Milhares de muçulmanos se unem para o início do Ramadã, hoje (24). Foz do Iguaçu tem a segunda maior comunidade árabe do Brasil, sendo uma das cidades brasileiras que mais recebem imigrantes do Oriente Médio, e consequentemente eles trazem consigo suas tradições na culinária, comportamento e religião. Tratando-se de religiosidade, os árabes são muito conhecidos por alimentarem e preservarem suas práticas religiosas. Prova disso é a Mesquita Omar Ibn Al-Khattab, que desde 1980 é um espaço de conhecimento, reflexão e oração que encanta os visitantes que por lá passam, sendo um dos importantes locais que unem a comunidade. Hoje, 24 de abril, iniciou a celebração do Ramadã, a segunda prática mais importante na religião muçulmana.
Segundo o xeique Oussama El Zahed, “o Ramadã é o mês que nele se iniciou a revelação da escritura sagrada [nobre Alcorão],sendo o mês nº 9 no calendário lunar”.
O Ramadã é um mês do calendário islâmico, e todo ano durante um mês todos os muçulmanos do mundo jejuam para Deus. Nesse período, dizem que as portas do paraíso estão abertas para receberem as orações dos muçulmanos, as quais serão mais aceitas do que em outros meses. Por isso muitos muçulmanos esperam por esse mês para poder então rezar e pedir a Deus o que eles quiserem, pois acreditam que os céus estão abertos e assim essas orações serão ouvidas e aceitas. O xeique Mohamad Jaafar Khalil explica:
“O Ramadã se faz como mês sagrado para os muçulmanos pelas seguintes características: o sagrado Alcorão foi revelado nele durante a vida do profeta Maomé; o jejum deve ser realizado nele; e a purificação espiritual se esforça nele”.
Uma das práticas que compõem essa tradição é o seu início, quando um jovem atinge a puberdade. No islamismo, isso se chama obediência, o ato de respeitar e praticar,iniciando às 5h40 (antes do pôr do sol) até às 18h20 (pôr do sol). Durante o jejum é proibido comer, beber, fumar,praticar relação íntima, mentir ou manipular os textos sagrados,bem como viajar para outro lugar.
  • Alguns fatores que desvalorizam o ato de jejuar são: a mentira, ódio, discriminação social ou racial, intriga, fofoca e uso de palavras de baixo calão.
Por conta do isolamento social que estamos enfrentando, ambas as mesquitas xiita e sunita estarão com suas atividades coletivas suspensas, afim de evitar aglomerações.Dando fim aos tradicionais jantares (iftar), as orações noturnas nas mesquitas (tarawih), das reuniões familiares e entre amigos até tarde da noite ou viagens para as cidades santas do islã. O Ramadã tem como objetivo ser um mês para voltar para si, cuidando de sua autoestima, do seu autocontrole. Fazer jejum, colaborar com o próximo, fortalecer os laços de amizade e familiares. Para assim reforçar, segundo eles, os laços entre o crente e o Criador, o Deus altíssimo.
  • Convidamos Sara Ibrahim Hijazi, uma fiel membra do islamismo, que nos contou o que é o Ramadã para ela:
“É importante porque a gente consegue orar mais, nossas orações têm créditos duplicados, com Deus. E dizem que é bom para saúde a parte de jejuar. E se sentem mais humilde, como estivessem todos se igualando o povo da terra, sem distinção de rico ou pobre – como pobre e rico tivessem unidos em uma mesa de jantar, sendo um mês de boas ações”.
Amina Bassam Abdallah, que mora no Líbano e falou com exclusividade para a 100fronteiras, afirmou que esse momento tem um significado muito importante para sua família:
“O Ramadã junta todos de madrugada, para rezar, decorar a casa, a mesquita, ruas. Lemos o Alcorão e convidamos as pessoas para jantar em casa, fazendo comidas e doces típicos dessa época”.
O guia religioso da comunidade islâmica de Foz do Iguaçu esclarece que não vê diferenças nas práticas realizadas no Brasil e no Oriente Médio. Xeique Mohamad Jaafar Khalil é enfático ao dizer que não existe diferença na prática do Ramadã no Brasil e no Oriente Médio:
“Em geral não existe algo anotado. Claro que o ambiente ajuda muito para cumprir esta obrigação religiosa [o jejum], porque o devoto muçulmano é reforçado e preparado espiritualmente para o jejum em qualquer lugar no mundo”.