Pesquisadores da UNILA analisam impacto do coronavírus na economia de Foz do Iguaçu

 

O Centro de Pesquisas Econômicas e Aplicadas da UNILA (Cepecon) publicou um boletim especial que analisa os possíveis impactos da crise econômica gerada pelo novo coronavírus no mercado formal de trabalho de Foz do Iguaçu. O documento na íntegra está disponível em http://www.cepecon.com/mercadodetrabalho/boletimcrise.pdf.

O relatório mostra que, se a Medida Provisória nº 927 entrasse em vigor e 10% dos trabalhadores tivessem seus salários suspensos, cerca de R$ 50 milhões deixariam de circular na economia local. Em outro cenário hipotético, se houvesse, por exemplo, demissões em torno de 20% no setor de serviços e no comércio, o impacto ultrapassaria os R$ 25 milhões a menos em um único mês. “Dada a representatividade desses dois setores na economia do município, 20% de demissões nessas áreas representam cerca de 16% de todos os empregos formais de Foz do Iguaçu”, explica a professora Marcela Ferrario, docente do curso de Economia da UNILA e que assina o boletim especial do Cepecon junto com o professor Henrique Kawamura.

O impacto também seria sentido no Produto Interno Bruto (PIB) do município, que é composto pelo consumo das famílias, gastos do governo, investimento e pela balança comercial. “O consumo das famílias é o grande motor da economia, representando 65% do PIB. Nesse sentido, corte de salários e demissões acarretariam a diminuição desse consumo e, por conseguinte, afetariam todos os outros setores da economia, agravando a crise econômica”, salienta Kawamura.

Os pesquisadores apontam que o acordo assinado entre o Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares (Sindihotéis) e o Sindicato dos Trabalhadores em Turismo e Hospitalidade (STTHFI), para manutenção dos empregos em Foz do Iguaçu, foi uma decisão acertada. “O efeito multiplicador do corte de salários ou de demissões tende a aprofundar a crise, e outros setores serão atingidos em curtíssimo prazo ocasionando mais e mais demissões. Cortar salários ou demitir funcionários em uma crise da proporção que estamos enfrentando vai contra qualquer manual de macroeconomia”, comenta Marcela Ferrario.

Agora, cabe ao governo adotar políticas que sejam capazes de prover economicamente a população e reverter a queda dos indicadores econômicos. O documento cita algumas medidas anticíclicas que poderiam ser adotadas, como a transferência direta de renda para todas as pessoas, a flexibilização da lei do teto ou alteração das regras fiscais vigentes, o aumento das linhas de crédito com juros subsidiados e o alongamento das dívidas para pequenos e médios empresários, além da ampliação da transferência dos recursos para estados e municípios.

O boletim do Cepecon não contempla dados concretos sobre o mercado informal de trabalho. No entanto, segundo os pesquisadores, os impactos nesse mercado poderão ser ainda piores, pois não há benefícios sociais assegurados para os trabalhadores informais como, por exemplo, seguro-desemprego. Já a ajuda de R$ 200 reais para autônomos anunciada pelo governo federal – ainda em processo de definição das regras – está aquém da renda para manutenção das necessidades básicas. O relatório lembra que há, ainda, um contingente de pessoas desassistidas e em situação de vulnerabilidade, que necessitará de proteção social durante o período da crise sanitária. “Estamos apenas no começo da crise, e a recuperação ou não da economia dependerá necessariamente das ações tomadas pelo governo federal para amenizar a crise econômica que, sem dúvida, se aprofundará”, ressalta Henrique Kawamura.

 

Foto: Marcela Ferrario e Henrique Kawamura fazem parte do corpo científico do Cepecon/UNILA

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