidida a me separar do meu esposo, e logo tive a notícia. Foi como uma bala na minha cabeça, a primeira coisa que pensei foi “eu vou morrer”. Retirei a minha mama inteira e fiz esvaziamento da axila, fiz 25 sessões de radioterapia e 16 de quimioterapia, passei por todos aqueles constrangimentos, enjoos, cabelo caindo, e eu tinha um amor ao meu cabelo, eu não aceitava me ver careca, passei o tratamento inteirinho usando lenço. Deus colocou muitas pessoas boas no meu caminho, pessoas que quando estava com saúde eu não valorizava e foram quem vieram me ajudar, que não me abandonaram. Mas quem ficou o tempo todo do meu lado me apoiando foi meu marido, de quem eu queria me separar. O que eu aprendi com o câncer? Viver minha vida com toda intensidade um dia após o outro. Hoje eu dou valor às mínimas coisas que antes eu não dava, dou valor à vida, amo o próximo com toda intensidade. Aprendi perdoar porque eu vivia com meu coração com muita mágoa. Sou grata pela vida, por tudo, amo Deus sobre todas as coisas. Ele falou que essa doença viria não para me matar, e sim para me fortalecer, sou uma guerreira.

Rose Mary Rosseto

Meu nome é Rose Mary Rosseto, tenho 53 anos, sou mãe de quatro filhos e avó de sete netos, cuidadora. Senti um caroço na mama esquerda ao fazer o autoexame, e o diagnóstico veio há um ano, era câncer maligno. Ao receber o diagnóstico, não que eu estivesse preparada, mas eu sabia que poderia ser maligno, porque tenho histórico da família. Minha mãe faleceu de câncer de mama aos 43 anos. Não é fácil, mas tive apoio total dos meus familiares, dos meus filhos, dos meus irmãos e amigos. O apoio que a gente recebe é muito fundamental pra gente se sentir segura de que tudo vai dar certo; a família é fundamental nesse momento. A nossa determinação e confiança na gente mesmo faz com que tudo seja mais leve, para que consigamos superar o tratamento, isso que nos dá força. Por isso faça o autoexame, ele é fundamental, ele é precioso, confie no seu médico, confie na sua equipe, confie em você. A mulher é uma fortaleça, ela gera vidas, ela dá vida, ela consegue se superar de coisas inacreditáveis. A mulher é uma obra de Deus.

Irene Francisca de Oliveira

Meu nome é Irene, tenho 47 anos, em 2016 descobri que minha mãe estava com câncer em estado avançado. Desabei, foi um momento muito difícil cuidar dela doente, pois ela era minha razão de viver, éramos muito apegadas. Trinta e três dias depois descobri que eu estava com câncer maligno de mama. Sofri, cuidava dela sem demonstrar minha dor. Em três meses ela faleceu. Passei por duas cirurgias, fiz quimioterapia e radioterapia. Em outubro de 2019 descobri que o câncer estava na mama esquerda, tive que fazer químio, rádio e cirurgia novamente, e graças a Deus consegui me reerguer, acabei o tratamento e estou esperando avaliação médica para saber como estou. Deus mostra que a gente é capaz, a gente é forte. Eu não sabia que ia aguentar tudo isso sobre a minha enfermidade e da minha mãe, e eu venci! Tenho muita fé, sou forte e sou feliz.

Fotos: Eliane Provin

Formada em Jornalismo na UDC e pós-graduada em Relações Internacionais Contemporâneas na Unila, atualmente é jornalista da 100fronteiras.

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