Olá, leitor! Como vai você?

No texto de hoje vamos falar sobre trabalho voluntário, um tema muito atual e extremamente necessário no momento em que estamos vivendo.

Você já parou para pensar o quão grande somos e o quanto podemos fazer por alguém? Que o que pode parecer pequeno e insignificante para nós, tem um valor enorme para o outro? 

Pois é! Nós costumamos achar que algumas ações e atitudes não refletem e não têm importância, porque estamos tão acostumados com o nosso mundo, em nossa própria bolha, que não entendemos que no mundo de outra pessoa, isso é visto e recebido bem diferente. 

Você tem percebido que nas últimas semanas o tempo parece nublado, mas na verdade é a poeira e fumaça, que encobre o sol e deixa o céu marrom? Isso é efeito das grandes queimadas que têm ocorrido no Pantanal do Brasil. Há muitos voluntários tentando apagar os focos de incêndio e salvando animais e famílias que estão no meio disso tudo. Perceba que as ações desses voluntários podem parecer pequenas em um primeiro momento, para você, que está longe; mas a realidade é que essa ajuda faz a diferença para qualquer pessoa que vive neste mundo, não importa onde. Afinal, a atitude desses voluntários é cessar o fogo que está destruindo o meio ambiente e natureza, que existe para manter todo o ecossistema vivo, inclusive você. 

Quando pensar em ter alguma atitude, reflita mais de uma vez e veja com outros olhos, para entender qual reflexo ela terá, diante da vida de outras pessoas. 

Agora relaxe e reflita durante a entrevista de hoje com a convidada Amanda Medeiros de Souza. 

Amanda Medeiros – Voluntária

Amanda tem 29 anos, é formada em Publicidade e Propaganda e trabalha com Marketing Digital, além de ser fotógrafa. Ela tem uma vasta experiência com voluntariado desde pequena e quando pensei em abordar esse tema, foi a primeira pessoa em que imaginei conversar. Confira: 

Como surgiu o teu interesse por trabalhos voluntários?

Surgiu desde muito nova, com 12 anos iniciei no voluntariado, em um projeto que ainda existe aqui em Foz, o Criança de Valor, que iniciou as atividades dentro do Albergue Noturno e que hoje tem sede no Jardim América; acho que eu e meu irmão fomos um dos primeiros voluntários.

Esse projeto era da igreja que frequentávamos e que atendia crianças carentes da favela que fica próxima ao Supermercado Big. Fazíamos a evangelização dessas crianças com atividades relacionadas a temas bíblicos e também a parte de alimentação, pois muitas vezes essas crianças não tinham comido nada. Dávamos café da manhã e café da tarde. Comecei nessa parte e cuidava das crianças menores, passando atividades, desenhos e músicas.  

Continuei sendo voluntária até uns 16 anos. Com a ajuda de várias pessoas, foi aberta uma sede do projeto, onde havia aulas de reforço, computação e mais outras coisas. Nesta etapa eu era voluntária dando reforço de português, com escrita e redação para os adolescentes, que é uma área que sempre gostei muito.

Fiquei sempre envolvida. Paralelamente ajudava no bazar da Receita Federal. Já ajudei no bazar da ACDD. Eu sempre estava envolvida em algum projeto como voluntária. 

O voluntariado era algo que eu fazia muito alegre, que me dava muito prazer de fazer e não era uma obrigação.

Hoje você é voluntária no projeto Central Corona. Conta um pouco de como funciona esse projeto, qual o trabalho que você desenvolve e como surgiu a oportunidade.

O Central Corona é uma plataforma digital de atendimento online para pessoas que estão com algum sintoma do Coronavírus. Se a pessoa tem sintomas, ela entra na plataforma e lá pode escolher se ela quer esse atendimento pelo Facebook ou Whatsapp. O primeiro atendimento é feito por médicos voluntários, de forma online, para que a pessoa não precise ir até o médico sem necessidade.

A Central Corona veio para evitar esse deslocamento primário; se há necessidade de atendimento físico, os pacientes serão orientados. No início da pandemia o projeto foi muito importante e o atendimento acalmava os pacientes.

O meu papel na plataforma é fazer a parte do marketing, com conteúdo das mídias sociais, revisão de texto desses conteúdos, chamadas e site. Isso tudo com outros voluntários. Se a gente for olhar lá atrás, quando comecei no reforço de português, vemos como tudo está ligado. 

Amanda Medeiros – voluntária

O convite surgiu através do Eddie Hsu, que além de cunhado do meu irmão é um dos idealizadores do Central Corona, junto com o Geraldo Ramos que desenvolveu a plataforma. O Geraldo é programador, brasileiro pernambucano e vive nos EUA. Juntos, eles fizeram a plataforma para ajudar o Brasil.

Não pensei duas vezes quando recebi o convite e durante o processo consegui mais voluntários. Com esse voluntariado tive propostas de trabalho em outros projetos. Para mim, nada que fazemos é em vão e quando é feito com amor e querendo ajudar isso retorna de alguma forma.

É diferente um trabalho voluntário a distância por conta da pandemia?

Sim, é diferente! Porque no trabalho voluntário que eu fazia antes tinha contato com as pessoas que eu estava ajudando, eu conseguia ver de uma forma mais rápida o que estava fazendo pelo outro, via o sorriso da criança, era um resultado imediato. Ter esse contato físico é insubstituível.

O trabalho voluntário digital é uma experiência nova para mim, porque apesar de não ter o contato direto com o paciente, às vezes chega através dos médicos o feedback dos usuários da plataforma.

Você não consegue mensurar o quão bem fez para uma pessoa, estando dentro da sua casa, se envolver num projeto que com certeza salvou vidas. Saber que estou fazendo algo que fez a diferença na vida de alguém, não tem preço. 

Amanda, o que agrega como indivíduo, a realização de trabalhos voluntários e qual a sua visão sobre a importância para o cidadão que necessita do serviço voluntário?

Como ser humano é impossível não ter uma evolução dentro de um trabalho voluntário. Saber que de alguma forma você ajudou alguém, se olhar e se perguntar: “Quem sou eu? Como o ser o humano é pequeno e mesmo assim pode fazer tanto?”. A gente sempre tem algo a agregar e aprender com os outros. Muitas vezes estamos em casa reclamando, mas se temos uma casa, uma cama para dormir, estamos de certa forma protegidos e outras pessoas, às vezes, não têm isso. Nós podemos fazer a diferença na vida de alguém com apenas uma palavra. 

Você pretende continuar a ser voluntária em outros projetos e tem o sonho de trabalhar em algum outro que ainda não teve oportunidade?

Sim, tenho alguns projetos que pretendo iniciar por conta. É algo que mexe comigo há algum tempo. Na fotografia, minha área é Newborn (ensaio fotográfico com recém-nascido) e tenho muita vontade de fazer um trabalho voluntário fotografando mães gestantes carentes, que não têm condições de fazer registro dos momentos tão importantes como a gestação, parto ou o recém nascido. Sabemos que isso é luxo e tenho muita vontade de contribuir com minha fotografia para pessoas que não têm acesso a isso. Já estou fazendo alguns contatos para que o projeto saia do papel.

Também tenho outra vontade, de envolver de novo a parte de conteúdo, mas de outra forma, montar uma biblioteca para crianças carentes que não tenham acesso a leitura, porque acho que a educação transforma. Você ter acesso a leitura, ainda mais no país que estamos hoje, é extremamente importante. Minha vontade é montar algo que envolva a leitura para crianças que não têm acesso. E se aparecer outros projetos que precisem de voluntário e eu estiver disponível com certeza eu vou fazer.

O que você aconselha para quem quer se voluntariar pela primeira vez?

É necessário começar a procurar pela própria cidade, se quiser algo presencial. Com certeza tem ONGs e projetos com crianças,  idosos e animais abandonados. Hoje, com a internet, a gente consegue informação fácil, ver o que esses locais estão precisando. Se doar um alimento já está sendo voluntário e mudando a vida de alguém. Se não tem tempo de estar no local, seja um doador. 

Tente ver o que faz como profissional e se pode ajudar com o seu o trabalho, dentro da própria área, às vezes até um hobby que o possível voluntário tem, pode ajudar. 

Você indica quais projetos para quem quer se voluntariar?

Aqui em Foz do Iguaçu ainda tem o projeto Criança de Valor e sempre estão precisando de voluntários ou doação. Acompanho também o Lar dos Velhinhos e outros amigos que fazem trabalho lá e os voluntários e doações sempre fazem a diferença. Além desses, tem a ONG Vida Animal, que resgata animais abandonados e o Central Corona, onde precisamos muito de médicos voluntários e voluntários de outras áreas também, que esteja em qualquer parte do Brasil. 

Durante toda a entrevista foi nítido ver o amor da Amanda com voluntariado e os projetos que tem em mente. Amanda é  um exemplo real de que podemos fazer a diferença de longe ou perto, não importa de que forma e que podemos começar com pequenas atitudes. 

Para quem acompanha a coluna desde maio sabe que os textos que escrevo aqui são de forma voluntária; meu foco era ajudar uma empresa local no momento difícil que estávamos passando, na pandemia. Essa era uma forma de ajudar a revista, mas também me ajudar, já que estava em casa e não queria ficar “parada”. Os textos não ajudaram só a revista ou a mim, mas também aos entrevistados e leitores que têm acesso às informações diversas. A ideia é contribuir, mesmo que um pequeno círculo de pessoas. 

O voluntariado engloba o assistencialismo a projetos, mas com esse texto e entrevista quero despertar em você a vontade e a atitude em ajudar o próximo, que vai muito além de apenas voluntariado. Pode ser uma simples ação, doação, palavra, o mínimo que puder. Abra os olhos e a mente, perceba o que está próximo a você e como você pode ajudar. Como a Amanda disse, um hobby seu ou a área com a qual trabalha pode ajudar de alguma forma.

Se você tem interesse em se voluntariar para o projeto Central Corona acesse o site https://centralcorona.com/ e cadastre-se na aba “seja um voluntário”. É possível também entrar em contato com a equipe através das redes sociais.  

Espero ter feito você enxergar os pequenos detalhes e ações. Espero por você no próximo texto. Fique bem!

Turismóloga, formada pela União Dinâmica de Faculdades Cataratas. Trabalhou como produtora de conteúdo na área de marketing de destino, no segmento de turismo. Atualmente é responsável pela área de Marketing em setor de confecções e cama, mesa e banho, além de desenvolver projeto secundário de cerimonial em festas e eventos.

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