Ponte da Integração: cada vez mais estamos conectados com os países da fronteira

1273

Em 2019 iniciou-se a construção da Ponte da Integração, que ligará as cidades de Foz do Iguaçu e Presidente Franco, na Tríplice Fronteira. Tem sido comum encontrar na mídia ou ouvir em conversas a denominação de “segunda ponte” a essa obra. Mas será que isso está correto?

Quem mora na Tríplice Fronteira sabe que essa não é a segunda ponte por aqui, mas a terceira. A mais antiga é a Ponte da Amizade, inaugurada em 1965, ligando Ciudad del Este e Foz do Iguaçu. A segunda ponte construída na região é a Ponte Tancredo Neves, também conhecida como Ponte da Fraternidade, que liga a cidade brasileira a Puerto Iguazú, na Argentina, inaugurada em 1985.

Em alguns veículos da mídia é possível encontrar manchetes nas quais consta que a obra em construção é a segunda ponte entre o Brasil e o Paraguai. Entretanto também não é. O jornalista Lúcio Horta, em sua pesquisa na pós-graduação em Relações Internacionais que cursa na Unila, levantou informações sobre a existência de uma ponte sobre o Rio Apa, ligando a cidade paraguaia de Bella Vista Norte e o município brasileiro de Bela Vista. Comumente essa estrutura, bastante modesta se comparada com a Ponte da Amizade, é chamada apenas de Ponte Internacional e foi inaugurada em 1971. Então a nova ponte entre Presidente Franco e Foz do Iguaçu será a terceira ligação entre o Brasil e o Paraguai, não a segunda.

Outra ponte importante nas relações Brasil/Paraguai é a Ayrton Senna. No entanto, apesar de facilitar o acesso entre Salto del Guairá, no Paraguai, e Guaíra, no Brasil, essa estrutura liga as cidades brasileiras de Guaíra e Mundo Novo. Cabe lembrar que a fronteira entre Mundo Novo e Salto del Guairá é seca.

Sendo assim, é correto dizer que a nova ponte é a segunda ponte conectando Brasil e Paraguai na Tríplice Fronteira ou então a segunda ponte entre Brasil e Paraguai no Rio Paraná. No final das contas, o importante é saber que nesse século 21 está em andamento mais uma obra que une brasileiros e paraguaios, enquanto em outras fronteiras do mundo constroem-se muros, que separam.

 

Marcelino Teixeira Lisboa

Doutor em Ciência Política (UFRGS) e professor adjunto na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila). Membro do Grupo de Pesquisa Tríplice Fronteira e Relações Internacionais (CNPq) – https://triplicef.org.




Deixe um comentário